quinta-feira, 9 de junho de 2016

DESONESTIDADE E AUTOENGANO - Ricardo Barbosa



Integridade, honestidade e transparência são virtudes que exigimos nos outros, mas nem sempre estamos dispostos a oferecê-las. Esperamos que os políticos, colegas de trabalho e cônjuges sejam íntegros, honestos e transparentes, mas nos recusamos a fazer o mesmo. Vivemos como um viciado que aprendeu a negar seu vicio; temos nos iludido por tanto tempo a nosso respeito que a desonestidade e o autoengano se tornaram uma forma necessária de sobrevivência.
Os riscos que se encontram por trás do desejo sincero de ser verdadeiro, transparente, íntegro e autêntico são inúmeros. Talvez o maior deles seja o medo terrível da desaprovação e da rejeição. Por isso, escondemos nossos sentimentos, mascaramos nossas emoções, negamos nossos desejos e optamos pela superficialidade. Como resultado deste longo processo em que aprendemos a representar os papéis adequados à aceitação dos outros, tornamo-nos aquilo que não somos.
Sustentar um falso ser não é tarefa fácil. O falso ser está sempre adorando e servindo  àquilo que alimenta seus desejos egoístas e autocentrados por meio da idolatria da possessão, posição e aceitação. Estes ídolos atuam como feitores e nós, mais cedo que imaginamos, tornamo-nos seus escravos. Somos emocionalmente dependentes, aprendemos desde cedo a usar os outros, incluindo Deus. Tornamo-nos manipuladores porque tudo precisa acontecer dentro dos termos que nossas carências determinam.
Jesus disse que “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Nossa cultura entende a liberdade em termos de “liberdade para” e não de “liberdade de”. Queremos ser livres para fazer o quer quisermos, ir aonde quisermos, como também falar o que bem quisermos. Por essa razão, é comum confundir honestidade e transparência com dizer o que se pensa e fazer o quer se tem vontade, porém não se trata disso. Há uma grande diferença entre ser “livre para” e ser “livre de”. A Verdade nos liberta de nós mesmos, de nossos medos e inseguranças, de nossas necessidades de impressionar e agradar. Ela nos liberta da desonestidade, do autoengano e da ilusão de ser o que não somos.
Jesus veio para nos salvar de nosso pecado. Ele é a Verdade que perdoa, reconcilia e re-cria. Descobrir nosso verdadeiro ser requer de nós, antes de tudo, a redescoberta da graça salvadora de Jesus. Por outro lado, requer também a humildade necessária para reconhecermos o engano do falso ser. O processo é lento e, muitas vezes, doloroso. Precisamos orar como Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”.
Enquanto o orgulho não der lugar à submissão sincera, permaneceremos cheios de nós, usando pessoas e Deus para obter vantagens e protegendo nosso falso ser daqueles que não dançam de acordo com nossa música. O resultado é um mundo cheio de seres falsos lutando para sobreviver sem a dependência radical de Deus.
Sabemos que isso não funciona. Só Deus conhece nosso coração. Só Ele pode sondar as profundezas de nossa alma. Só Ele nos ama com um amor fiel e eterno. Quando reconhecemos que somos amados por Ele, perdoados por sua graça, feitos novas criaturas e participantes de sua natureza divina, abrimo-nos para dar lugar ao verdadeiro ser, redimido e transformado em Cristo, não é fácil, mas é este o caminho. É possível ser honesto, íntegro e transparente, mas isso só em Cristo. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis  livres”.

terça-feira, 24 de maio de 2016

A Parábola da Figueira e a nossa crise atual - Maurício Jaccoud da Costa em Ultimato

Nestes dias de tanta turbulência política em nosso país, acredito que a parábola da figueira contada por Jesus (Lucas 13.1-9) pode nos ensinar uma preciosa lição.

Jesus conta que um homem tinha uma figueira, foi procurar fruto nela, não achou, e mandou cortá-la. O agricultor pediu um ano para cuidar dela e, se no futuro, a figueira continuasse sem fruto, então poderia cortar. Jesus conta esta parábola no momento em que disseram a ele que Pilatos assassinara alguns galileus, enquanto eles faziam os sacrifícios exigidos pela Lei no Templo do Senhor. Jesus responde a isso, afirmando que esses galileus não eram mais pecadores do que os outros por terem sofrido desta forma, tampouco os dezoito que morreram quando caíram sobre eles a Torre de Siloé eram mais pecadores do que os outros habitantes de Jerusalém. 

O que tem a ver o assassinato dos galileus, os dezoito que morreram na Torre de Siloé, o fato de serem mais pecadores ou não do que os outros que viveram e a parábola da figueira infrutífera? E o que isso tem a ver com o Brasil de hoje? 

Precisamos voltar um pouquinho no texto. No capítulo 12 de Lucas, Jesus traz uma série de advertências e motivações, tais como: cuidado com o fermento dos fariseus; não tenham medo dos que matam o corpo, tenham medo daquele que pode matar o corpo e depois lançar no inferno; esta noite pedirão sua alma; não se preocupem quanto ao que comer e vestir, busquem o Reino de Deus e todas essas coisas lhes serão acrescentadas; façam tesouros no céu; estejam preparados, porque o Filho do homem virá; hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu, como não interpretar o tempo presente? 

Neste contexto de olhar para eternidade, de pensar no juízo de Deus, de céu e inferno, de entender que esta vida é passageira e de que existe uma eternidade que pode ser vivida com ou longe de Deus, alguns chegam para Jesus e contam que Pilatos misturou o sangue de alguns galileus com os sacrifícios deles. Jesus parece que não dá a mínima para este acontecimento e diz que essas pessoas não eram as mais pecadoras por terem sofrido desta maneira, e o mais interessante, ele diz que se eles não se arrependerem, todos eles seriam destruídos!

Pilatos é uma autoridade romana, prefeito da Judeia, juiz que condena Jesus à morte, e que mata os galileus que estavam no templo oferecendo sacrifícios. Os dezoito que morreram ao cair a Torre de Siloé eram funcionários do governo romano que estavam construindo essa torre, possivelmente, com dinheiro desviado do templo. Josefo, o grande historiador judeu do primeiro século, relata que Pilatos teria se apropriado dos tesouros do templo para construir esta torre que servia para o abastecimento de água da cidade. Então são duas questões claramente políticas, mas Jesus, neste momento, não emite nenhuma palavra de condenação a Pilatos, ao governo romano, à corrupção. O que Jesus faz é chamar os próprios judeus ao arrependimento. Se não, todos perecereis! Essa resposta de Jesus é intrigante. Esperava-se que Jesus reagisse com uma denúncia violenta contra os dominadores romanos. Mas, o que Jesus faz é um apelo para que os judeus se arrependam!

Pensando neste texto, em referência ao que vivemos hoje no Brasil, neste difícil momento político que estamos vivendo, acredito que precisamos falar menos, acusar menos qualquer que seja o partido e falar mais contra o próprio povo de Deus (2 Co 7.14). Precisamos de profetas que tenham a coragem de quando chegarem pessoas falando mal, acusando o Brasil de estar assim por causa de A, B ou C, que tenham a coragem de confrontar o pecado dessas próprias pessoas e de conclamar para que elas próprias se arrependam. As pessoas chegam para Jesus e dizem que o problema está no governo, está em Pilatos, está com os romanos. Elas não ouvem todas as advertências e ensinamentos de Lucas 12. Tiram o foco de si mesmas e se justificam acusando Pilatos pelo grande mal que ele fez. Mas Jesus diz que elas precisam olhar para dentro de si e encontrar frutos nelas mesmos! 

A preciosa lição de Jesus para nós é que precisamos olhar para os nossos pecados ou para dentro de nós mesmos para ver em quê ou onde precisamos nos arrepender. O profeta em 2 Crônicas 7.14 diz: "se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra". A solução para nosso país acontecerá quando o povo de Deus se humilhar, orar, se arrepender! Precisamos ser honestos, pois sabemos que há muita corrupção em nossas denominações, igrejas e em nossa própria vida! Esse é o principal problema de nosso país! 

Jesus nos alerta para que antes que acusemos alguém ou coloquemos a responsabilidade pelo sofrimento em algum poder político, devemos nós mesmos nos arrepender! Se queremos ter um Brasil melhor, mais justo, mais santo, com menos desigualdade social, que comecemos por nós mesmos, por nossas igrejas e denominações! Nós somos a figueira e precisamos frutificar. Que Deus traga salvação a nós, nos limpando, alimentando nossa alma, e que em breve, Ele encontre muitos frutos em nós!

  Maurício Jaccoud da Costa é pastor e missionário da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo atuando na evangelização de universitários pelo Movimento Estudantil Alfa e Ômega. Doutorando em Teologia pela PUC-Rio.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Uma abordagem bíblica para revitalização de igreja

Os números são assustadores. Especialistas estimam que aproximadamente 1000 igrejas locais fechem suas portas todos os anos. O que é ainda mais devastador sobre essa estatística é que este número reflete somente as igrejas da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos – minha denominação. Imaginem como esse número cresce se somarmos o número de igrejas locais de outras denominações estabelecidas que também estão fechando, o que alguns estimam ser entre 3500 a 4000 igrejas por ano só nos Estados Unidos. Não é necessário dizer que temos uma epidemia em nossas mãos. Embora Deus continue, por um lado, edificando sua igreja através da plantação de igrejas, estas igrejas não têm sido plantadas e permanecido na mesma proporção daquelas que têm fechado suas portas permanentemente a cada ano.
É bom e correto se sentir sobrecarregado com o peso da realidade da extinção de igrejas locais que antes eram como faróis do evangelho em suas comunidades. Pastores estão desistindo. Prédios belos e históricos de igrejas estão sendo leiloados para quem pagar mais. Sem dúvida, o peso que muitos que amam a noiva de Cristo têm sentido é um peso que nós também precisamos sentir. O peso deste fardo tem resultado em um movimento sem precedentes para fazer algo a respeito dessas igrejas que estão morrendo. Surgindo em várias denominações, tal movimento tem sido rotulado de “Revitalização de igreja” e/ou “Replantação de igreja”.
Tendo, em meu próprio ministério pastoral, engajado-me no trabalho de revitalização antes do início desse movimento e tendo observado o movimento durante todo esse tempo, eu tenho percebido comummente duas abordagens que não ajudam muito sendo seguidas: o Pragmatismo e o Purismo.
O Pragmatismo
Os adeptos do pragmatismo buscam reviver e fazer crescer a igreja que está morrendo através de artifícios espertos e programas atraentes que funcionam para trazer resultados específicos desejados. Esses resultados normalmente estão baseados em números, dirigidos por fortes esforços evangelísticos que se apoiam grandemente nas habilidades e dons de homens. Apesar de reconhecimento verbal da Bíblia e do Espírito de Deus e destes terem espaço na mistura, o desejo por resultados visíveis e numéricos tomam primazia e a guia do trabalho, o poder de revitalização está em último caso na sabedoria de homens. Consequentemente, os resultados e a atratividade se tornam mais importante do que a fidelidade em um propósito específico que Deus possa ter para sua igreja que não produza os mesmos resultados numéricos.
Para os que seguem o pragmatismo, o resultado numérico desejado se torna o fim que justifica abraçar quaisquer meios necessários para atingi-lo.
O Purismo
O purista se aproxima da tarefa de revitalizar uma igreja estritamente aderindo a princípios bíblicos, baseados na centralidade da Palavra de Deus. Isso frequentemente se manifesta em um firme compromisso com formas bíblicas de culto. Enquanto esta abordagem tem muitos aspectos que lhe tornam recomendável, ao mesmo tempo há um perigo sutil escondido nesta abordagem que pode ser uma armadilha, e está nos motivos centrais do pastor que conduz a revitalização. Se não for cuidadoso, as convicções do pastor podem de forma quase imperceptível mudar de uma convicção sobre a centralidade da Palavra de Deus para uma convicção de não ser pragmático. Consequentemente, o purista celebra ser não-atrativo e anti-criativo, e orgulhosamente rejeita qualquer coisa que possa parecer ser entretenimento ou consumista e mundana. O purista se vê como estando firmemente apoiado nas promessas do poder da palavra de Deus para soprar fôlego revitalizador na congregação.
Mas na realidade, o purista está meramente apoiando-se em legalismo rígido, intencionalmente fazendo a igreja ser não atraente para discernir quem de fato está comprometido com Deus, sua Palavra, seu povo e sua igreja.
A abordagem bíblica
Existe uma abordagem equilibrada e bíblica para o trabalho de revitalização que é tanto mais eficiente quanto também mais fiel ao propósito de Deus para a igreja local. Esse método se baseia totalmente na verdade que o Espírito de Deus trabalhando através da sua Palavra é o único meio de trazer verdadeira vida espiritual para a igreja local. E, ao mesmo tempo, valoriza a verdade que é bom e certo que a noiva de Cristo pareça bonita e atraente para o povo de Deus e mesmo intrigante para aqueles que são hostis quanto a Cristo no mundo.
Esta abordagem engloba tanto a profunda convicção de que o poder de Deus por seu Espírito e sua Palavra é que realizam a obra, quanto o fato de que Deus usa criatividade, paixão, dons singulares e o zelo dos líderes e do povo para soprar vida e edificar sua igreja.
Esta abordagem bíblica defende que a igreja local deveria ser atraente, mas por razões bíblicas específicas: pregação bíblica apaixonada, comunhão amorosa e sacrificial, aplicação prática do evangelho, cuidado zeloso das almas, evangelismo intencional e autêntica semelhança com Cristo, para mencionar algumas. O objetivo desse método é ver nova vida e fôlego na igreja local, mas não à custa da busca fiel do propósito de Deus para a igreja local. A saúde da igreja, de acordo com os desígnios Deus na Bíblia, torna-se o alvo final, não os números. O poder de Deus é visto em como ele edifica sua igreja da forma que ele quer edificar sua igreja, ao invés de ser definido por algum padrão mundano de sucesso.
É esta abordagem mais bíblica que eu desejo defender. Isso define a visão de como treinamos homens  no Centro Mathena para Revitalização de Igreja, assim como em nossa própria igreja local. Aqueles que são chamados para essa tarefa iniciam uma obra nobre que glorifica a Deus. Existe um poder singular e especial, um testemunho em não ser só uma igreja local cheia de vida, mas uma antiga igreja histórica que estava perdida, respirando por aparelhos, e que aprouve a Deus soprar vida nela novamente. Que melhor testemunho há de que Deus é Deus que ressuscita os mortos do que ver isso acontecendo com igrejas mortas por todo o mundo? Mas não se engane. Deus é quem deve realizar isso. Somente o poder de Deus é suficiente para realizar isso. Logo, é necessário que seja feito da maneira como Deus planejou que sua igreja fosse edificada, com vida espiritual verdadeira e duradoura trazida de volta a estas igrejas em dificuldades.





Como um homem não perde sua alma no trabalho do ministério pastoral? - Brian Croft



Eu gostaria de poder dizer que a maior parte do meu tempo cuidando de pastores é gasto ensinando-os o que fazer e para onde levar a igreja, mas não é. É triste, mas a maioria do meu tempo é gasto tentando manter os pastores em suas igrejas por mais de dois anos, tentando ajudar pastores a lidar com pessoas difíceis, com críticas e com expectativas irreais que levam ao desapontamento, até ao desespero. A maior parte do meu esforço é para tentar impedir que as famílias dos pastores sejam abaladas pelo caos da vida da igreja. Existe uma dura realidade neste mundo caído que faz com que muitas tarefas pastorais sejam incrivelmente difíceis, dolorosas e desesperadoras. Esta é uma razão pela qual Charles Spurgeon instruía seus alunos que se preparavam para o ministério a fazerem outra coisa se pudessem ser felizes fazendo-as. Pastores precisam saber como sobreviver, mas antes de eu explicar como pastores se preparam para sobreviver no trabalho ministerial, permita-me mostrar uma abordagem não útil e não bíblica para sobreviver no ministério pastoral.
Alguns buscam sobreviver tentando encontrar a igreja que parece ser a mais fácil e mais saudável para pastorear. Alguns até usam este “caminho mais fácil” como razão para plantar uma igreja, pensando: “se eu conseguir organizar a igreja da maneira como eu gosto desde o começo, eu não vou enfrentar as lutas do pastorado normal”. Esse não é um entendimento realista do ministério pastoral por vários motivos. Primeiro, é muito improvável que um jovem recém-saído do seminário conseguirá esta igreja saudável, mesmo que ela esteja disponível. Segundo, a maioria dos pastores descobre que aquela “igreja mais fácil” ainda está cheia de pecadores quebrados e nenhum cargo no ministério pastoral é fácil. Um pastorado em uma igreja mais fácil não é uma estratégia boa, nem bíblica para sobreviver no ministério pastoral. A chave para sobreviver no ministério pastoral é o cuidado diligente que o pastor deve ter por sua própria alma.
Muito dos desencorajamentos que são enfrentados no ministério de um pastor estão relacionados a ele, não a sua igreja.
Deus chama pastores não para serem super-homens, mas para serem fiéis. À medida que pastores buscam serem fiéis todos os dias em seus ministérios, a vontade soberana de Deus está sendo cumprida. Por que isso não é o suficiente? Porque um pastor traz com ele e para sua igreja seus próprios desajustes, suas lutas pessoais e feridas abertas em sua alma onde a graça de Deus ainda não operou. Pastores lutam para encontrar sua verdadeira e completa identidade em Cristo, e quando pastores falham em encontrar segurança em Cristo, eles tentam demonstrar segurança de maneiras falsas, sendo:
  • Inseguro
  • Defensivo
  • Controlador
  • Performático
  • Legalista
  • Temeroso de homens
  • Manipulador
  • Passivo
  • Estoico
  • Não-gracioso

Estas maneiras falsas de viver expõem o fato de que o pastor está buscando preenchimento que somente Cristo pode dar, mas buscando-o no reconhecimento de outros, no sucesso de seu ministério ou expectativas auto-impostas. Uma poderosa e libertadora verdade do evangelho para pastores que servem em igrejas difíceis é que muito do desencorajamento não vem da situação de nossa igreja, mas de expectativas esmagadoras que colocamos sobre nós, de pessoas que tememos e pensamos que somos responsáveis por mudar, e de ansiedade sobre como outros “pastores mais bem-sucedidos” podem avaliar nossos ministérios. Tudo isso tem a ver com o pastor e sua própria alma — não com a igreja. Este turbilhão que existe em certo grau na alma de todo pastor é ativado quando as lutas no ministério começam. Estar ciente da necessidade deste trabalho na alma de todo pastor é a solução para a sobrevivência no cenário de uma igreja mais difícil.
O evangelho nos diz que nossa identidade está em Cristo. O Supremo Pastor nos lembra que nossa tarefa é pastorear seu povo até que ele volte para nos buscar (1 Pedro 5:4). Quando nós, pastores, percebemos que nosso valor e nossa identidade se encontram em Jesus, somos libertos e estamos seguros para ser quem somos, para viver de forma autêntica, para aceitar nossas fraquezas, para nos conectar emocionalmente, para ser graciosos, para amar aqueles que nos rejeitam, para pregar àqueles que odeiam nossa pregação e para liderar com força piedosa aqueles que têm dificuldade de ser liderados, sabendo que o Supremo Pastor está conosco. Pastores têm a aprovação, o favor e a presença de Jesus. O que mais precisamos para sobreviver? Esta é a chave para sobreviver em qualquer igreja, mas especialmente em uma difícil. O cuidado diligente de um pastor com sua própria alma e a consciência da necessidade deste trabalho interno será a chave não somente para sobreviver, mas para crescer sob a mão soberana do Supremo Pastor, independente da igreja onde ele serve.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Quem dera se eu fosse rico - Tim Challies








Com certeza você já teve o devaneio de ser podre de rico antes, certo? Talvez já ouviu falar sobre a mais recente tecnologia bilionária que transformou um app em ouro ao vendê-lo para o Facebook ou para o Google. Ou talvez de loterias com seus prêmios acumulados em centenas de milhões ou o cara que fez um pequeno investimento na companhia certa na hora certa. Você ouviu falar sobre quem-dera-se-eu-fosse-rico
isso e pensou: “Quem dera se eu fosse rico. Eu sei o que faria com esse dinheiro”.
Se você teve esse devaneio, sem dúvidas você ponderou o que um cristão generoso poderia fazer com centenas de milhões de dólares. Pense nos empreendimentos que ele poderia apoiar, nas igrejas que poderia construir, nos missionários que poderia sustentar. Dê asas à sua imaginação por alguns minutos e você poderia elaborar um plano para gastar cada dólar e cada centavo para o bem do Reino. E você o faria, certo?
Com toda probabilidade, você nunca será rico. Nunca terá centenas de milhões de dólares para alocar em um ministério ou outro. Nunca será alguém dividindo os seus bilhões antes de morrer. Mas você não precisa de um milhão ou um bilhão para saber o que faria com tanto dinheiro. Você pode simplesmente olhar para os seus atuais padrões e projetos daqui. Se você não está sendo dispendiosamente generoso com o pouco que tem agora, o que faz você pensar que ter mais faria toda a diferença assim, de uma hora para outra? Generosidade não diz respeito a quanto você tem, mas o que você faz com o pouco que tem. Não ao que você faria com mais, mas o que você realmente faz com o que possui.
Como você está usando a riqueza que Deus já lhe deu? Você é cuidadoso? Criativo? Generoso? Dá o suficiente para que faça a diferença para você e sua família (a tal ponto que você tenha menos do que teria de outra forma) e para as vidas ou ministérios de outros (a tal ponto que tenham mais do que teriam de outra forma)? Se você não está sendo generoso hoje com uma riqueza modesta, não há razão para pensar que seria generoso amanhã com uma riqueza abundante.
Impressiona-me que na parábola de Jesus dos talentos (Mateus 25) as questões e expectativas sejam as mesmas para todos os três servos, quer lhes tenha sido dado cinco talentos ou um. A característica da mordomia fiel era proporcional ao que lhes havia sido confiado por seu senhor. O que havia recebido cinco devolveu dez, o que dois, quatro; não havia nenhuma comparação ou competição entre eles, pois cada um havia sido igualmente fiel com os seus diferentes dotes. É bem provável que Deus nunca chame você para ser aquele servo dos cinco talentos, a quem havia sido dada riqueza exorbitante. Mas se ele vos dá um ou dois, a expectativa é a mesma – que você o administrará com alegria e generosidade para executar a obra de Deus na terra.
Você já tem dinheiro suficiente – o bastante para fazer o que Deus quer que você faça, o bastante para provar a sua lealdade a ele e sua deslealdade ao dinheiro. Você já tem o suficiente para fazer a diferença em vidas e ministérios; para ser como o generoso ou como o mesquinho que você seria com bilhões. Em vez de gastar seus dias sonhando com o que seria se tivesse mais, gaste-os trabalhando duro para ganhar a vida e dar com alegre generosidade (ver Ef 4.28; 1Ts 4.11). Quando chegar o dia em que Deus pedir uma prestação de contas por tudo o que ele lhe confiou, suspeito que você ficará contente por ele não ter lhe confiado ainda mais. Suspeito que concordará com sua sabedoria em lhe dar apenas dois talentos ou um.



terça-feira, 22 de março de 2016

Cartas de um Deus que te ama - Larry Crabb



Deus diz: A mudança que eu introduzo vem lentamente. 
Quanto mais você tenta manter a confiança na bondade da história que eu estou contando, enquanto ao mesmo tempo reconhece tudo que é decepcionante nesta vida, mais irá se confrontar com o momento da decisão: confiar ou não confiar.
Apenas em noites escuras a esperança estará presente para sustentar sua fé e liberar seu amor.
Deixe o que você vê leva-lo ao precipício da descrença. Deixe o que sente  trazê-lo à beira do desespero.
Se eu existo, se eu sou bom, se minha história é afetuosa e meu plano está em curso, meu Espírito falará no fundo do seu coração, lugar que se torna acessível apenas por meio de dúvidas terríveis.

E nesse lugar, firmarei você em esperança.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Quem veio matar, roubar e destruir? Paulo Cilas - Reedição

Claro que se eu fizer essa pergunta, na maioria dos lugares a resposta imediata é: O diabo. Alguns "juram de pé junto" que está escrito na Bíblia "o diabo veio para matar, roubar e destruir" no texto de João 10.10. Mas fato é que no verso não está escrito "o diabo", mas sim "o ladrão". E ainda que a pecha de ladrão, de assassino e de destruidor caiba bem no diabo vejo nesse verso, dentro do contexto geral do capítulo 10, que não é bem dele que Jesus está falando.

Lendo a ilustração no início de João 10 vemos no discurso de Jesus sobre o Bom Pastor, que é Ele mesmo, uma menção aos mercenários. No verso 8 Jesus descreve os que vieram antes dele como ladrões e salteadores. No 12 ele diz que o mercenário vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge. No 13 foge porque ele não é o pastor, porque ele não tem cuidado das ovelhas, porque ele só tem compromisso com seus próprios ganhos.

Sendo assim tal declaração de Jesus talvez nunca teve cumprimento tão definitivo quanto nos dias de hoje em que muitos não tendo compromisso nenhum com as ovelhas, cuidado nenhum com elas verdadeiramente estão matando a fé e a identidade individual - porque muitos estão se tornando massa manobrada em nome de uma fé cega de chavões e crendices. Muitos estão roubando tempo de vida, dias de trabalho. "Ovelhas" pensam trabalhar para o reino de Deus, mas na verdade estão gastando seu trabalho e esforço para edificação de reino de homens.
Ah! Mas roubam dinheiro também, e como!
Estão destruindo a convivência, a harmonia, a unidade, a humildade. Muitos estão levantando as bandeiras de seus líderes, de suas denominações deixando de viver a fraternidade, a comunhão e o amor ao próximo. Outras destruições seguem a essas: destruição da esperança, da fé, do bom testemunho. Pessoas acabam decepcionadas com a carreira cristã. Outras, alienadas, só conseguem andar conduzidas por amuletos e muletas e não conseguem uma vida pessoal diante de Deus.

Claro que não é tão simples escrever ou ainda aceitar o que estou escrevendo. Ouvi de um aluno há muito que com essa afirmação eu estava jogando fora anos do conhecimento bíblico dele. Ouvi de outro enquanto líamos o texto juntos que compreendia o que eu explicitava, no entanto que era difícil abrir mão da ideia de que era o diabo que veio matar, roubar e destruir. E o mais curioso é que muitos que matam, roubam e destroem mencionam sempre o nome do diabo.

Sei que pregadores, muitos dos quais eu admiro, pregam que o diabo é a personagem da matança, os ouço até no púlpito da igreja onde estou, mas mesmo assim insisto: Lendo Jesus falar sobre os enganadores em diversas ocasiões, o mesmo acontecendo com Paulo, Pedro e João que também fazem menção de oportunistas que têm como "deus" seu próprio ventre e que buscam sua própria glória e não a de Deus, não vejo outra interpretação senão a que está bem claro no texto. E, se no capítulo 10 de João há um papel para o diabo, é a figura do lobo.

Então bendito é o que ouve a palavra do Bom Pastor e que reconhece a sua voz. Esse é guardado dos ataques. Mas o que dizer dos que tem ouvido a voz dos mercenários? Ficarão à mercê do lobo.

Assim penso e assim estou seguro: Ainda, repito, que pela sua fama é fácil chamar o diabo de matador, roubador e destruidor, escrevo com convicção que Jesus está falando de homens maus que dizem querer cuidar de ovelhas. Que a inspiração desses é o maligno não tenho dúvida pois normalmente os tais são soberbos,ainda que muitas vezes em capa de humildade, gananciosos, mas se dizendo visionários, e sem freio entretanto, se dizendo conquistadores. Penso que é desses que Jesus está falando.

Ps. O bom livro "Esgotamento Espiritual" de Malcom Smith que li há  mais de quinze anos, traz algo sobre o assunto.

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...