segunda-feira, 17 de agosto de 2015

OS ELEITOS - Luiz Felipe Pondé






Os eleitos são esses infelizes abençoados com o tormento de ter a mão de Deus sempre suspensa sobre suas cabeças.

Diz o filósofo judeu Abraham Joshua Heschel que mesmo os profetas temiam a intimidade com Deus. Jeremias lamentava que Ele não o tivesse matado no útero de sua mãe. Jonas fugiu como pôde do olhar divino, escondendo-se na barriga de uma baleia. Jesus tentou fugir. Jó, o servo sofredor, é um grande exemplo da agonia que é ter sido eleito por Ele. Todos os heróis bíblicos – eleitos dentro do povo eleito, na maioria das vezes – sabiam do peso causado por essa proximidade com Deus. 

Quem é o eleito, para a sabedoria hebraica? É aquela ou aquele escolhido para mostrar ao mundo o que pode Deus e o que Ele quer da Sua criação (…) Um homem é eleito para sofrer, e ele tem menos livre arbítrio do que os indivíduos comuns. O povo eleito é um povo de sacerdotes que carrega o sagrado em si – um encargo pesado, muito mais do que pode aguentar grande parte das pessoas. A ideia vulgar de que o eleito é aquele que Deus escolheu para “ser mais amado por Ele” pode levar a um equívoco crasso: achar que, por isso, o escolhido está acima dos padecimentos da vida. O eleito talvez seja mais amado porque, ao elegê-lo, Deus fez dele um condenado.









atos proféticos


https://www.youtube.com/watch?t=130&v=8flqoMRQvmg

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

CANIBALISMO ECLESIÁSTICO - Luiz Fernando R. de Souza





A busca alucinante por crescimento a qualquer custo tem levado igrejas e pastores a ultrapassarem limites sadios de convivência. Se observarmos o meio neopentecostal isso é vivido escandalosamente. Abrem igrejas divididas por paredes sem o menor constrangimento, buscando somente, creio eu, aumento de receita e nada mais. Ainda por cima abusam de faixas, som alto, panfletagem etc. como meios de divulgação poluindo o ambiente de todas as formas.
Parece-me que as grandes igrejas adotaram o mesmo comportamento e falo de igrejas que sustentam placas de igrejas históricas, o que na verdade já deixaram de ser a muito tempo. Entendem que podem e devem invadir espaços ocupados por igrejas coirmãs, sem o menor constrangimento levando assim a uma divisão do “Reino de Deus”. Chegam com todo aparato possível, estruturas diversas e impõem sua marca como detentora do mercado. Como corolário esvaziam igrejas menores que veem lutando há anos para levar o evangelho onde estão plantadas, piorando a vida dos colegas pastores e suas famílias. Na verdade não se preocupam com “Reino de Deus”, mas com os seus deuses que são seus próprios ventres.
Lembro-me de ter participado de uma palestra no final do curso de Pós Graduação em Administração Financeira em uma Instituição liga à PUCMINAS, onde o palestrante dono de uma gigantesca locadora de veículos disse: “No ano tal tínhamos X concorrentes menores, como queríamos dominar o mercado mandei quebrar 50% delas. Alguém perguntou como vocês fizeram isso? Ele simplesmente respondeu: Segurei os meus preços por seis meses. Como a inflação estava altíssima os concorrentes não aguentaram e quebraram”. Isso é concorrência predatória no mercado capitalista que vemos em todo momento acontecer. Esse mesmo canibalismo capitalista entrou no meio eclesiástico. Sem o menor pudor e ética, pastores das grandes igrejas praticam tal canibalismo simplesmente quebrando as igrejas menores em nome de Deus. Abrem filiais das igrejas mães em frente de igrejas coirmãs e assim roubam membros de outras igrejas, literalmente quebrando essas menores. Essa megalomania se apresenta como distúrbio emocional e espiritual. Vale lembrar que a soberba precede a queda. Muitos pastores abdicaram de seus ministérios para se juntar a essas estruturas desumanizantes e se perderam no meio de milhares de membros em troca de uma pseudo-estabilidade.  Para mim tais pastores nunca foram pastores, mas fracassados que abdicaram da vida pelo vil metal. Procuram um evangelho sem dor, ideal e sofrimento para viverem uma espiritualidade infantil e doentia que não exige nada e ainda por cima dizem que são pastores de tal e tal igreja, Comem sardinha e arrotam camarão. São pastores de ninguém e de nada.                                           
O que chama atenção é que quando questionados porque abriram igrejas em frente ou perto de igrejas coirmãs tais líderes enfatuados de suas arrogâncias dizem de boca cheia: “É uma visão que Deus no deu e estamos seguindo esta visão, nada pode ser feito”. Gostaria de perguntar se tais líderes vivessem o lado oposto da moeda como reagiriam? Diriam amém para tal atrocidade ou sentiriam na pele o desgaste? Olhariam para suas famílias com alegria e diriam: veja como o “Reino de Deus” caminha em harmonia, tudo está bem. Creio que chorariam amargamente vislumbrando a possiblidade de anos de trabalho serem anulados e a tragédia batendo à suas portas. Tais líderes megalomaníacos olham de cima para baixo e não conseguem enxergar nada e nem ninguém, a não ser eles mesmos. Mas que visão é essa que Deus deu que fere frontalmente a Sua Palavra? Que procedimento é esse que despreza a nossa regra de fé e prática? Lembro-me do apóstolo Paulo ao dizer em II Cor. 8:1-6 do exemplo das igrejas de Macedônia que se alinharam com as necessidades do crentes pobres da Judéia. Além de dinheiro doaram a si mesmos com amor. Aqui prevaleceu o princípio da ajuda mutua e da colaboração. Esse é o padrão bíblico e o mais saudável e nunca o canibalismo eclesiástico. Por outro lado vale questionar se essa visão de crescimento a qualquer custo vem de Deus mesmo ou de outro deus qualquer? Tais líderes, por viverem uma espiritualidade doentia e distorcida, esquecem-se que essa pseudo-visão é antiética e que o Deus da Bíblia é extremante ético. Esquecem-se que uma casa dividida não subsiste. Esquecem-se que melhor é servir do que possuir. Esquecem-se que a derrocada do pequeno não engradece o grande. Tais líderes me fazem lembrar David quando quis possuirBate-Seba. Precisou destruir uma família para tentar construir a sua. Nenhuma estrutura construída em cima e à custa das cinzas de outra tem valor ou deixa um legado que será lembrado com alegria. Tais líderes ainda encontrarão seus Natãs que lhe dirão: “Esse homem és tu”. 
Somente tenho que lamentar tais posturas canibalísticas que copiam desavergonhadamente o padrão do mundo invadam a igreja do Senhor. Lamento que quem pratica esse canibalismo atribua essa visão a Deus. Lamento pelos colegas que passam por tais desgastes não terem a quem recorrer dentro das estruturas que servem, pois tais estruturas são geridas por homens que borram as botas diante dos grandes.                           
I Pe. 4:17 “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus...

A ESPERANÇA ESTÁ EM DEUS.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

POBRES PELO ESPÍRITO - Julio Zamparetti Fernandes





(Leitura não recomendável a pobres de mente, correm o risco de não entender, risos)




“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:3

A melhor versão que encontrei para este versículo, dentre as Bíblias mais usadas nos dias de hoje, é a versão Ave Maria, que assim diz: “Bem-aventurados os que tem coração de pobre”. Assim, essa versão se aproxima mais do texto da vulgata latina e do texto grego do primeiro século que trazem a expressão “pobres pelo espírito”. No grego, a expressão tô pneumati é dativa, não genitiva. Configura um adjetivo, não substantivo. O mesmo ocorre ao latin spiritu. Portanto, não se trata de uma espiritualidade pobre, mas de uma pobreza segundo o espírito.

A expressão “pobres de espírito” caracteriza uma adulteração das escrituras ocorrida nas traduções que se deram ao longo do tempo. A mesma gera uma contradição, já que o próprio Espírito das Escrituras nos conduz a um enriquecimento, e não empobrecimento, espiritual.

Quanto mais se cresce espiritualmente, mais o coração se desapega das coisas materiais. Doutra forma, é exatamente a pobreza espiritual que leva o homem a tentar preencher seu vazio existencial na ilusão do materialismo. A despeito de toda riqueza que possa ter, aquele que cresce no espírito, também pelo espírito obtém um coração humilde, capaz de refugar sua riqueza e identificar-se com os mais miseráveis, tal qual Cristo, mesmo sendo Deus, identificara-se com os pecadores ao ponto de morrer por eles.

Veja o que disse São Paulo, a esse respeito: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Filipenses 3:8,9).

Considerar todas as coisas como refugo denota um coração de pobre, desapegado, empobrecido pelo espírito. Não implica, necessariamente, que o cristão tenha que perder todas as coisas, mas sim que todas as coisas percam o domínio sobre o cristão. Quando isso acontece, todas as coisas se tornam secundárias e o reino de Deus toma o primeiro lugar na vida do homem. “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

Em casos extremos, é necessário o rompimento radical com os bens materiais. O empobrecimento literal, a fim de que, pelo espírito, haja o desapego material. Foi num desses casos em que Cristo disse a um jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me” (Mateus 10:21).

A mesma necessidade de erradicação ocorre em relação ao status social. Ou seja, o neo-converso, em certos casos, necessitará exilar-se de todo envolvimento com o mundo até que esteja devidamente fortalecido para voltar a integrar-se ao mundo com novo viver.

Ser pobre pelo espírito, ou ter um coração de pobre significa encontrar a felicidade independentemente dos bens materiais ou status sociais.

O rico não é pobre pelo espírito quando seu coração é apegado ao que tem.

Até mesmo o pobre não é pobre pelo espírito quando seu coração é apegado ao que não tem.

Quem não é pobre pelo espírito não conhece a Cristo, nem pode ter seu reino. São Paulo teve que considerar tudo perda e refugo para poder conhecer e ganhar a Cristo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8).

Quem não é pobre pelo espírito não pode servir a Deus. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6:24).

O mais impressionante nisso tudo é ver tantos crentes servindo-se de Deus para servir às riquezas! Esses são ricos pelo espírito (de Mamom).

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O para-choque como testemunha - Paulo Cilas


A imagem da câmera de segurança era clara. E eu assistia incrédulo o desenrolar da cena que culminaria com o meu carro avariado. Mas vou contar a história do início.
Sou chamado pela portaria que avisa que alguém bateu no meu carro. Desço incrivelmente tranquilo para alguém que já foi muito pavio curto e intempestivo - hoje... continuo o mesmo, mas sob controle, pelo menos na maior parte do tempo - e encontro na narrativa do porteiro um enredo   bem intrincado para o ocorrido que pouco a pouco deu para perceber que era fruto de sua simplicidade aliada a um instinto de defesa para não ser cobrado por não ter tomado nenhuma atitude como anotar a placa, por exemplo.
 Enfim, alguém conseguiu acessar a gravação e o que se viu foi uma tremenda barbeiragem. E não um, mas mais de um culpado. Explico: O barbeiro vem pela rua. O meu carro está estacionado no lado correto da rua. Entretanto, há carros estacionados no outro lado da rua, o que é proibido. A rua estreitada faz com que ele, o barbeiro, se depare com outro carro em direção contrária. Ele dá uma ré - muito mal dada- e nisso  se enrosca no para-choque do meu carro. Ao invés de descer para ver o problema e a possível solução ele insiste na ré e arrebenta tudo. Outros três carros passam, mas o problema não é deles. Vão embora. O barbeiro também se manda me deixando todo o prejuízo. Talvez ele seja um crítico dos políticos e empresários corruptos.
 A nossa inclinação é sempre defender nosso lado em detrimento do que é certo. É proteger nossas fraquezas ao invés  de confessá-las ou assumí-las.Ou ainda egoístas: O problema não é meu!
Pode ser que o barbeiro estivesse com documentos vencidos, sem dinheiro nenhum, tenha perdido o emprego por causa da crise, o carro era emprestado, sei lá! Entretanto, ele sequer quis saber de mim e do meu dano.
E se eu fosse reclamar com os vizinhos estacionados do lado errado que contribuíram definitivamente com o evento? E se pedisse ressarcimento? Hum! Faria inimizades e seria contumazmente "elogiado"pelos séculos dos séculos.
Pois é! Nós, humanos, somos "desesperadamente inclinados, de uma forma ou de outra, para o mau. Meu para para-choque é testemunha.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O CRISTIANISMO NÃO É MORAL, MAS ONTOLÓGICO! - Fabio Campos



Texto base: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. – João 3.3 ARA


Alguém já disse que “a diferença entre Deus e o homem não é moral, mas ontológica, pois pecado não é o que faço, mas o que eu sou”. Quando estudamos a história da igreja percebemos o quanto, aos poucos, a eclésia foi dando mais ênfase na “tradição elaborada por homens”, através de um rigor ascético, do que propriamente no ensino dos Profetas e Apóstolo, os quais trataram a conversão com base no “novo nascimento” e do “novo coração”.

Impor compulsoriamente as regras morais foi um artifício muito usado no decorrer dos séculos. Longas listas do que “pode” ou “não pode”; purificação através de ritos; purgação de pecados através da negação dos prazeres legítimos; tudo era utilizado para avaliar quem de fato era salvo ou não. A teologia cristã foi rarefeita por diversas vezes por conta disso. Alguns ensinos tinham por objetivo coagir as pessoas a não pecarem. Esta era a forma utilizada pela liderança eclesiástica para refrear os impulsos pecaminosos. Com isso muitos foram se distanciando do ensino escriturístico do “novo nascimento”, enveredando-se para os “preceitos e doutrinas de homens”. Como bem disse o Apóstolo: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor nenhum contra a sensualidade” (Cl 2.23 ARA). Infelizmente muitas denominações têm afastado as pessoas por conta dos “usos e costumes” a qual erradamente se referem por “doutrina”.

Quando analisamos o Ensino bíblico [a verdadeira e única Doutrina] a respeito do pecado e da salvação pela graça em Jesus Cristo, não é difícil de entender que Deus se compraz “em um coração contrito e quebrantando” ao invés de “sacrifícios feitos pelas mãos dos homens” (Sl 51.16-17). Muito mais importante do que sacrificar é obedecer, pois não é o exterior quem contamina o homem. É do coração que procede todo tipo de pecado. Somente um novo coração pode obedecer, pois a carne não está sujeita a lei de Deus, nem mesmo pode estar (Rm 8.7). O cristianismo não se trata de um sistema moral, mas de um novo nascimento. Não é aquilo que é ou deixa de ser lícito; mas do que convém. Não é algo tangível a ensinar: “não toque nisso”; “não proves aquilo”; “não toques aquiloutro”. Transcende isto tudo! O Reino é Paz e Alegria no Espírito Santo.

Mesmo correndo grandes riscos prefiro não usar da persuasão humana na pregação para coagir pessoas no que devem ou não fazer. Apenas exponho a Palavra e deixo a tarefa de convencer para o Espírito Santo. A pregação não é a exposição moral do que pode ou não pode. A pregação é luz nas trevas, simples e exclusivamente para conduzir o homem a examinar-se a si mesmo, e descobrir pelo crivo da Verdade, as intenções reais do seu coração enganoso e perverso. Não vai adiantar abrigar “vinho novo” em “odres velhos”. Ambos se perderão. O vinho novo precisa ser posto em odres novos. O Cristianismo é a mudança daquilo em que você se alegra. Posso me alegrar no meu moralismo e estar na condição de hipócrita - horando a Deus apenas com os lábios - mas com um coração longe dEle.

Nossa ministração será mais eficaz no dia que ousarmos abrir mão de ensinos morais tentando guiar as pessoas através de cabrestos. A verdadeira conversão passa pelo teste da liberdade. Tenho a oportunidade de fazer algo, mas conheci algo muito melhor e que traz mais satisfação ao meu coração: a saber, “a comunhão com Deus”. A confissão de todo Cristão genuíno: “Para onde iremos nós se só Tu tens palavras de vida eterna”. O contrário também é verdade com o sujeito que ainda não nasceu de novo. Ele se reprime e não peca a princípio por temor aos homens e para cumprir o check-list de “santarrão”. Certamente, hora menos horas, a carne vai ceder!, e a demanda reprimida de pecados que havia naquele coração tornará seu estado muito pior do que o primeiro.

Ser bom moralmente para o cristão não é algo que exige esforço. É como os ramos de uma árvore; produz os frutos sem perceber. Todavia, é a raiz que sustenta os ramos. A figueira não pode produzir azeitonas e a videira produzir figos. Um “cristão” mau-caráter não é um cristão. Somos salvos pela graça, mediante a fé. A fé se evidencia pelas obras. Logo pelos frutos seremos conhecidos.

Não escaparemos do que disse Jesus: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”. Os “usos e costumes” e a santidade que teve o crivo elaborado pela tradição humana é válida para o julgamento dos homens, mas diante de Deus, é “trapo de imundícia”. Pois o Senhor não vê como o homem vê. O homem analisa o exterior; o Senhor prova o coração. O reino de Deus não abriga gente de boa conduta, mas apenas aqueles que nasceram da água e do Espírito através de Jesus Cristo. Como bem disse John Wesley:

“Uma pessoa pode ir à igreja duas vezes por dia, participar da ceia do Senhor, orar em particular o máximo que puder, assistir a todos os cultos e ouvir muitos sermões, ler todos os livros que existem sobre Cristo. Mas ainda assim tem que nascer de novo”.



terça-feira, 21 de julho de 2015

O Vergonhoso Evangelho Social - T. A. McMahon



Por várias razões, cristãos de diferentes tendências têm feito modificações no “Evangelho de Cristo”, como se este precisasse de ajustes. A maioria deles vai dizer que não se trata de alterações significativas, mas apenas de ínfimas pinceladas aqui e ali. Essas mudanças normalmente começam com alguém declarando que não existe modificação alguma envolvida e que está ocorrendo simplesmente um ajuste na ênfase. Contudo, não importa qual seja a argumentação, o que acontece realmente é que eles “se envergonham do Evangelho de Cristo”.
Envergonhar-se do Evangelho expressa-se por meio de uma série de atitudes diferentes, desde ficar embaraçado com ele até supor que alguém possa melhorá-lo um pouco para torná-lo mais aceitável. Um exemplo desse embaraço foi a recente declaração de um autor ligado à Igreja Emergente, que afirmou: o ensino de que Cristo pagou a pena total pelos pecados da humanidade através de Sua morte na cruz do Calvário em nosso lugar é irrelevante e “uma forma cósmica de abuso infantil”.
Exemplos mais sutis incluem tentativas de fazer o Evangelho parecer menos exclusivista, “abrandando” as conseqüências do pecado, como a ira de Deus e o lago de fogo, das quais o Evangelho de Jesus nos livra.
Prevalece entre muitos líderes religiosos, que professam ser cristãos evangélicos (ou seja, cristãos crentes na Bíblia), a promoção de um evangelho mais aceitável, que possa até mesmo ser admirado pelas pessoas do mundo inteiro. Hoje em dia, a forma mais popular desse tipo de evangelho é conhecida como “evangelho social”.
Embora esse evangelho social seja comum entre os muitos novos movimentos evangélicos, ele não é novidade para a cristandade. Seu princípio moderno deu-se nos idos de 1800, quando pretendeu-se tratar das várias condições da sociedade que seriam causadoras do sofrimento da população. A crença era de que o Cristianismo atrairia seguidores quando demonstrasse o seu amor pela humanidade. Isso poderia ser mais bem realizado aliviando os sofrimentos causados pela pobreza, pelas enfermidades, pelas condições opressoras de trabalho, pelas injustiças sociais, pelos abusos dos direitos civis, etc.
George W. Bush instituiu um departamento do governo que destina fundos às igrejas, sinagogas, mesquitas e outros ministérios religiosos que estiverem oferecendo serviços sociais junto às suas comunidades.
Os que apoiavam esse movimento também acreditavam que o alívio das condições miseráveis em que as pessoas viviam poderia melhorar a natureza moral dos que sofriam essas carências.
Outra força motivadora por trás doevangelho social foi a visão sobre os tempos finais (Escatologia) dos envolvidos nessa corrente de pensamento. Quase todos eles eram amilenistas e pós-milenistas. Os primeiros acreditavam estar vivendo em um Milênio simbólico, período em que Cristo estaria governando a partir do céu, Satanás estaria preso e eles seriam os obreiros escolhidos por Deus para estabelecer o reino milenar na terra. Os pós-milenistas também acreditavam já estar no Milênio, e seu objetivo era restaurar a Terra a um estado semelhante ao Éden, para que Cristo pudesse voltar do céu a fim de implantar aqui o Seu reino terreno.
evangelho social, em todas as suas variadas aplicações, ajudou a produzir algumas realizações (leis contra o trabalho infantil e a favor do sufrágio feminino), que contribuíram para o bem-estar social. Ele tornou-se a mensagem central dos teólogos católicos adeptos da Teologia da Libertação e das principais denominações protestantes durante o século 20. Embora sua popularidade tenha crescido e diminuído alternadamente, muitas vezes foi energizada pela combinação entre religião e políticas libertárias, por exemplo, de Martin Luther King Jr. e do movimento dos direitos civis. A médio prazo, através do século passado, o evangelho social influenciou movimentos como a Teologia da Libertação católica e o socialismo da ala esquerdista dos cristãos evangélicos. Contudo, foi no século atual que o evangelho social conseguiu sua promoção mais acentuada. Dois homens, ambos professando ser evangélicos, têm liderado esse caminho.
George W. Bush começou sua presidência instituindo o White House Office of Faith-Based & Company Initiatives (departamento da Casa Branca encarregado de lidar com iniciativas sociais religiosas e empresariais). Seu objetivo foi prover fundos governamentais às igrejas, sinagogas, mesquitas e outros ministérios religiosos que estivessem oferecendo serviços sociais junto às suas comunidades. Bush acreditava que os programas desenvolvidos pelo “povo de fé” poderiam ser pelo menos tão efetivos no auxílio aos necessitados como os das organizações seculares, e talvez até mais do que elas, por seu compromisso moral de “amar e ajudar o próximo”. Quando se preparava para deixar o cargo, ele declarou que considera o seu programa “Faith-Based” como uma das mais relevantes realizações do seu tempo como presidente. Barack Obama, o novo presidente eleito, declarou que pretende dar prosseguimento ao programa “Faith-Based” com suas iniciativas comunitárias.
Rick Warren, autor dos livros recordistas em vendas “Uma Igreja Com Propósito” e “Uma Vida Com Propósito” alçou o evangelho social a um patamar jamais alcançado: ele não apenas está tendo alcance mundial, mas fazendo parte do pensamento e do planejamento dos líderes mundiais. Warren credita a Peter Drucker, o gênio em gerenciamento de negócios, o conceito básico do que ele está executando. Drucker acreditava que os problemas sociais como a pobreza, a doença, a fome e a ignorância estariam além da capacidade de resolução dos governos e das corporações multinacionais. Para Drucker, a solução mais viável seria encontrada no setor sem fins lucrativos da sociedade, especialmente nas igrejas, com as suas hostes de voluntários dedicados ao alívio dos males sociais dos carentes de suas comunidades.
Warren, ao reconhecer por vinte anos o falecido Drucker como seu mentor, certamente aprendeu suas lições. Seus dois livros “Com Propósito”, traduzidos em 57 idiomas e com mais de 30 milhões de cópias vendidas, revelam as regras do jogo que Drucker havia visualizado. Warren fez com que as igrejas locais colocassem em prática a visão dos seus livros através dos programas comunitários enormemente popularizados como “40 Dias com Propósito”. Até o presente, 500 mil igrejas em 162 nações tornaram-se parte dessa rede mundial. Elas formam a base do seu plano global chamado P.E.A.C.E. (“Paz”, em inglês).
Mas o que é o Plano P.E.A.C.E? Warren apresenta seu plano à igreja no site www.thepeaceplan.com. No vídeo ele identifica os “gigantes” que assolam a humanidade, como sendo vazio espiritual, liderança autocentrada, pobreza, doença e analfabetismo, que ele pretende erradicar pelo P.E.A.C.E: “P”: plantação de igrejas; “E”: equipamento de líderes; “A”: assistência aos pobres; “C”: cuidado dos enfermos; “E”: educando a próxima geração.
Warren usa a ilustração de um tripé para descrever a melhor maneira de liquidar esses gigantes. Duas das pernas seriam governo e negócios, até hoje ineficazes, do mesmo modo como um tripé de dois pés não pode se manter de pé. A terceira perna, muito necessária, é a igreja:
Existem milhares de vilas no mundo sem escolas, sem clínicas, sem comércio e sem governo – mas sempre têm uma igreja. O que aconteceria se mobilizássemos as igrejas para atacar esses cinco gigantes globais?
Já que existem 2,3 bilhões de cristãos no mundo inteiro, Warren chega à conclusão de que eles poderiam formar o que Bush chamou de enorme “exército da compaixão” do“povo de fé”, como até hoje nunca se viu no mundo.
Warren expandiu sua “visão cristã” para uma visão inclusivista do Plano P.E.A.C.E., que tem atraído o apoio e o louvor dos líderes políticos e religiosos e das celebridades do mundo todo. No Fórum Econômico Mundial de 2008 [em Davos, na Suíça], Warren declarou: “O futuro do mundo não é o secularismo, mas o pluralismo religioso...”Referindo-se aos males que atacam o mundo, ele afirmou:
Não podemos resolver esses problemas sem envolver as pessoas de fé e suas instituições religiosas. De outra forma não será possível. Neste planeta existem aproximadamente 20 milhões de judeus, 600 milhões de budistas, 800 milhões de hindus, mais de um bilhão de muçulmanos e 2,3 bilhões de cristãos. Se excluirmos o povo de fé da equação, estaremos excluindo 5/6 da população mundial. E se deixarmos apenas nas mãos dos seculares a solução desses problemas, ela não será realizada”.
Warren expandiu sua “visão cristã” para uma visão inclusivista do Plano P.E.A.C.E., que tem atraído o apoio e o louvor dos líderes políticos e religiosos e das celebridades do mundo todo.
A fim de acomodar a cooperação com pessoas de todas as crenças, Warren substituiu o “P” do seu P.E.A.C.E. (plantar igrejas evangélicas) para o “P” de “promover reconciliação”. O “E” de “equipamento de líderes” (de igrejas) para “equipamento de líderes éticos”. Warren reconhece sua virada para o pluralismo:
Quem é o homem de paz em qualquer vila... ou, quem sabe, a mulher de paz... que goza do maior prestígio entre os seus?... Não precisam ser cristãos. Na prática, poderiam até ser muçulmanos, mas que estejam abertos e tenham influência, para se trabalhar com eles para atacar os cinco gigantes (aos quais ele adicionou o aquecimento global).
Ele cita um líder secular que aprova o que ele está fazendo.: “Eu entendo, Rick. Locais de culto são os centros de distribuição de tudo o que temos a fazer”.
Warren agora é membro do Conselho da Faith Foundation [Fundação de Fé], criada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, recentemente convertido ao catolicismo romano. O alvo dessa instituição é fomentar a cooperação e o entendimento entre as seis maiores religiões: cristã, muçulmana, hindu, budista, sikh e judaica. Mas onde fica a cruz nesse ajuntamento ecumênico? Ora, ela não fica! Decisiva para a realização desse alvo ecumênico é a eliminação do problema das religiões exclusivistas, uma preocupação articulada com muita clareza por um dos painelistas no Fórum Econômico Mundial:
Existem alguns líderes religiosos de diferentes crenças que, para reforçar sua própria fé e legitimá-la... negam legitimidade e autenticidade às outras pessoas e suas crenças. Não creio que possamos continuar agindo assim sem... trazer à tona o tipo de ódio para o qual todos nós estamos tentando encontrar uma solução. Acho que a nós cabe pressionar os líderes espirituais, seja qual for sua fé. Insistimos em fortalecer aquilo que é belo em nossas tradições, enquanto nos negamos a denegrir outras tradições de fé sugerindo que elas sejam erradas ou predestinadas a ter um fim infeliz”.
A Bíblia explica que todas as religiões do mundo são “ilegítimas” e não simplesmente “predestinadas” a ter um “fim infeliz” – elas terão um fim “justo”.
A Bíblia explica que todas as religiões do mundo são “ilegítimas” [“falsas”] e não simplesmente “predestinadas” a ter um “fim infeliz” – elas terão um fim “justo”. Somente a fé no Evangelho bíblico salva a humanidade. Lemos em Atos 4.12 e João 3.16: “E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”... “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
A história do evangelho social é, em quase cada caso, uma tentativa sincera de cristãos buscando fazer o que eles supõem que honrará a Deus e beneficiará a humanidade. Em cada caso, porém, a prática de “benefícios à humanidade” tem comprometido a fé bíblica e desonrado a Deus. Por que isso é assim? Porque Deus não deu à Igreja a tarefa de resolver os problemas do mundo. Os que tentam fazê-lo começam pela premissa falsa, como já diz Provérbios 14.12: “Há caminho que ao homem parece direito”, mas não é o caminho de Deus. Para onde leva esse caminho? “...mas ao cabo dá em caminhos de morte”, ou seja, à destruição. Além do mais, os problemas do mundo são apenas sintomas. A causa real é o pecado.
Qual a porcentagem do “povo de fé” (que engloba todas as religiões, que seriam 5/6 da população mundial) que entende e aceita o Evangelho – a única solução para o mal chamado pecado? Ou quantos dos 2,3 bilhões de “cristãos”, no mundo inteiro, crêem realmente no Evangelho bíblico? Os números caem exponencialmente. “Sim, mas... eles formam uma força maciça de voluntários e centros de distribuição muito além dos nossos recursos, aptos a liquidar os gigantes do mundo sofredor!” Mas, que aproveita se esses bilhões de “pessoas de fé” puderem aliviar alguns dos sofrimentos do mundo mas perderem justamente suas almas?
evangelho social é uma doença mortal para o “povo de fé”. Ele reforça a idéia de que a salvação pode ser obtida pela prática de boas obras, colocando de lado as diferenças em favor de um bem comum, tratando os outros como gostaríamos de ser tratados, agindo de forma moral, ética e sacrificial – e que, agindo assim, as pessoas vão se tornar agradáveis a Deus. Não! Esses são esforços auto-enganosos, que desprezam a salvação de Deus, negando o Seu padrão perfeito e rejeitando Sua perfeita justiça. A salvação não acontece por meio de obras, para que ninguém se glorie. Na realidade, ela se processa assim: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Jesus anunciava que Ele era a única esperança, para a humanidade condenada, reconciliando-a com Deus. Ele declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Não existe outro caminho, porque a perfeita justiça de Deus exige que a pena do pecado seja paga individualmente, pois “todos pecaram” (Rm 3.23).Somente o Homem-Deus perfeito e sem mácula tinha condições de pagar totalmente essa penalidade infinita, e o fez morrendo na cruz. Somente a fé em Jesus reconcilia o homem com Deus.
O vergonhoso evangelho social de hoje não apenas promove “outro evangelho” como ajuda a preparar um reino completamente contrário às Escrituras. Pois “...a nossa cidade está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Ele voltará do céu (Jo 14.3) para arrebatar os que nEle crêem (Sua Noiva), ou seja, para elevá-los às nuvens e levá-los para o céu (1 Ts 4.17). O reino que ficar na Terra será o reino do Anticristo.
O que realmente importa ao coração de Deus é que “todos se arrependam” e creiam no Evangelho.
Em concordância com seus princípios amilenistas/pós-milenistas, os esforços doevangelho social são tentativas terrenas de restaurar aqui o reino de Deus. Eugene Peterson infiltrou essa heresia em sua Bíblia “The Message”:
Deus não teve todo esse trabalho de enviar o Seu Filho simplesmente para apontar o seu dedo acusador, dizendo como o mundo era mau. Ele veio ajudar a colocar o mundo novamente em ordem (uma perversão de João 3.17).
Rod Bell, em seu livro “Velvet Elvis”, reflete a escatologia da “terra restaurada” de quase todos os líderes da Igreja Emergente:
Salvação é quando todo o universo é trazido à harmonia com o seu Criador. Isso tem conseqüências enormes na forma com que as pessoas apresentam a mensagem de Jesus. Sim, Jesus pode vir a nossos corações. Mas podemos nos juntar a um movimento que é tão amplo como o próprio universo. Rochas, árvores, pássaros, pântanos e ecossistemas. O desejo de Deus é restaurar tudo isso... O objetivo não é fugir deste mundo, mas transformá-lo no tipo do lugar para onde Deus possa vir. E Deus está nos transformando na espécie de gente que pode realizar esse tipo de obra.
Para Brian McLaren, líder da Igreja Emergente, essa é a futura maneira de ser dos cristãos. Numa entrevista ao ChristianPost.com de 28/7/2008 ele declarou:
Acho que no futuro também teremos de nos unir de forma humilde e tolerante a pessoas de outras crenças – muçulmanos, hindus, budistas, judeus, secularistas e outros – na busca pela paz, na preservação do meio-ambiente e na justiça para todos, as coisas que são importantes ao coração de Deus.
Não! O que realmente importa ao coração de Deus é que “todos se arrependam” e creiam no Evangelho.
Qualquer pessoa que deposita sua esperança nesse evangelho social, que usa “pessoas de fé” para “fazer deste mundo um lugar para onde Deus possa vir”, deve dar atenção às palavras de Jesus em Lucas 18.8b: “Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” Certamente Ele vai encontrar pessoas de todas as crenças, mas não a fé verdadeira, aquela fé pela qual Judas nos exorta a batalhar diligentemente (Jd 3). Que o Senhor nos ajude a todos para que jamais nos envergonhemos do Seu Evangelho! The Berean Call

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