segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TRÊS LIÇÕES DE NATAL - POR PAULO CILAS


Me lembro das muitas representações feitas na igreja sobre o nascimento de Jesus e como elas nos inspiravam. Tinham uma certa magia, principalmente em mim, quando criança. Tenho certeza que tais peças teatrais serviram para sedimentar a fé e criaram bons sentimentos “entranháveis”. Sempre soubemos que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, contudo, as boas lembranças que a data sugere já são boas por si só. Independente de sua origem.

Mas, de uns tempos para cá, muitas igrejas em nome de uma espiritualidade, no mínimo esquisita, começaram a odiar tal data e a desprezá-la por completo, e ao desprezá-la por completo também o fizeram com todos os bons sentimentos.

A primeira lição é que para Deus, creio eu, as datas pouco importam. Calendários romanos, gregos, judaicos pouco, ou nada, fazem diferença. Agora, religiosidade excessiva, sentimentos arrancados, brigas por quem é mais espiritual, quem está mais certo, são tão vazias quanto uma mesa para ceia de natal tão somente adornadas de luxo, de talheres sobrepostos em perfeição, presentes e roupas extravagantes, mas desprovida da verdadeira fraternidade. Tudo é exatamente igual, um e outro, frio, distante e sem graça.

A segunda lição, aprendo com Maria. Já há muito tempo descobri isto: Enquanto no meio evangélico a figura de Maria é depreciada (por causa do mito criado por outro grupo), o aprendizado que vem dela acaba sendo jogado fora também. Quando da anunciação de sua gravidez, ela se quebranta, se humilha, “meu espírito se alegra em Deus, MEU SALVADOR” atentou-se para a “pequenez de sua serva”. Hoje, ou melhor, sempre, mas hoje mais do nunca, o que vemos é um exército dito de Cristo, apregoando vitória, conquistas, domínios, reconhecimento, mas não tendo nada da humildade de Maria. O que já disse em outro tempo, e escrevi: muitos se portando com vaidade e talvez a pior delas: a vaidade espiritual, parecem ter o rei na barriga. Maria se humilha, tendo o Rei na barriga.

Terceira lição: Por muito tempo ouvia falar que Maria, José e Jesus também, eram rejeitados nas hospedarias, depois percebi que não. Eles não eram rejeitados, simplesmente não havia lugar. As muitas tarefas, as muitas vontades, os muitos egoísmos, os muitos interesses, os muitos sonhos e desejos pessoais, estão ocupando lugar que deveria ser para Jesus. A maioria de nós não ousa dizer que rejeita, mas talvez coloquemos em prática a pior das rejeições: não há lugar. Temos que tirar muitas coisas para dar lugar a Jesus, mas não queremos perder nenhuma dessas coisas, e, se possível, queremos ainda usar Jesus, para dar respaldo as coisas que não queremos largar. Dada a sua missão - vir ao mundo para nos reconciliar com Deus, e a forma como fez isso - esvaziou-se a si mesmo tornando-se homem - faz o fato de não haver lugar a mais sórdida das rejeições, pois não temos lugar para quem deu tudo.

Espero eu mesmo aprender com essas três lições. Feliz Natal! Seja dezembro, abril, e em qualquer calendário.

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