terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
DÍZIMOS E OFERTAS - PAULO CILAS
Melhor coisa é dá do que receber... Atos 20.35
Cada um contribua segundo propôs no seu coração... II Cor. 9.7
No AT em Malaquias 3.8 está escrito que se rouba de Deus em não entregar dízimos e ofertas. Por que o roubo? Naquele sistema, em que onze tribos de Israel tinham suas terras para produzir, a tribo de Levi ficaria à disposição do serviço religioso em todo território nacional. Ora, sendo assim, os dízimos sustentariam a tribo de Levi. Logo, sustentariam o Culto e todo cerimonial. Havendo sonegação estaria-se então sonegando o Culto. Daí Deus dizer: “Vocês me roubam”!
Usar tal argumento nos dias de hoje já não faz tanto sentido (a não ser for por aqueles que querem arrancar dinheiro de qualquer jeito em prol de seus próprios objetivos. Ainda que use o nome de Deus para os tais). O que o NV nos apresenta em Cristo é a “liberalidade”, é o dar sem fazer conta de tostões, é o coração generoso, participativo e coerente que entende que ofertar e dizimar tornam-se privilégio e não obrigação.
Antes, ainda que contrariado, tinha-se que cumprir o estabelecido. Agora, ninguém deve contribuir contrariado. Se o dizimo não for exercido com alegria, fé e fidelidade nenhum dinheiro fará sentido.
Quanto ao valor, o Ap. Paulo em um texto acima referido fala que parte do coração, o que você propuser. Os 10% (dizimo) são boa referência. Afinal, antes da existência da nação de Israel, Abraão já tinha entregado o dizimo a um homem chamado Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, que vem a ser uma figura do próprio Cristo e, que em Hebreus no cap. 7, o próprio Jesus é definido como sendo sacerdote segundo a ordem desse Melquisedeque.
Há também o fato de Deus não possui um serasa, spc que registram débitos que devem ser quitados. Não há divida em dinheiro com Deus! O que há e o que deve sempre haver são corações que amam e com alegria ofertam e dizimam. Então, não é pelo medo do devorador, pela ameaça sobre os que não ofertam e dizimam que nós assim o fazemos ou deveríamos fazer. E, sim, pelo grande privilegio de nos envolvermos em torno de algo em comum numa comunidade(igreja), em sustento de ministros e missionários bem como no socorro dos irmãos da fé em necessidade.
E Deus nada mais disse e nada mais acrescentou, mas, termino com a palavra de Jesus: "O homem bom do seu bom tesouro tira coisas boas".
sábado, 8 de fevereiro de 2014
A influência judaica na igreja - Luis A R Branco
Uma das coisas que vem chamando minha atenção há algum tempo é a influência exagerada do judaísmo dentro de alguns segmentos evangélicos. Na verdade, a igreja brasileira sempre nutriu certa apreciação pela Terra Santa e pelo Povo Judeu. Mas o que vemos hoje em dia é uma importação exagerada dos costumes judeus para dentro da igreja, ferindo assim a orientação apostólica, o ensino dos pais da igreja e dos reformadores quanto ao assunto.
Nossa obrigação como apologetas cristãos é o de alertar a igreja quanto aos perigos por trás de determinadas práticas. John M. Frame diz que a apologética pode ser tratada no meio cristão de três formas distintas: 1. A apologética das evidências: É a apresentação racional da fé cristã, oferecendo bases credíveis para aquelas pessoas que têm dificuldade de crer no evangelho. 2. A apologética da defesa que oferece respostas em defesa do evangelho para aqueles que tentam deturpar a mensagem da verdade. 3. A apologética da ofensa, que é o ataque ou denúncia explicita daqueles que se utilizam do evangelho com objetivos escusos.[1]
Com base em nossa missão apologética devemos mostrar a irracionalidade, a deturpação e denunciar explicitamente as aberrações destes movimentos tidos judaizantes espalhados pelo Brasil. Devido ao espaço pequeno, seremos bastante resumidos em nossa apresentação, mas o suficientemente convincente para que você se afaste definitivamente destes grupos heréticos.
Em primeiro lugar, precisamos entender qual a missão de Israel e do Antigo Testamento na história da redenção. Em meu recente livro Israel e a Igreja, procuro esclarecer: “O Antigo Testamento, com todas as suas leis, rituais e tradições, tem sido muitas vezes interpretado de forma equivocada, principalmente por alguns segmentos cristãos, não tão novos como imaginamos, que desde o princípio da igreja tem procurado trazer para dentro da Nova Aliança elementos oriundos das tradições judaicas, culminando naquilo que conhecemos como “cristãos judaizantes”. O Antigo Testamento fornece certamente a preparação teológica essencial para tudo aquilo que emergirá através da Igreja do Novo Testamento.
A missão de Israel no Antigo Testamento envolvia elementos muito particulares para aqueles dias e tentar transferir estes elementos para os nossos dias, pode certamente nos induzir a erros e a cometer interpretações equivocadas da missão de Israel [...].” [2].
Alguns dos costumes judaicos estão muito mais relacionados com questões de saúde sanitária, devido à sua localização geográfica e questões climáticas do que propriamente com questões religiosas. Já no Novo Testamento, determinadas proibições estavam relacionadas com comida sacrificada a ídolos. Se um cristão judaizante fosse realmente fiel a uma dieta kosher, ele jamais poderia comer em qualquer restaurante que não fosse judaico, ou mesmo na casa de um não judeu. Como isto não acontece, na maioria dos casos, passa a ser uma espécie meio neurótica de exercitar uma crença.
O mesmo acontece com relação às vestimentas, festas e instrumentos judaicos. O shofar, por exemplo, virou moda dentro das igrejas, no entanto, é usado de forma totalmente equivocada em relação ao judaísmo, onde, por exemplo, só homens poderiam soprar o Shofar, em determinados momentos e em determinadas orações. Já fui em uma igreja onde o Shofar é soprado por mulheres, crianças a qualquer hora e momento. O que mostra que na verdade, não estamos revivendo em hipótese alguma o fortalecimento do judaísmo nas igrejas, mas um sincretismo religioso que reúne elementos de todo tipo de religião.
Outra aberração deste segmentos judaizante é a transliteração dos nomes de Deus, e de Jesus para os nomes judaicos. O que é completamente sem sentido. Nem o cristianismo, nem mesmo o judaísmo sacralizaram o idioma. Quando o Senhor Jesus nos enviou a todo o mundo (Mt 28:18-20), incluiu a responsabilidade de repassar ao povo os seus ensinos, e percebemos, que desde o princípio, foi do entendimento dos apóstolos e daqueles que os precederam, que o evangelho deveria ser pregado na língua local e não em grego, hebraico ou aramaico. A crença judaica de um Deus universal não seria compatível com a necessidade de traduzir textos, usos e costumes. O Antigo Testamento foi traduzido na totalidade em Alexandria, no Séc I, a.C. Nos dias de Jesus, por exemplo, os judeus eram livres para usar a língua corrente, grego, aramaico ou mesmo latim. Portanto, essa ênfase em transliterar os nomes de Deus entre outras coisas é outra neurose deste sincretismo.
Outro sinal impressionante deste movimento que não é nem cristão, nem judeu, é a substituição das festas cristãs por festas judaicas. Em primeiro lugar é uma atitude totalmente imprópria, sem relação alguma com o cristianismo, em segundo lugar não é um retorno à raízes judaicas, mas o fortalecimento deste sincretismo estranho. Não vou perder tempo aqui tentando defender o natal, aniversários e outras festas cristãs, pois já tenho isto escrito noutros artigos, mas não podemos deixar de citar o pai da igreja Tertuliano (ano 160-220 d.C.) que disse: “Nós (os cristãos) nada temos com o Sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos nossas próprias solenidades: O Dia do Senhor…” A Didaché, um dos documentos mais antigos do cristianismo diz: “No dia do Senhor (no domingo) reuni-vos todos juntos para a fração do pão E dai graças depois de confessar os vossos pecados para que vosso sacrifício seja puro” (Didaché, XIV). Já Inácio de Antioquia, no ano 107 d.C. exorta aos cristãos de seu tempo que “de nenhuma maneira os cristãos devem sabatizar”.
Estes movimentos de sincretismo judaico-cristão-religioso, pois não são meramente judaizantes, para fortalecer suas ideias hereges sugerem ainda uma terceira reforma protestante, que seria o retorno da igreja às raízes judaicas, mas como já observamos não é o que acontece. Na verdade eles negam os pais da igreja, negam a reforma protestante, e consequentemente negam a Escritura ao abandonar a hermenêutica bíblica reformada, ou, o método exegético histórico gramatical, e apegam-se a interpretações isoladas e perigosas das Escrituras, manipulando a Bíblia usando uma pseudo interpretação judaica da Escritura, palavras em Hebraico, mas no fundo só há confusão e heresia. Calvino escreveu em seu comentário sobre Romanos: “É uma audácia próxima ao sacrilégio usar as Escrituras como nos apraz e brincar com elas como se fossem uma bola de tênis, como muitos já fizeram anteriormente… a primeira tarefa de um interprete é deixar que o autor diga aquilo que expressa de fato, em vez de atribuirmos a ele aquilo que achamos que ele quer dizer.”
Meus irmãos as heresias destes grupos que são vários e cada um com um nome diferente, tem como objetivo afastar o crente de Jesus Cristo e da sua obra redentora. Estes grupos – através destas festas, rituais, re-batismos no Jordão e ensinos, procuram enriquecer vendendo ou fazendo parcerias com empresas que vendem pacotes turísticos para Israel, e levas os crentes a negar a fé.
“Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” – Romanos 1:17
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
SENHOR DE TUDO - PAULO CILAS
No livro " Acima de tudo" Brennan Manning narra as muitas vezes em que Jesus "foi reduzido" às necessidades, maldades, anseios e caprichos humanos. Assim, foram criados:
- O Jesus César - É a igreja embevecida com o poder, que posa ao lado de autoridades e acha que assim há maior relevância. Se vê influente por transitar nos bastidores do poder.
- O Jesus Thomás de Torquemada - Inquisidor que matou e perseguiu milhares em nome de uma disciplina cristã. Quantos há que que em nome da fé desprezam o dom do amor.
- O Jesus hippie - Revolucionário e anárquico. Quantas baboseiras também hoje em nome de uma liberdade vazia de conteúdo.
- O Jesus yuppie- O cristianismo de grife como testemunho da prosperidade do céu. Bens materiais e liturgias bem ajustadas, ora frias, ora extravagantes, representando "a glória de Deus".
Acrescento ainda "O Jesus Sílvio Santos". Ele pegunta quem quer dinheiro? Abre as portas da esperança e oferece o baú da felicidade, porque o baú Dá fecidade.
E assim desavisadamente ou não, vamos constituindo e moldando um cristo casamenteiro ou que salva casamentos. Um super nanny que educa nossos filhos enquanto somos relapsos.
A igreja desse cristo é apenas um lugar legal para a família ignorando que no passado e no presente, e ao redor de todo o mundo, crentes são perseguidos e mortos por se reunirem em nome de Jesus. Então, muitos, se vivessem nessa realidade, deixariam de ser e de ir à "igreja" por ela não ser mais um lugar "legal e seguro".
Há ainda aqueles que transformam Jesus no personal stylist. Ele determina ou inspira até bota de couro de píton.
Contudo, ainda que tentem artificialmente moldar Jesus às mesquinharias humanas, Ele, O Senhor está acima de tudo e de todos.
"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?
E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz:E todos os anjos de Deus o adorem.
E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.
Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.
E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,
E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.
E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?
Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" Hebreus 1:1-14
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?
E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz:E todos os anjos de Deus o adorem.
E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.
Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.
E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,
E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.
E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?
Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" Hebreus 1:1-14
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
POR QUE AINDA VAMOS À IGREJA - JÚLIO ZAMPARETTI
Um Deus de promessas e serviço é o que todos procuramos. É isso que esperamos sentados e de mãos estendidas, pedindo que algo se nos dê, que alguma coisa aconteça. Mas será que realmente cremos em Deus? Não estaríamos depositando a fé, na verdade, numa espécie de Superman? Afinal, para que nos serve esse Deus?
Volto a me perguntar: por que ainda vamos à igreja? O que procuramos nela?
A resposta que ouço não é a mesma que vejo. Porque os nossos lábios dizem que vamos à igreja “adorar ao Senhor”, ao passo que nossas atitudes mostram que vamos massagear nosso próprio ego, pois saímos de lá tão presunçosos e cheios de si, que tornamo-nos incapazes de nos identificarmos com os pecadores, pobres e miseráveis com quem Jesus se identificou, andou, serviu, conversou, sorriu, festejou, comeu e bebeu.
Nossos lábios dizem que vamos “encontrar a Deus”, mas nossas atitudes mostram que não podemos vê-lo, porque só vemos maldade e malícia em tudo o que nos rodeia.
Nossos lábios dizem que queremos ser cidadãos dos céus, todavia nossas atitudes mostram que, cada vez mais, estamos acorrentadas às futilidades e riquezas terrenas, de maneira que fizemos delas a própria razão de nossa fé.
Nossos lábios dizem que queremos ser felizes, mas nossas atitudes mostram somente a infelicidade de apenas anestesiarmos nossas almas, já não sendo mais capazes de alcançar a felicidade de chorar com os que choram.
Nossos lábios dizem que almejamos alcançar a misericórdia divina; no entanto, nossas atitudes mostram a impossibilidade disso, pois nos afastamos dela cada vez que a negamos a quem quer que dela necessite. E a despeito de tudo isso, ainda esperamos que Deus faça alguma coisa, que nossas orações mudem tudo e todos, mas nós mesmos não mudamos.
Deus não se fez um super-herói, se fez homem. Não fez por nós as coisas que devemos fazer, mas serviu sim de exemplo para que nós o seguíssemos, tomando nossa cruz e fazendo o que está à nossa mão para fazermos. Deus também não nos deu as respostas prontas. Como fez no passado, ainda hoje faz, nos leva a olharmos para o nosso interior e buscarmos as respostas no íntimo de nosso consciente, e depois disso, assumirmos as responsabilidades que venhamos a contrair através de nossas respostas e escolhas, principalmente quando, por conta delas, necessitarmos pedir perdão.
A igreja não existe para nos conduzir a um caminho de poder, mas sim para nos fazer entender nossas fraquezas e seguirmos a trilha da humildade e compaixão; não existe para nos fazer deuses, mas sim para nos tornar mais humanos, pois é justamente na nossa humanidade que Deus é revelado, e na nossa fraqueza sua força é manifestada. Afinal, assim como por uma humilde mulher nasceu o próprio Deus, assim também, em nossa pobre humanidade o Cristo é gerado. Ao que o anjo diz: “não temas receber Maria”, direi, então: não temas receber a humanidade do ser, não temas ser humano. A igreja não existe para aliviar a nossa consciência atulhada pelo nosso descaso com as causas ambientais e sociais, mas sim para nos comprometer com a luta por um mundo melhor, sem fome e mais justo. Se algo diferente disso existe - e lamentavelmente existe - com certeza não é igreja.
A igreja não existe para guardar a sua alma, mas sim para salvar o mundo.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
FILHOS PARA O MUNDO - PAULO CILAS
Há muito tempo li uma contra- pergunta de uma frase muito conhecida: “Que mundo deixaremos para os nossos filhos?”. Tal frase era relacionada à preocupação com a Ecologia. A contra-pergunta sugerida então, foi: “Que filhos deixaremos para o mundo?”. Grande questão essa já que os filhos tornam- se cada vez mais consumistas, egoístas, hedonistas de tal maneira que não adianta se preocupar ecologicamente com o mundo, pois, ele continuará sofrendo nas mãos de quem o sujeita. Nós e, depois de nós, nossos filhos.
Precisamos cuidar e orientar melhor nossos filhos. Gustavo Ioschpe escrevendo na revista VEJA questiona se devemos ensinar a nossos filhos a ética pois, segundo ele falando ironicamente, se assim o fizermos deixaremos nossos rebentos em desvantagem diante dos “espertos” filhos dos outros.
Quem está disposto a preparar filhos melhores colocando-os em aparente desvantagem? Eis uma história ilustrativa: Um pai, trabalhando em seu escritório, era insistentemente incomodado pelo seu filho pequeno que fazia de tudo pra chamar sua atenção. O pai, já irritado com a situação porque não conseguia terminar seu “importante” trabalho, viu uma maneira de ludibriar o menino; achou um mapa mundi com seus muitos países, recortou-o como um quebra cabeça e deu para o menino montar. Obviamente ele julgou que a criança demoraria e dificilmente conseguiria montar aqueles muitos países. Pronto! Ele solucionou seu problema! Mas, surpreendentemente, em minutos o menino voltou com tudo colado, montado perfeitamente. “Como você fez isto”, pergunta o pai? O menino simplesmente responde: “ É porque na parte de trás dos países tinha a figura de um homem, eu consertei o homem e o mundo ficou inteiro”. Perfeita ilustração! Conserta-se o homem e os filhos serão melhores
Um mundo melhor passa por pessoas melhores.
Uma igreja melhor passa por pessoas melhores.
Um lar melhor passa por pessoas melhores.
A natureza geme porque espera que pessoas melhores assumam o seu controle. Tais pessoas são os Filhos de Deus. E você? É um deles? E seus filhos?
PS. Se você é um pai ou uma mãe que quer melhorar, não desista se seu filho estiver em caminhos errados. Você poderá ser, é e ainda será uma referência para ele. Então, a despeito de qualquer coisa, melhore-se.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
ARMADILHAS - RICARDO BARBOSA DE SOUSA
Crescimento das igrejas: três armadilha
Os riscos dessa expansão são invisíveis, mas muito grandes.
Para mim não é fácil escrever um artigo sobre os perigos do crescimento das igrejas. Primeiro, porque nunca fui pastor de uma igreja numerosa. Não sei o que isso significa. Segundo, porque a realidade que envolve o crescimento de uma igreja é sempre muito complexa. Espera-se que uma igreja saudável – que ensina a Palavra de Deus, evangeliza e faz discípulos de Cristo ¬– cresça numericamente.
Porém, a saúde e a fidelidade de uma igreja podem levá-la a crescer e ser relevante, bem como a sofrer e ser marginalizada. No entanto, como o crescimento e a visibilidade das igrejas despertam grande interesse e o status decorrente é muito sedutor – o que não acontece quando o que está em jogo é o sofrimento, a marginalidade e o martírio –, gostaria de refletir sobre os riscos, ou quem sabe, sobre os ídolos, que o crescimento numérico das igrejas pode apresentar.
A preocupação com o crescimento da igreja é legítima e necessária. Sempre foi. O desafio dessa expansão envolve afirmar a prioridade da missão, a centralidade do evangelho, a necessidade de falar para os de fora, bem como o esforço para ser relevante no contexto social e cultural, no estabelecimento de alvos objetivos, na importância de estratégias e no uso correto das ferramentas sociais e tecnológicas.
Embora esta preocupação com o crescimento seja percebida em toda a história cristã, as mudanças sociais das últimas décadas trouxeram novas realidades, que precisam ser analisadas criticamente. Há três décadas, a preocupação dos evangélicos era com a missão integral e a luta por transformação política e social. A preocupação hoje é com a igreja local, seu crescimento, e sua presença na sociedade. Antes o foco estava na esfera pública; agora, na esfera privada da vida comunitária. Antes a palavra de ordem era "revolução", hoje é "relevância".
A busca por uma igreja relevante abre portas para um novo mundo, trazendo novos desafios e possibilidades. Por outro lado, abre brechas para o risco de a igreja se comprometer, muitas vezes sem perceber, com o espírito desta era. Modernizar e inovar não são um problema em si. Porém, é preciso olhar criticamente para a forma como se faz a busca por relevância e de que maneira se lança mão dos recursos modernos de crescimento. É necessário discernir os riscos que tais ações representam para o futuro do cristianismo.
A expressão "crescimento" pode ser compreendida em termos quantitativos (número de membros, orçamento, projetos) e qualitativo (maturidade, caráter, profundidade). Ambos são importantes, e um não exclui, necessariamente, o outro. No entanto, o crescimento quantitativo nem sempre promove um crescimento qualitativo, mas sempre desperta um fascínio em função da visibilidade e do prestígio que uma grande igreja proporciona para seus líderes e membros. É aqui que enfrentamos um grave risco: o de se construir a casa (igreja) sobre a areia e não sobre a rocha, segundo a parábola de Jesus.
CARACTERÍSTICAS DAS IGREJAS QUE CRESCEM
As igrejas que mais crescem possuem, pelo menos, três características comuns: uso intenso de modernas ferramentas tecnológicas, forte liderança pessoal e uma poderosa marca institucional. É claro que existem outras características, mas quero me deter nestas três e refletir sobre os riscos que elas representam para o futuro da igreja.
A revolução tecnológica da segunda metade do século 20 e deste início de século 21 mudou o cenário religioso. A busca pela excelência funcional e por uma comunicação eficiente ocupa o topo das prioridades de muitas igrejas. Possuímos tecnologia para um bom planejamento estratégico, música de excelente qualidade, projetos de crescimento eficientes.
O problema é que a tecnologia tem o poder de substituir aquilo que Deus faz por aquilo que é feito pelo homem. Vivemos o risco de um perigo semelhante ao que Paulo percebeu na igreja de Éfeso, cujos crentes, segundo o apóstolo, tinham aparência de piedade e no entanto lhe negavam o poder. Ter uma boa música, não nos torna, necessariamente, adoradores. Um bom planejamento estratégico não tem o poder de transformar mentes e corações. Projetos eficientes não fazem de nós verdadeiros discípulos de Cristo.
Igreja bem estruturada não é sinônimo de comunhão. A crítica à Igreja de Laodicéia é de que ela era rica e abastada e não precisava de coisa alguma. Inclusive de Deus. A tecnologia vem se tornando um substituto para a fé. Mas essa eficiência não substitui o poder transformador do evangelho. Precisamos perguntar: é possível discernir o que Deus está fazendo? O primeiro risco que a igreja enfrenta hoje é o da negação de Deus. Não a negação de sua existência, mas do seu poder.
Uma segunda característica comum é a forte liderança pessoal. A liderança forte, bem como a tecnologia, em si, não constitui um problema. O risco está naquilo que nem sempre é percebido. Se a tecnologia traz o risco de uma igreja sem Deus, a liderança forte traz o risco de uma igreja sem netos ou bisnetos. Hoje, o que mais atrai os fiéis a uma igreja, além de sua funcionalidade, é o carisma de seu líder.
Ao ser perguntado pela igreja que frequenta, a resposta mais comum é "a igreja de fulano de tal". Essa liderança confere uma posição de destaque ao membro desta igreja. A pergunta é: igrejas assim sobreviverão à uma segunda ou terceira geração? Sobreviverão depois que seus grandes líderes saírem de cena? Sabemos que algumas megaigrejas na América do Norte entraram em rápido declínio na segunda geração de líderes.
O velho problema da igreja de Corinto se repete: uns são de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e alguns chegam a dizer que são de Cristo. O personalismo intensifica o narcisismo, que muda o objeto da adoração. Tanto na política como na igreja, a figura forte de um líder compromete o futuro. Vive-se um apogeu glorioso seguido por um rápido vazio e declínio.
A terceira característica é a forte marca institucional, que a torna atraente. Aqui vejo dois perigos. O primeiro diz respeito à busca por relevância. Porém, o que precisa ser relevante, a igreja (instituição) ou o evangelho de Cristo? É possível ser relevante e, ao mesmo tempo, comprometido com a verdade? Sem o evangelho e sem a verdade, qualquer esforço para ser relevante se mostrará, cedo ou tarde, totalmente irrelevante. A imagem que Paulo usa é a do tesouro em vasos de barro.
Não é o evangelho de Cristo que desperta o interesse de muitos para a igreja hoje, mas a própria igreja com seus métodos, programas, música e tecnologia. Isso não é necessariamente ruim. Nem sempre as pessoas serão atraídas pelos motivos mais nobres. O problema é que o vaso vai se transformando não só na porta de entrada, mas num fim em si mesmo. Quanto mais atenção se dá ao vaso, menor valor terá o evangelho.
O outro perigo é a perda da consciência de ser povo de Deus, Corpo de Jesus Cristo. Algumas igrejas que crescem rapidamente atraem uma quantidade considerável de cristãos frustrados com suas igrejas de origem, que ali chegam como a última alternativa institucional de sua jornada cristã. Envolvem-se com paixão, adquirindo uma forte identidade com aquele grupo em particular. O problema é que não são mais capazes de se verem como parte do povo de Deus em uma determinada região ou cidade, mas apenas como povo de Deus de uma igreja particular. É a negação do "povo de Deus" e a afirmação perigosa de uma elite religiosa superior.
CUIDADOS NO CRESCIMENTO
O desafio do movimento moderno de crescimento de igrejas requer alguns cuidados. O primeiro é o de preservar Deus como Deus na igreja. A tecnologia pode nos ajudar em muitas coisas, mas não transforma o coração e a mente caída do ser humano. Só seremos relevantes enquanto permanecermos envolvidos pelo que é eterno. Podemos usar os recursos modernos, mas precisamos nos assegurar que o que virá pela frente serão vidas transformadas pelo poder do evangelho de Jesus Cristo e não consumidores de programas e entretenimento religiosos.
O segundo cuidado é reconhecer a virtude da humildade. O testemunho de João Batista era: convém que ele cresça e que eu diminua. Este deve ser o espírito de qualquer líder. Jesus advertiu seus discípulos em relação ao risco do poder quando disse que entre os grandes e poderosos deste mundo, o maior manda nos menores. No entanto, disse ele, entre vocês não será assim. Quando a admiração por um líder diminui a devoção a Cristo, é sinal de que o espírito desta era já nos capturou.
O terceiro cuidado é compreender que fomos batizados num corpo. Somos o povo de propriedade exclusiva de Deus. Adoramos a Deus em uma comunidade local – grande ou pequena –, mas o Deus que adoramos fez uma aliança com seu povo do qual somos parte. O precioso tesouro foi confiado a um vaso de barro. Seja este vaso grande e inovador, ou pequeno e discreto, o que importa é o tesouro confiado a ele, sempre. Se a relevância pertencer ao vaso, o tesouro será negado à humanidade. É o Corpo de Cristo, todo ele, que revela a glória do cabeça da Igreja.
Os riscos do crescimento são invisíveis, mas muito grandes. Construir uma casa sobre a areia sempre foi uma opção atraente e sedutora. Mas formar discípulos fiéis e obedientes de Jesus Cristo, ensiná-los a guardarem seus mandamentos e obedecê-los, integrá-los em uma comunidade de adoração e serviço sacrificial, sempre foi uma tarefa difícil, lenta e trabalhosa.
Porém, quando vierem as tempestades e os vendavais testando o valor da fé, esta igreja, edificada sobre a rocha, testemunhará a glória da verdade redentora de Jesus Cristo.
Revista Cristianismo Hoje
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)
Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime
As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...
-
No livro " Acima de tudo" Brennan Manning narra as muitas vezes em que Jesus "foi reduzido" às necessid...
-
As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...
-
Durante anos da minha vida (que não são poucos) tenho lido, relido, ouvido falar e pregar sobre o nascimento de Moises. No entanto na últ...


