quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OS ATIVISTAS DO DESIGREJAMENTO - Zilton Alencar





Ontem um tema de debate que eu participei foi sobre os chamados (muitas vezes pejorativamente) "desigrejados". Não gosto de usar este termo de forma pejorativa, pois a meu ver é assunto sério! Vivemos uma geração de apostasia, e alguns não encontrando uma Igreja adequada para congregar optam por ficar em casa. Sinceramente, eu acho mais proveitoso ficar em casa assistindo tevê aberta (sic) do que participar de cultos antropocêntricos e egocêntricos, fazer parte do comércio da fé e se alimentar das bolotas que os porcos comem!

Como bem diz o meu amigo Wande Neto, adepto sério e sincero do movimento, "a palavra 'desigrejado' é usada por denominacionalistas para pejorar um movimento serio, o dos adenominacionais". Não duvido. Há muita gente boa e séria embarcando neste movimento. Mas também há os xiitas, geralmente muito xaatos!

Eu entendo a opção de muitos daqueles que são taxados e rotulados como "desigrejados". Na maioria dos casos eles optam por este afastamento por se tornar impossível permanecer congregando na igreja apóstata. Muitas vezes aconselho pessoas a distância, via WhattsApp ou Facebook, e experimento a impotência de tratar com pessoas que moram em pequenas cidades e não ter UMA ÚNICA OPÇÃO de Igreja sadia para encaminhar-lhes para congregar! E O PIOR: até as cidades maiores já sofrem com este problema!! O que fazer? Em alguns casos, nem grupos familiares sérios existem! Aonde estas pessoas irão congregar?? Para onde as encaminho?? São ovelhas que não têm pastor...

Eu, pessoalmente, não suportaria mais congregar em uma "igreja" apóstata, e quando vejo Deus clamando em alta voz “sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” (Ap 18:4), entendo que Ele não se refere simplesmente à Igreja Católica (como muitos tradicionalmente interpretam este texto sobre a 'Babilônia', a mãe das prostituições), mas a toda e qualquer "igreja" que apostata da fé. Vejo ainda no mesmo texto que Ele, Deus, se agrada quando os seus abandonam as organizações apóstatas. Posso estar errado, mas é melhor um desigrejado sincero do que um igrejado de igreja apóstata!

Tenho muitos amigos "desigrejados", e muitos deles mais coerentes e mais sinceros que muitos "igrejados" que conheço! Na maioria são pessoas decepcionadas com um sistema corrompido e imoral, com pastores inescrupulosos e gananciosos, com o comércio da fé, com um sistema musical go$pel que canta qualquer porcaria e chamam tais músicas de louvor e adoração, com uma sede insaciável de títulos e cargos eclesiásticos, com um sistema maligno de extorsão financeira que visa enriquecer a "igreja" e seus "pastores". Decepcionam-se e resolvem deixar de fazer parte da farsa. E fazem bem! ISSO NÃO É IGREJA!

Mas há outro grupo: o dos "desigrejados-ativistas"! São os que saem revoltados e resolvem então pregar contra tudo, disparando "suas metralhadoras cheias de mágoas" para todos os lados, atingindo os maus e, de bônus, atingindo também os bons. Enquanto os "desigrejados" são pessoas bem intencionadas, sinceras e equilibradas, os ativistas parecem querer algo mais... E para isso se levantam contra tudo que se chama "igreja", e contra todos que dela fazem parte. O problema maior do fenômeno "desigrejados", portanto, não está nos desigrejados em si, mas sim em alguns da liderança (faço questão de não generalizar, pois também conheço líderes equilibrados), assim como o problema dos movimentos GLBTs não está nos homossexuais (na ampla maioria, pessoas boas e equilibradas), mas em seus ativistas radicais!

O que não entendo, e não posso entender são tais ativistas vociferando contra o local aonde a Igreja se reúne (chamado de "Igreja" por metonímia* -- não por ser Igreja, mas por abrigar a reunião da Igreja) dizendo ser antibíblico alugar, comprar, construir um local adequado a tais reuniões quando a Escritura não afirma isto com clareza. Seria interessante que eles aprendessem o que significa metonímia, e eu posto ao fim do artigo a definição e um link para melhor compreensão.

É inegável que a Igreja cristã começou se reunindo nas casas. Isto é fato, e é bíblico e salutar manter Igrejas nos lares, desde que pastoreadas de conformidade com as prescrições escriturísticas! É a forma mais simples e pura de ser Igreja, e deve ser estimulada. Entretanto, não encontramos nas Escrituras nenhuma prescrição de que não pudessem ser usados locais maiores e mais adequados no caso de uma reunião aonde fosse se reunir um grupo maior de irmãos. No Pentecostes, os 120 irmãos estavam reunidos em um cenáculo, pois provavelmente os mesmos 120 não caberiam em uma casa comum (At 1:15; 2:1). Paulo apóstolo também precisou certa feita de um cenáculo para reunir uma quantidade maior de irmãos (At 20:7-8).

Em alguns locais da Escritura o apóstolo Paulo saúda pessoas e a Igreja que se reúne em suas casas (1 Co 16:19; Cl 4:15; Fm 1:2), o que necessariamente não quer dizer que o pastor da Igreja seja o dono da casa! Entretanto, alguns "desigrejados" saem da Igreja e passam a congregar em sua própria casa, atraindo os irmãos a tais reuniões e se assentando na cadeira do pastor!

Também precisa ser considerado o óbvio: a Igreja Primitiva era uma Igreja CLANDESTINA, e como tal não podia manter espaços próprios para as suas reuniões. Precisou muitas vezes se reunir em locais escondidos e ermos (as catacumbas de Roma, por exemplo) para escapar à perseguição. Como esperar que uma Igreja nestas condições construísse locais de reunião públicas?

Eles falam, então, que a Escritura não prevê claramente a "adaptação" à modernidade, e que o modelo deve permanecer como era no princípio. Mas por que então se utilizam de energia elétrica, bíblias impressas (isto não existia no tempo da Igreja Primitiva), ventiladores e ar condicionado, sistemas de som e instrumentos musicais, móveis e mobílias etc etc, coisas que igualmente não eram usadas na Igreja Primitiva e nem a Escritura ordena ou autoriza que sejam usadas... Por que uma coisa pode, e outra não?? Já vi um (a quem muito considero por sua sabedoria, discrição e coerência, mas que a meu ver deu uma bola fora) defender que na congregação aonde serve não há instrumentos musicais por não ser bíblico, mas há um hinário impresso. Como assim?? Na Igreja Primitiva tinha hinários, impressos em impressoras HP ou Epson?? Ou seriam manuscritos? Em papiro, pergaminho ou papel A4??

É igualmente inegável que as prioridades da Igreja devem ser o cuidado com os pobres, o sustento de missionários etc, e não a construção de obras faraônicas que serão chamadas de “Igrejas” ou “Templos”. Isto deve ser repensado com seriedade, mas não impede que espaços apropriados sejam alugados ou construídos.

Também não entendo estes "ativistas" se levantando contra os “princípios hierárquicos“ da organização humana chamada "igreja". Eles existem, estão muito bem descritos nas Escrituras e não podem ser negados ou abandonados porque alguns ou a maioria os utiliza de forma ilícita e antibíblica! São citados os diáconos (At 6:1-7; 1 Tm 3:8-13), os presbíteros (Tt 1:5; Tg 5:14; 1 Pe 5:1), os pastores ou guias (Hb 13:7, 17; Ef 4:11) e os bispos (At 20:28; F9 1:1; 1 Tm 3:2; Tt 1:7), e fica difícil qualquer opositor negar que tais funções eram reconhecidas desde a Igreja Primitiva, citadas na Escritura inclusive com os apóstolos prescrevendo doutrina para a escolha dos mesmos.

Levantar-se contra a hierarquia porque os homens usam os cargos e funções eclesiásticas para sua própria promoção parece-nos o ato de jogar a água da banheira fora ao fim do banho, e jogar o bebê junto! A hierarquia cristã é bíblica, descrita e doutrinada nas cartas, e não foi instituída para domínio, e sim para serviço e ensino! A hierarquia na Igreja não funciona no sistema de "A manda em B", e sim "A lidera, conduz, pastoreia B”, aonde os líderes trabalham como líderes, e não como mandões.

Quando as Testemunhas de Jeová surgiram no fim do Século XIX, se levantaram contra "toda e qualquer organização" existente na Igreja de sua época, pois a organização na Igreja era coisa do diabo. Entretanto, mais tarde criaram uma organização mais complexa ainda, aonde não há diáconos, presbíteros e bispos (formas bíblicas de liderança), mas há "Classe do Escravo Fiel e Discreto; Corpo Governante; Servo de Zona; Servo de Sucursal; Servo de Distrito; Servo de Circuito; Superintendente ou Ancião da Congregação; Servo Ministerial; Publicador”**. Tornaram a rotura ainda maior!

Jesus ensinando aos seus discípulos sobre o maior dentre eles, não negou que fossem existir "maiores entre os irmãos", mas disse: “Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes, delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas: Mas, entre vós, não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E, qualquer que de entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem, também, não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10:42-45). Não me parece que Ele tenha se levantado contra certos princípios de hierarquia e liderança, mas mostrado que a hierarquia e a liderança dentro da Sua Igreja seriam exercidas em padrões e modelos completamente diferentes. O líder serve, e não é servido!

Parece-me que ao censurar duramente os fariseus por gostarem de ser chamados de Rabi, Jesus não condena chamar alguém de "rabi" ou reconhecer que alguém o seja, mas condena o amor que muitos têm por serem chamados assim e reconhecidos como tal. É evidente que existem pastores que amam, adoram ser chamados por este título (tente chamar alguns de “irmão Fulano”, e eles replicarão imediatamente com impostura de voz: “PASTOR Fulano!”), o que é errado, mas tal erro não nos autoriza a extinguir o ministério pastoral, e sim admoestar e corrigir os que fazem mau uso dele. Parece-me que os que se recusam a chamar pessoas de "mestre e rabi" permanecem chamando seus progenitores de "pai", embora a Escritura prescreva que “a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus” (Mt 23:9). Estaria Jesus sendo literal, ou estaria tentando nos ensinar algum princípio?

Como eu já disse, entendo os "desigrejados". Sei que muitos tomaram a difícil decisão de sair da Igreja tradicional com dor no coração, ao ver a congregação que tanto amavam apostatar da fé e inclinar-se ao erro. O que não entendo, e provavelmente nunca irei entender, são os "ativistas" e as suas implicâncias cegas de pessoas revoltadas com o sistema corrupto. O problema não está no sistema, mas nos corruptos que se aproveitam dele! Acreditem: muitos líderes de desigrejados de hoje serão os futuros pastores, bispos e apóstolos das organizações que irão criar no futuro! E muitos retornarão ao vômito, ressuscitando a corrupção que deixaram, vociferando, no passado!

Encerro com uma frase impagável de meu amigo Roberto de Carvalho Forte sobre o tema: “O problema não está em se reunir entre concretos e tijolos mas o de não se reunir sobre o Fundamento: Cristo”.

* METONÍMIA – figura de linguagem que consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tiete da Religião ou Filho do Evangelho? - Carlos Moreira no Genizah

A religião muda rotinas. 

O Evangelho muda pessoas...

A religião se propõe a ocupar prédios.

O Evangelho se dispõe a ocupar mentes...

A religião molda as pessoas. 

O Evangelho muda as pessoas...

A religião consegue transformar pessoas boas em más.

O Evangelho é capaz de transformar pessoas más em boas...

Na religião, a Verdade é uma ideologia.

No Evangelho, a Verdade é uma pessoa...

A religião anestesia o pensamento.

O Evangelho reconstrói a consciência...

A religião se ocupa em edificar impérios.

O Evangelho se compromete a edificar pessoas...

A religião desafia você a ler as Escrituras.

O Evangelho instiga você a encarná-las...

Na religião, a confissão é uma liturgia do culto.

No Evangelho, a confissão é uma liturgia da vida...

Na Religião:

“Sem dízimos, nada podeis fazer.
No Evangelho:
"sem Mim, nada podeis fazer"

Na religião, arrependimento é um pesar por aquilo que eu faço.

No Evangelho, arrependimento é a consciência sobre quem eu sou...

A religião põe a bíblia em suas mãos.

O Evangelho a põe em seu coração...

A religião propõe uma Reforma.

O Evangelho, uma nova forma...

Na religião, há muitos culpados e muita culpa.

No Evangelho, há muitos culpados e nenhuma culpa...

A religião raciocina com a categoria do "todos por Um". 

O Evangelho, com a factualidade do "Um por todos"...

A Religião muda à forma.

O Evangelho muda a fôrma...

Vem e segue-me, propõe o Evangelho. 

Vem e senta-te, propõe a religião...

O Evangelho lhe desafia a seguir a Jesus.

A Religião lhe propõe seguir-se a si mesmo...

A religião nos leva a buscar coisas.

O Evangelho nos desafia a abraças causas...

O Evangelho propõe: "Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".

A Religião propõe: "Negue a sua cruz, tome a si mesmo e siga-se"...


Agora, a pergunta que não quer calar: você é religioso ou é gente do Evangelho?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Intolerância dos Tolerantes - Ricardo Gondim




Há algum tempo recebi o convite para participar de um programa de debates, recém iniciado pela MTV onde abordariam a questão do homossexualismo. Aceitei com certa hesitação. Minha paixão pela polêmica me impediu de dizer não. Nos bastidores, antes de ir ao ar, percebi que seria minoria mais uma vez (embora seja pentecostal e corintiano). Sentei-me a mesa, rodeado por um drag queen e uma ativa militante do movimento lésbico. Mal o programa começou e já se percebia claramente que ele visava uma apologia do homossexualismo (ou homossexualidade como querem os politicamente corretos). Cada um dos mais de quinze painelistas se revezava em defender a prática homossexual como uma questão de preferência e não de ética. Finalmente a apresentadora do programa perguntou minha opinião.
Pausadamente, procurando me esquivar da pecha de fundamentalista e homofóbico expus o que penso ser um consenso do pensamento evangélico; "Cremos em um Deus criador e preservador de todo o universo. Ele, além de possuir pessoalidade, preocupa-se com a felicidade de toda a sua criação. Dele provém uma lei moral que fornece os parâmetros do comportamento humano e, por ser exterior a nós , não se molda às nossas preferências".
 “De acordo com essa lei” continuei com o mesmo tom de voz, "nós evangélicos, entendemos o homossexualismo como um pecado, uma perversão moral". Bastaram essas palavras. O tempo fechou. Quase todos ao redor da mesa falavam, cada qual subindo um pouco seu tom de voz. Alguns, descontrolados proferiam palavrões. Sarcasticamente, confesso, perguntei: "Afinal de contas este espaço não é plural? Por que não posso manifestar meu ponte de vista assim corno os senhores expõem os seus? Se vocês pregam a tolerância, por que tanta intolerância ao meu ponto de vista?" Meu sarcasmo não deu resultado. Cada vez que tentei falar, me abafavam aos gritos.

Modernidade

A modernidade sempre se gabou de respeitar os diferentes, Voltaire, arauto do iluminismo, dizia “Devemos tolerar-nos mutuamente porque somos todos fracos, inconsequentes, sujeitos à mutabilidade ao erro. Um caniço vergado pelo vento sobre a lama porventura diria ao caniço vizinho vergado em sentido contrário ‘Rasteja a meu modo miserável ou farei um requerimento para que te arranquem e te queimem?’” Por que mesmo anunciando o respeito à opinião do outro, a Modernidade patrocinou as guilhotinas da Revolução Francesa? Por que o estado marxista promoveu o expurgo de Stalin? Por que na Alemanha, berço dos grandes filósofos e teólogos aconteceu o Holocausto? Se a modernidade é tão tolerante com o diferente, por que tanta intolerância?
Entendamos um pouco da Modernidade. Primeiro, ela valoriza o método. A tolerância para com a razão, para a prova "irrefutável", tornou-se desnecessária. André Comte-Sponville afirma “Quando a verdade é conhecida com certeza, a tolerância não tem objeto”. Ele e todos os filósofos da modernidade crêem que os cientistas necessitam não de tolerância, mas de liberdade. Os fatos, provenientes da observação empírica impõem-se. Refutá-los é negar a razão. Como a ciência não depende de opiniões, ela não necessita de tolerância mas de espaço. Depois, a Modernidade também é naturalista. Só trabalha com um sistema fechado. Matéria, energia, tempo e chance são as únicas variáveis consideradas. Portanto, a verdade está contida somente a esses elementos. Como filosofar é pensar sem provas, e provar faz parte do paradigma da Modernidade a filosofia (também a teologia) é tolerada, desde que obedeça as regras da abordagem científica e naturalista. Nesse sistema, somente os céticos ao transcendente como Hume e Bultmann recebem qualquer reconhecimento. O resto é descartado como irrelevante. Por último a Modernidade é universalista. Aceita que seus achados transcendem ao tempo e ao espaço. Devido a essa visão é que a Modernidade, de acordo com D. A, Carson adotou a dialética marxista da história, a teoria Helegiana do espírito universal, a visão pós-iluminista do progresso e a teologia liberal que aceita como factível apenas o que é julgado racional e “científico”. Aqueles que se recusam à ditadura da Modernidade, são imediatamente rotulados: medievais, supersticiosos, reacionários. A tolerância da Modernidade se restringe aos limites impostos por ela; quem fugir deles percebe rapidamente sua intransigência Mas, voltemos ao programa da MTV.

Entendendo a Intolerância

Por que tanta intolerância à ética judeu-cristã? Por que tanto incômoda à cosmovisão religiosa? O problema reside nos pressupostos transcendentais. O cristianismo baseia-se na revelação de uma lei moral, outorgada por um Deus que não pode ser definido como parte de minha humanidade (humanismo), reduzido a uma energia (naturalismo) ou mera projeção mítica (neurose freudiana). A premissa cristã que propõe a Revelação, o conhecimento do transcendente como um valor epistemológico, bate de frente com a Modernidade. O cristão sabe que sabe, por Revelação. Pedro já asseverava no primeiro século; "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." (2 Pe 1:21). Contrariamente, na Modernidade a verdade religiosa não é factível, é questão de opinião. Nunca ninguém pode estar absolutamente certo sobre os assuntos espirituais. Portanto religião não pode participar do debate público; deve manter-se reduzida à arena dos juízos e dos sentimentos; não é demonstrável nem refutável.
A revelação da lei moral de Deus, caso aceita, obrigaria as pessoas a obedecê-la, acabando com a noção de preferência. A Modernidade propõe que a lei moral seja uma construção humana, restrita à cultura e ao tempo de sua elaboração; caso aceitasse que provém de Deus reconheceria que todos, em todas as épocas, deveriam obedecê-la.
Sponville diz que uma ditadura imposta pela força é um despotismo; se ela se impõe pela ideologia, um totalitarismo. O problema da Modernidade é que, mesmo sem querer, vem se tornando cada dia mais déspota e totalitária. Não somente rechaça os valores da ética cristã, como tenta forçar seus pressupostos como únicas opções válidas, por serem "cientificamente irrefutáveis". O homossexualismo, por exemplo, é hoje discutido como uma questão de mutação do código genético, descartando a moral. Os militantes gays conseguiram manter o debate no nível 'científico', Nessa esfera, basta provar uma alteração nos genes e está tudo resolvido; “O homossexual foi programado, na evolução para agir daquele modo e não há como interferir em suas preferência. Mas o pleito homossexual é pequeno diante das implicações dessa nova ditadura. Carson propõe em seu livro The Gagging of God (O Amordaçar de Deus) que experimentamos uma nova espécie de intolerância. Em sociedades relativamente livres e abertas, a tolerância mais nobre é aquela exercitada para com as pessoas, mesmo quando se discorda de seus pontos de vista. 'Essa robusta tolerância para com as pessoas, mesmo quando há forte desacordo às suas idéias, gera uma medida de civilidade no debate público, mesmo quando a discussão é apaixonada". Para Carson o ocidente vive hoje uma tolerância somente de idéias, não mais das pessoas. As idéias são admitidas, só não se admitem pessoas diferentes (criam-se as tribos); à roda sentam-se sempre os mesmos.
O resultado de se adotar esse novo tipo de tolerância é que há menos discussão dos méritos de idéias conflitantes e menor civilidade. Há menos discussão porque a tolerância de idéias diversas exige que evitemos criticar as pessoas por adotarem aquelas idéias. Assim, a Modernidade vai admitindo excentricidades, loucuras e comportamentos bizarros. Ninguém tem o direito de dizer nada sobre o comportamento de ninguém. Só há problema quando qualquer idéia tenta provar sua superioridade sobre qualquer outra. Imediatamente, o mundo cai. Exclusividade é intolerável na modernidade, principalmente no campo religioso. 
A palavra proselitismo (na sua concepção técnica) virou palavrão. Cada um na sua. Desde que você não se intrometa com o meu estilo de vida. Ninguém precisa mudar, pois todas as opções religiosas, morais, éticas, filosóficas são válidas, não porque sejam verdadeiras, mas porque todas são igualmente questionáveis. Voltaire dizia; "O que é tolerância? É o apanágio da humanidade. Somos todos feitos de fraquezas e erros; perdoemo-nos reciprocamente nossas tolices, é esta a primeira lei da natureza."
O resultado disso tudo é um mundo cada vez mais inconsequente quanto à sua ética, cada vez mais secularizado, e cada vez mais intolerante para com a fé cristã, mascarando seu discurso exclusivista e proselitista. Enquanto afirma que não há mais absolutos insiste que está absolutamente certo disso.
Saí do programa da MTV dizendo para mim mesmo; "Incrível como os liberais são fundamentalistas na defesa dos seus posicionamentos. Intolerantes! Não aceitam que seus pontos de vista sejam questionados por outros que pensam diferentemente. Talvez tenham medo de estar errados." 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

GRANDE HERESIA

UM ABISMO CHAMA OUTRO ABISMO, E UM PEQUENO DESVIO DOUTRINÁRIO GERA UMA GRANDE HERESIA



Em cálculos de engenharia, a precisão é imprescindível, pois se abrirmos um desvio de 1 mm no início, chegará a um buraco do tamanho do Universo no infinito! Certamente em nossas próprias casas, em pequenas reformas e "puxadinhos", já erguemos paredes sem grande precisão de esquadro, e vimos o quanto estão fora de alinhamento quando assentamos as pedras de cerâmica.

Agora imaginem, por exemplo, uma estrada de ferro em construção, cujos engenheiros cometem um minúsculo erro de cálculo, fazendo com que a cada metro ocorra um afastamento para fora de 1 mm entre os trilhos, perdendo a exatidão da bitola. A cada 100 km de estrada, os trilhos se afastam 100 metros um do outro! Dependendo do tamanho final da obra, é só fazer um cálculo simples para se chegar ao tamanho final do "aleijão".

Em estradas de ferro diicilmente ocorrem tais erros, pois a BITOLA é constantemente usada e verificada a distância entre os trilhos, sem falar que a olho nu o desvio seria facilmente observado e rapidamente corrigido. Mas não podemos afirmar o mesmo em relação a estradas, avenidas e ruas.

Na cidade aonde eu moro, João Pessoa, sua principal artéria, a av. Epitácio Pessoa, que vai do litoral ao centro da cidade, foi vítima de um erro destes. De acordo com o historiador Arion Farias, o plano do então presidente (Governador) João Pessoa era construir a Avenida Epitácio Pessoa, começando pelo então inexistente Busto de Tamandaré (hoje situado na orla da Praia de Tambaú, ponto de referência e de encontro: "a gente se encontra no Busto de Tamandaré", dizem alguns) e acabando no Centro, onde começa a atual Avenida Dom Pedro II, na Praça João Pessoa (que, na época, era chamada de Praça Comendador Felizardo), a chamada "Praça dos Três Poderes", aonde ficam as três sedes estaduais dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Segundo o historiador, “A estrada começou da praia para o Centro, mas um erro do topógrafo em DOIS GRAUS acabou desviando (o trajeto). Em vez de andar para a esquerda, andou para a direita, e fez com que a Epitácio Pessoa viesse a morrer na Praça da Independência. Isso está no relatório de Ítalo Jofre (então secretário municipal da pasta relativa a obras), na página 17, na linha 6, documento que hoje está no Espaço Cultural”, observou o historiador Arion Farias. Depois disso, o governador José Américo calçou a via e seu sucessor, Flávio Ribeiro Coutinho – parente de Renato Ribeiro Coutinho –, asfaltou” - Fonte: http://migre.me/n9VZC

Vocês já tiveram nas mãos um transferidor, a régua em forma de semilua que mede os graus dos ângulos? Certamente o usaram nas aulas de cálculo e trigonometria. Dois graus são uma medida mínima! Mas para quem conhece a cidade de João Pessoa e o tamanho da av. Epitácio Pessoa, sabe a diferença entre terminar na Praça da Independência e na Praça João Pessoa! E tudo começou com ínfimos dois graus de desvio!

As Escrituras são nossa bitola pessoal, e coletiva para a Igreja! São elas que evitam que nos afastemos para a direita ou para a esquerda (Js 1:7), obedecendo a advertência divina. Dois graus de afastamento pode fazer com que, ao chegarmos ao fim da estrada, percebamos quão longe estamos da porta do céu!!

O relativismo é o erro do topógrafo! Erro bastante comum, e muitas vezes proposital, de pastores, líderes e pregadores, que em nome do pragmatismo e dos resultados abrem mão da ortodoxia doutrinária. Tudo vale desde que os resultados jutifiquem! Um exemplo disso é o relativismo em relação à ordenação presbitero-pastoral. O abandono da observância aos requisitos mínimos claramente dispostos na Escritura (1 Tm 3 e Tt 1) gerou uma geração de pastores desqualificados, tudo em nome da "pregação do Evangelho" e do "ganhar almas". Não importava se o candidato não satisfazia às exigências mínimas da Escritura; o importante é que ganha almas, é carismático, toca, canta e prega, e a Igreja está precisando de um pastor ordenado (ungido) à sua frente, para conduzi-la!

Como um abismo chama outro abismo (Sl 42:7), o passo seguinte foi a ordenação feminina, praticada com aparência de piedade, mas uma franca desobediência às Escrituras. Já que os homens não se disponibilizam ao Ministério, vamos abrir para as mulheres! Seria o equivalente a, já que Samuel não vem, que Saul conduza o sacrifício (1 Sm 13:8-14)!

Hoje, já vemos a ordenação de homossexuais. E o importante, dizem eles, é que almas estão sendo ganhas, milagres estão sendo feitos, pelas mãos destes(as) pastores(as) homossexuais... E não sabemos aonde vai parar. Mas tudo começa com um desvio mínimo e imperceptível de 1 mm!!

Somos chamados à OBEDIÊNCIA, custe o que custar!! Não vivemos o "vale tudo" em nome de almas. Se o objetivo de Cristo fosse simplesmente ganhar almas, Ele teria descido da cruz e convertido todos os judeus de sua época, já que foi desafiado a isso: “desça da cruz, e creremos!” (Mt 27:42), mas Seu objetivo era obedecer aos planos do Pai e conduzir Sua Igreja a obediência similar! Saul não estava autorizado ou habilitado a oferecer sacrifícios, mesmo diante da demora ou ausência absoluta de Samuel , e o mesmo se aplica à nossa geração desobediente. Não importa os argumentos usados, por mais aparência de piedade que tenham! Nenhuma alma ganha, nem milhares delas, justificam a desobediência.

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...