segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
LIBERDADE E PROIBIÇÃO POR PAULO CILAS
Já há algum tempo escrevi sobre a mentira que tomou conta do homem em Genesis 3. Retomo ao mesmo capítulo resvalando no mesmo tema, contudo, me atendo na liberdade dada ao homem e a posterior proibição impingida a ele.
A liberdade está clara: “De toda arvore comerás menos a do “conhecimento do bem e do mau”. Muito embora haja uma restrição a uma “arvore” não houve, contudo, impedimento para que tal acontecesse. Ou seja, liberdade tão plena que contemplava até o “direito” de desobedecer.
A grande mentira contada ao homem que teria o mesmo conhecimento de Deus e por isso seria igual a Deus foi bem recebida.
Sabemos, entretanto, que o homem mesmo sabedor do pior castigo – a morte – vive pensando ter liberdade total. E, na tal liberdade enfiam “o pé na jaca”.
É triste, por exemplo, ver meninos e meninas cada vez mais cedo só “curtindo a vida” devidamente aditivados pelo álcool. É! E sem álcool não conseguem se divertir. A mesma coisa pode ser aplicada ao sexo, cada vez mais precoce.
Não! Não sou moralista e muitos menos ingênuo a ponto de demonizar toda bebida e os festejos em que ela se faz presente. Também não ignoro a força da sexualidade. O que me espanta é a escravidão se tornar sinônimo de liberdade. É a dependência absurda em que o homem se submete julgando- se no controle. Dominado, mas, sentindo-se senhor.
O homem não sabe lidar com o conhecimento do bem e do mau. Perde-se rápido. Engana-se e é enganado facilmente.
Bem! E, se na liberdade da perfeição havia apenas a recomendação para sequer tocar “no conhecimento” agora, na desobediência e conseqüente expulsão do lugar perfeito, é imposta uma proibição taxativa. Querubim e espada guardam a arvore da vida. Pois é! O homem em pleno gozo da liberdade e conhecimento do binômio bem/mal está proibido de tocar na “vida”.
Pretensamente livre e condenado à morte!
E, agora, proibido de viver resta ao homem – se quiser continuar vivendo – sujeitar-se. Abrir mão de toda sua liberdade e render-se a Jesus. A volta a arvore da vida passa por ELE. E isto é totalmente loucura para a mente iluminada da humanidade.
É paradoxal. Mas, a Porta estreita de entrada é a mesma de saída que nos faz encontrar campos abertos. Perco para ganhar. Morro para viver. Na minha liberdade me tornei escravo e morri. Quando me rendi a Jesus fiz-me servo e Ele me chamou de amigo. Renunciei ao que julgava ter e não tinha me tornando herdeiro do que jamais pensei existir. Descobrir que já não há mais proibição e, sim, proteção. Sou livre de novo!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
SOBRE NATAL - GENIZAHVIRTUAL
Papai Noel, Natal, árvores, presépios... É paganismo do demônio? Ah! Vão lamber sabão, cambada de fariseus!
RESPOSTA A UMA LEITORA CONFUSA. MAIS UMA VÍTIMA DA GUERRA DE INFORMAÇÃO PATROCINADA POR CRENTINOS TODOS OS ANOS, NAS VÉSPERAS DO NATAL
Minha amada irmã: Feliz Natal e Feliz Ano Novo!
Minha querida amiga, se você for entrar nessa paranóia, terá que sair do mundo.
Paulo disse que a gente deve ir ao mercado, comer de tudo, dar graça a Deus, e celebrar a vida em paz.
Se você for se preocupar com a origem de coisas, nomes, festas, datas, etc., você terá que sair do mundo.
Não trate isso como coisa do diabo, pois, assim, virará coisa do diabo na sua cabeça...
Não ajuda em nada.
Ninguém que comemora o Natal está pensando no diabo.
As únicas pessoas no Evangelho a quem Jesus chamou diretamente de “filhos do diabo” não estavam vestidas de “Dia de Papai Noel”, mas de FARISEUS (Jo. 8).
Paulo nos ensina a não ter tais conflitos, e a termos paz com uma certeza: Todas as coisas são puras para os puros; porém para os de mente impura, tudo fica impuro.
Sobre o fato das coisas poderem ter origem “pagã”, o espírito do que Paulo declara é o seguinte acerca de algo muito mais sério — que é a comida sacrificada aos ídolos, ou até mesmo comida de um despacho na esquina:
No que diz respeito às coisas sacrificadas aos ídolos, já sabemos, todos, o seu significado.
Saber... apenas saber... incha o ser e nada mais.
Somente o amor edifica.
Desse modo, se alguém tem a pretensão de achar que sabe alguma coisa, de fato ainda não aprendeu como convém saber.
O verdadeiro conhecimento vem do amor, pois se alguém ama a Deus, esse é conhecido por Deus.
Digo isto tudo porque eu sei que todos vocês sabem que comer coisas sacrificadas aos ídolos nada significa. Afinal, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só.
Ainda que haja muitos que se chamem de deuses e senhores, ou que assim sejam chamados — seja no céu seja na terra—, todavia, para nós, há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também.
Mas isto é o que nós sabemos. Entretanto, nem todos têm esse conhecimento.
Isto digo porque há alguns que, acostumados até agora com a devoção ou temor do ídolo — como se o ídolo de fato tivesse poder —, comem coisas sacrificadas aos ídolos como se o ato de comer expressasse algo espiritualmente significativo.
Desse modo, quando comem, sua consciência sendo ainda fraca e ignorante, contaminam-se em razão do próprio significado que atribuem àquilo que, em si mesmo, não é nada.
As coisas ganham o significado que nossa consciência atribui a elas!
Todavia, não é a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não ficamos piores se não comermos, nem ficamos melhores se comermos.
Portanto, não estamos falando do que é em si, mas daquilo que as coisas se tornam, em razão da projeção de valor a elas atribuído.
Desse modo, vejam atentamente que a liberdade de vocês — fruto do saber verdadeiro —, não venha a ser motivo de tropeço para os fracos, ou seja: para aqueles que ainda olham para a comida sacrificada ao ídolo ou para o próprio ídolo, como se a "coisa" tivesse em si algum valor ou poder.
Assim, se um desses supersticiosos virem você, que tem “ciência”, reclinado tranqüilamente comendo à volta de uma mesa num templo de um ídolo, poderá pensar que você está ali atribuindo culto e valor àquilo que para você não tem nenhum valor.
E assim, poderá ser induzido pela sua liberdade, a comer com a consciência fraca e supersticiosa as coisas sacrificadas aos ídolos... como se a sua presença ali avalizasse também o ato dele.
Não é, porventura, assim, que “eles” interpretariam sua presença no lugar?
Desse modo, ironicamente, pelo saber e pela liberdade que você já adquiriu, alguém que ainda está na ignorância pode vir a sucumbir à superstição.
Assim, por causa da “ciência” que você possui, alguém poderá perecer... aquele que é fraco, o teu irmão por quem Cristo morreu!
Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência ainda débil e fraca, vocês estão pecando contra Cristo.
Dessa forma, o que se deve saber é o seguinte:
O ídolo não é nada para você, em razão de você já saber que ele não é nada mesmo.
Sozinho - ou em companhia de pessoas maduras - você comer onde e o quê bem desejar!
No entanto, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei em sua presença nada que o faça tropeçar, isto porque não quero servir de tropeço à consciência fraca de meus irmãos... que ainda não discerniram a grandeza da liberdade que em Cristo eu tenho.
De minha parte, não quero jamais induzir meu irmão ao engano simplesmente por não carregar em mim uma consciência que antes de tudo saiba saber no amor.
Jesus disse que o mal não vem de fora, vem de dentro.
Fico “raivoso” é com quem veio inventar mais esse grilo para a sua cabeça.
Tais pessoas gostam que a vida seja um perigo, e vêem o diabo em tudo.
A mente delas está cheia de medos, e tentam fazer discípulos de seu próprio medo, e superstições.
Não entre nessa. Se entrar, sua cabeça ficará uma confusão cada vez maior.
Fuja dos inventores de demônios e de bruxas!
Eles vivem de proibir as coisas, e quem os segue acabará preso no medo, e não terá mais prazer em nada na vida.
Celebre seu Natal em Cristo!
A árvore é uma gracinha, e o Papai Noel é um folclore infantil.
Desejar fazer dele um demônio é GOSTAR DE SOFRER À TOA!
A vida já é difícil demais. Não a complique.
Não se preocupe com a Árvore de Natal.
Quem tem a Árvore da Vida na alma não se preocupa mais com qualquer outra árvore, nem com a plantinha “comigo-ninguém-pode”.
Assumo responsabilidade espiritual pelo que estou dizendo a você!
Foi para liberdade que Cristo nos libertou.
Santifique todos os dias com gratidão, e todos os dias serão santos.
Feliz Natal para você e todos os seus.
Nele, que nos salvou para viver em paz em qualquer dia do ano,
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
SEM DÚVIDA - PAULO CILAS
Os filósofos da antiguidade levantaram a questão! Afinal, quem somos, de onde viemos e para onde vamos?
Discorrendo sobre "quem somos" Chico Anísio deu sua contribuição: Se você comprou um imóvel em cooperativa se tornou mutuário. Se deixou de pagar, inadimplente. Se for preso, torna-se elemento. Doente no hospital,paciente. E, assim ele humoradamente afirmava que nós somos aquilo que as coisas nos transformam e, eu, acrescento que vamos perdendo nossa real identidade para os títulos - doutor, pastor, bispo, chefe, empregado etc - até chegarmos ao dia em que apenas seremos chamados de "corpo". Que será enterrado em "tal cemitério".
A confusão está instalada. A ciência, ou melhor, alguns cientistas determinam que viemos de uma forma de vida unicelular gerada numa "poça ou sopa primordial". O nosso antepassado-mor seria nada mais nada menos que uma ameba. Divã para todo mundo, urgente!
Tais cientistas também tentam alargar o tempo de vida aqui neste planeta que, segundo eles, somente existe como fruto do acaso. É a tentativa de se resolver outra parte do dilema: para onde vamos? Nesse caso , não vamos. Ficamos. Ou , tentamos ficar para não termos que ir. E, rememorando, ir, nesse caso, quer dizer tornar-se corpo que vira pó ou cinza.
A Bíblia afirma que do Senhor é a terra e a sua plenitude. O mundo e todos que nele habitam Sl. 24.1. Sabemos de onde viemos! . Jesus afirma que aquele que beber a água que Ele oferece, tal água jorrará para a eternidade(Jo.4.14) e, também, que na casa do Pai há muitas moradas e Ele mesmo nos prepara lugar (Jo 14.1). Beleza! Sabemos para onde vamos!!!
Por fim, todos, absolutamente todos teremos que nos encontrar com O Autor da Vida. Poderemos chegar nesse dia sem ainda saber quem somos ou como ateus. Como crentes ou descrentes. Poderemos chegar até indiferentes. Há a alternativa de chegarmos como doutores, pastores, bispos chefes e "piões",elementos ,pacientes, inadimplentes,etc. Mas, bom mesmo é chegarmos como filhos - Jesus nos deu o poder de sermos filhos de Deus Jo.1.12- E, filhos sempre chegam ou voltam para casa. A Casa Do Pai!
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
OS DOIS LUGARES DE DEUS - PAULO CILAS
Is 57.15
“Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.”
Nada do que façamos: templos, músicas, instrumentos, reuniões, programas, nada, absolutamente nada, chega aos pés do que o Senhor já tem. Um lugar Alto e Sublime! Está escrito que nesse lugar há um rio de águas cristalinas cujas correntes alegram a cidade de Deus, o Santuário das moradas do Altíssimo (Sl 46.4). Na parte final do livro de Jó O Senhor pergunta onde estava Jó quando as estrelas da alva cantavam alegremente e todos os filhos de Deus rejubilavam? Que coral humano por mais competente que fosse substituiria isto? Então a conclusão óbvia é que por mais que o homem se esforce não conseguirá fazer nada que Deus já não tenha em maior e em melhor tamanho. Deus continua morando no seu Alto e Sublime lugar, a grandeza do homem não o impressiona, pois Ele sequer habita em templo feito por mãos humanas At.7:48.
Porém há possibilidade de uma segunda moradia de Deus. É como se Deus saísse do seu lugar, da Sua moradia e fosse para outro ambiente. Este lugar é o coração quebrantado do homem humilde. Eis o segundo lugar de Deus.
Quando Jesus vem anunciar a salvação Ele estabelece a teologia da toalha e da bacia isto é, do servir, do maior como o menor. Ele prega não a guerra, o combate e a força, mas, sim, a graça e a misericórdia, o perdão e a simplicidade das crianças. Para nós, como igreja, sermos essa segunda moradia de Deus precisamos entender plenamente isso. E entender isso não tem sido fácil, haja vista o complexo de superioridade que tem tomado conta da Igreja que tem sido “chamada” de Cristo. Os brados de vitória, conquistas, domínios e suntuosidades de templos e pessoas têm tomado lugar da modéstia dos joelhos dobrados. Muitas vezes há muitos risos e poucas lágrimas, muitas determinações e poucas convicções, muitos lideres e poucos servos, muitos maiores e poucos menores. É o homem tentando fazer algo grande ignorando que jamais chegará ao que Deus já tenha.
Ouço do Pr. Ed René Kivitz uma frase: “A igreja não é de cetros e espadas e sim de bacias e toalhas”! Precisamos dar ouvidos ao que Jesus disse a Pedro: Guarda a tua espada porque se eu quisesse viriam 12 legiões de anjos. Portando você quer que Deus deixe o seu trono e venha até você? Ofereça então um ótimo lugar, que será sempre o coração quebrantado, abatido (contrito) daquele que somente espera no Senhor.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
DEUS NÃO É SOBRENATURAL - ZÉ BRUNO
Olhai as aves do céu…
Eu não gosto do uso da palavra sobrenatural em relação a Deus. Não é que eu não goste por mero capricho, mas por três motivos: Deus não é sobrenatural; o mau uso desta palavra acaba criando frustrados ou cínicos; e seu uso cega-nos para a “naturalidade” de Deus e de seu modus operandi.
Um ser ou um evento é sobrenatural quando não provém da natureza, logo sua explicação não se submete as leis naturais. Se a criação fosse entendida apenas como uma criação natural, o adjetivo seria correto, todavia Paulo, apóstolo, nos diz que a criação é composta tanto de elementos naturais quanto de sobrenaturais:
Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.[1]
A criação não é formada apenas por aquilo que podemos ver ou conhecer, mas também por um mundo invisível, com seres e lugares invisíveis, criados antes dos humanos e do mundo, que podem ser bons ou maus e assim como os seres humanos, são criações de Deus.
Dizer que Deus é sobrenatural é desconsiderar no uso desta palavra que o Criador está também acima do sobrenatural. Sendo assim, melhor seria fazermos coro com a teologia cristã que cunhou a palavra transcendência como atributo divino, mas não inventou a roda, apenas codificou neste termo parte daquilo que as Escrituras já diziam acerca da divindade em relação a sua criação.
Transcendência é um atributo divino que diz que a divindade está acima da sua criação, quer natural quer sobrenatural, e assim não se confunde com ela. Em seu livro Vivendo com Propósitos, Ed René Kivitz nos oferece uma explicação mais refinada:
A transcendência trata do Deus Totalmente Outro, como se referem os teólogos, aquele que “habita em luz inacessível”… Deus está no mundo, mas não é o mundo. Deus abrange o todo, mas é mais do que o todo. Deus está aqui e além. Por uma razão simples, Deus é, e não pode ser contido pelo que está.[2]
Outro motivo que me faz não gostar do uso da palavra sobrenatural em relação a Deus é que os discursos popularizados nos jargões, canções e preleções fomentam uma expectativa que só poderá ser satisfeita com o “sobrenatural” e assim tem gerado uma geração de crente frustrados ou cínicos. Frustrados porque suas expectativas não são atendidas e cínicos porque quando frustrados, ignoram isto e continuam na mesma.
A última razão é derivada da segunda, pois por falarmos como pensamos, expressões do tipo “receba o sobrenatural de Deus”, “vivendo no sobrenatural de Deus” e outras correlatas criam uma imagem limitada da divindade, dando a percepção de que o Altíssimo só age de maneira sobrenatural, logo a cura do câncer de forma sobrenatural é facilmente atribuída a Deus, todavia a cura do mesmo câncer através da ciência médica não é vista como uma ‘cura divina’.
Esta visão parcial do modus operandi divino nos rouba a graça da vida, pois deixamos de ver Deus na natureza e é ela quem nos revela o seu poder:
Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis[3]
A presença de Deus na criação é o atributo da imanência, o qual nos permite vê-Lo nela. Se a transcendência torna Deus distante e inacessível, é a imanência que O faz permear o mundo e torna-O perceptível. Conforme se expressou Paulo:
Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de tudo (transcendência), por tudo e em tudo (imanência)[4]
No demais, que possamos ser mais reflexivos e que avaliemos sempre nossos discursos e linguagens pelo crivo do evangelho, afinal os discursos de qualquer natureza têm muito a nos revelar acerca daqueles que os proferem e com relação aquilo que alguns evangélicos brasileiros andam cantando, pregando e escrevendo, percebe-se um distanciamento entre o discurso e as Escrituras que não deixa de ser tão grave quanto o distanciamento entre a vida e a fé!
Naquele que transcende e imana toda a criação,
terça-feira, 16 de outubro de 2012
TRINTA E DEZENOVE ANOS - PAULO CILAS
Dessa maneira anuncio minha nova idade. Uma tentativa de ludibriar os quarenta e nove anos que se aproximam. No Salmo 90, Moisés pede que Deus nos ensine a contar os nossos dias para alcançar um coração sábio.
"Consideremos alguns elementos chaves nessa oração: Primeiro, somente Deus conhece quantos dias restam da nossa vida. A certeza da morte é inegável. Igualmente certo é o fato de que ninguém sabe em que dia ela virá. Deus, nosso Professor Supremo, conhecedor de todas as coisas, marca a carga horária na escola da vida. Ele é quem assina o diploma ou reprova os alunos".
Mas, como se dá isso? Será que somente contando meus dias, sabendo dividir um ano em meses e meses em dias mostra que sou um sábio?
Há algo mais. Algo que é muito maior do que somente contar o tempo passar. Contar os dias é saber o que fizemos com aqueles passados. O quanto fomos curados daqueles que nos feriram. O quanto aprendemos com aqueles que nos fizeram cair. O que aprendemos com as boas palavras ouvidas, as belas canções sentidas e com os bons exemplos dados por alguém.
É isso! Contar os dias é saber exatamente onde estamos hoje, o que somos e o que seremos quando o amanhã chegar. Muitos têm somente existido amesquinhados pelas banalidades, egoísmos, traumas, invejas, frustrações. Viver é mais do que isso. Claro que os momentos duros são inegáveis, porém, há algo além do lamento, da dor, da tristeza e da perda. Viver é tirar sensibilidade da lágrima, serenidade da tristeza e firmeza ante os ventos contrários.
Casimiro de Abreu declamou: “Que saudades da aurora da minha vida”! Aos “trinta e dezenove anos” não quero desperdiçar e nem deixar de lembrar os dias que vivi, desde os mais exultantes aos mais tenebrosos. Não quero abrir mão deles, e nem fugir. Quero aplicar ao hoje, ensinar com eles a mim mesmo e a quem eu puder lições de vida e da vida. Porque, dizem por aí, que o inteligente aprende com seus próprios erros, mas, o sábio aprende com os erros dos outros. Então, se eu contar os dias ruins, eles contribuirão para que alguém se torne sábio.
E me lembrarei sempre dos dias bons! Assim como os dias maus, eles me formataram. E, até hoje me fazem sorrir ou liberar uma sonora gargalhada. Os meus dias me fazem ser quem sou.
Assim eu prossigo. Assim, prosseguimos todos. Uma senhora aos 80 anos disse: “se alguém passa um ano todo deitado inevitavelmente envelhecerá um ano, mas, não necessariamente crescerá mais um ano. Podemos, então, somente envelhecer com o passar dos dias, ou, crescer, contando- os e aprendendo com eles.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
LIVRO "CAMINHO DE JESUS E OS ATALHOS DA IGREJA - EUGENE PETERSON
SALMO 130:“ESPERO NO SENHOR COM TODO O MEU SER, E NA SUA PALAVRA PONHO A MINHA ESPERANÇA.”
Para as pessoas que estão no caminho, a espera é uma imposição penosa. Estar no caminho significa que estamos nos dirigindo a um destino. Para um viajante ávido e resoluto, a espera pode ser recebida somente como uma interrupção, uma demora, correr, passear, guiar um carro, conduzir um cão, cavalgar, enfim, o que quer que seja que façamos no caminho é o que fazemos no caminho. Senão, por que estaríamos no caminho?
Mas há momentos em que somos incapacitados de fazer nosso caminho no caminho. Uma perna quebrada, um acidente que nos deixa amarrotados numa vala, um atalho promissor que nos deixa irremediavelmente atolados num charco. É aí que esperamos. Não temos escolha. Não faz diferença quantos transeuntes animados nos dão acenos de encorajamento, torcendo para que cheguemos até o céu com palavras de ânimo e incentivo, vociferando conselhos, citando passagens da Escritura (“estejam preparados...”; “...toma a tua cruz e segue-me”; “ corre com perseverança...”). Mas não conseguimos. Estamos na extremidade da corda. Estamos com a água já cobrindo a cabeça. Oramos. Oramos porque não há nada que possamos fazer por nós mesmos, e não há nada que ninguém mais possa fazer por nós. Oramos “das profundezas”.
“Das profundezas” abre o coração. “Profundezas” é um termo do vocabulário da geografia – vale, ravina, águas profundas, fosso, vala – que em geral é usado como metáfora: insondável, profundidade de corrupção, angústia, apostasia. Certamente há um referencia implícita ao pecado em todas essas profundezas. O pecado não é uma mancha superficial na alma ou no corpo; ele penetra até as profundezas. O pecado não responde a tratamentos cosméticos; ele exige uma operação na fundação de nossa vida.
Mas é o seguinte: o pecado não nos desqualifica de estarmos no caminho. O pecado não nos expulsa de nosso lugar no caminho. Podemos estar parados, incapacitados, perdidos, deprimidos, zangados, confusos, aturdidos, mas ainda estamos no caminho: “Se tu, Soberano Senhor, registrasses os pecados, quem escaparia? Mas contigo está o perdão para que sejas temido” (v. 3-4). Outra maneira de expressar isso é “Se você, Deus, mantivesse um registro dos erros cometidos, que possibilidades nos restariam? Mas o que se percebe é que você tem o hábito de perdoar, e é por isso que você é adorado” (tradução portuguesa não oficial de A mensagem). Estando no caminho de Davi, somos tratados no caminho de Jesus; portanto, como diz Paulo, “agora já não há condenação” (Rm .1).
Em suma, há muito mais coisas acontecendo no caminho do que simplesmente chegar a um destino. E há muito mais coisas acontecendo no caminho do que simplesmente aquilo que nós estamos fazendo. Há o que Deus está fazendo. Por essa razão, esperamos no Senhor. Paramos, seja por escolha, seja por circunstância, para podermos estar alertas, atentos e receptivos ao que Deus está agindo em nós e por meio de nós, nos outros e por meio dos outros, no caminho. Esperamos até que nossa alma e nosso corpo estejam no mesmo compasso. Esperar pelo Senhor é a maior parte do que fazemos no caminho, porque a maior parte do que acontece no caminho é o que Deus está fazendo, o que Deus está dizendo. Boa parte do tempo, incapacitados ou debilitados pelo pecado, não conseguimos fazer o que precisa ser feito, então esperamos em Deus para que ele o faça em nós. Muitas vezes, não sabemos o que fazer, então esperamos até compreender o que Deus ordena que façamos. A espera não é somente “esperar por aí” de forma indolente. Esperamos “pela manhã”, o que significa dizer que aguardamos com esperança. Esperamos enquanto sendo “regatados, curados, restaurados, perdoados”. Esperamos em Deus para fazer o que não somos capazes de fazer por nós mesmos “nas profundezas”. Quando foi ele que fez, estamos mais uma vez no caminho.
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