quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AVE, MARIA E JOÃO! - POR PAULO CILAS



Em 1985, numa igreja em que eu atuava no Rio, me ocorreu que jamais tinha ouvido uma mensagem sobre Maria. E não era questão de machismo e discriminação com as mulheres, pois sobre Rute e Ester, Noemi, Lóide, Priscila, Lídia e outras, eu já tinha ouvido muitas vezes. Às vezes, até me perguntava de onde tiravam tantos argumentos para falar da avó e da mãe de Timóteo, já que foram pouco citadas. Mas, de Maria, nada.

Então, ousei naquele ano pregar uma mensagem sobre ela. Fiquei meio preocupado de como seria a aceitação daqueles que me ouviriam pois, se uns tiraram a humanidade de Maria colocando-a como ídolo – Rainha coroada no céu -, outros, por causa do ídolo, desqualificavam a pessoa, a mulher mãe de Jesus. Em Lucas 1: 48, 49 provavelmente Maria faz uso de um cântico conhecido e acrescenta sua pessoalidade: De como o Senhor atentou para a “pequenez de sua serva” e daquele momento em diante ela seria “chamada de bem aventurada”.

Na elaboração do sermão, fiquei pensando no que Maria viveu desde a anunciação até o nascimento de Jesus. Imediatamente ela perderia o futuro marido não fosse a intervenção divina. Num exercício de imaginação vislumbrei a turma da matemática (a turma que fica fazendo a conta do dia do casamento e o tempo do nascimento da criança) em possíveis piadinhas ou rejeição. Sem contar os enjôos naturais a qualquer gravidez. Pensei ainda, acima de tudo, na responsabilidade que toda mãe decente teria e que no caso de Maria se tornou maior ainda. Em algum momento chamaria até de fardo pois ela não poderia falhar na segurança daquele neném, que mesmo sendo Deus encarnado, dependia integralmente dos cuidados maternos.
Contudo, Maria além de não “abortar” Jesus de sua vida também não usou aquela circunstância para vantagens pessoais e honrarias impostas.
Maria ganhou em mim um admirador. Alguém que, verdadeiramente e sem reservas, a tem como bem aventurada.

Muitos anos depois fui chamado à atenção para João Batista. Como foi para ele viver afastado de tudo, talvez não tendo nem mesmo escolha de ser outra coisa na vida senão aquilo para o qual foi ungido desde o ventre abrindo mão da vontade própria? E, depois, tendo seguidores e sendo honrados por esses, simplesmente ao ver Jesus diz: “Agora vocês seguirão a Ele, porque eu não sou digno de desatar as suas sandálias. O que importa mesmo é que Ele cresça e eu diminua”.
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Que exemplo desses dois! De entrega e renúncia. A postura de ambos é para mim como soco no estômago. Meu Deus, quantas vezes reivindiquei coisas, honras, respeito. E penso que se Maria e João fossem mais apercebidos, pregadores e líderes (?) se tornariam mais humildes, não ditariam tantas mensagens e tantas diretrizes no nome do Senhor, não profetizariam tantas conquistas. Todos se calariam mais. Jamais pediriam dinheiro, carro, e até mesmo avião “para fazer a obra do Senhor”. Tornaríamos-nos mais servos e jamais senhores de qualquer coisa. E, em recebendo coisas, seriamos tão somente gratos julgando-nos não merecedores.

Maria e João. Ave! (saudação de honra). Dele, preso e decapitado, Jesus diz: “Dos nascidos de mulher, ninguém foi maior”. Dela, aprendi a dizer eu mesmo: Enquanto muitos se exaltam, se portam como se tivessem o rei na barriga, ela se humilhou, adorou a Deus. E, verdadeiramente, teve o Rei na barriga.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ELE VEIO PARA "MATAR, ROUBAR E DESTRUIR"... MAS "ELE" QUEM? - POR PAULO CILAS


Claro que se eu fizer essa pergunta, na maioria dos lugares a resposta imediata é: O diabo. Alguns "juram de pé junto" que está escrito na Bíblia "o diabo veio para matar, roubar e destruir" no texto de João 10.10. Mas fato é que no verso não está escrito "o diabo", mas sim "o ladrão". E ainda que a pecha de ladrão, de assassino e de destruidor caiba bem no diabo vejo nesse verso, dentro do contexto geral do capítulo 10, que não é bem dele que Jesus está falando.

Lendo a ilustração no início de João 10 vemos no discurso de Jesus sobre o Bom Pastor, que é Ele mesmo, uma menção aos mercenários. No verso 8 Jesus descreve os que vieram antes dele como ladrões e salteadores. No 12 ele diz que o mercenário vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge. No 13 foge porque ele não é o pastor, porque ele não tem cuidado das ovelhas, porque ele só tem compromisso com seus próprios ganhos.

Sendo assim tal declaração de Jesus talvez nunca teve cumprimento tão definitivo quanto nos dias de hoje em que muitos não tendo compromisso nenhum com as ovelhas, cuidado nenhum com elas verdadeiramente estão matando a fé e a identidade individual - porque muitos estão se tornando massa manobrada em nome de uma fé cega de chavões e crendices. Muitos estão roubando tempo de vida, dias de trabalho. "Ovelhas" pensam trabalhar para o reino de Deus, mas na verdade estão gastando seu trabalho e esforço para edificação de reino de homens.
Ah! Mas roubam dinheiro também, e como!
Estão destruindo a convivência, a harmonia, a unidade, a humildade. Muitos estão levantando as bandeiras de seus líderes, de suas denominações deixando de viver a fraternidade, a comunhão e o amor ao próximo. Outras destruições seguem a essas: destruição da esperança, da fé, do bom testemunho. Pessoas acabam decepcionadas com a carreira cristã. Outras, alienadas, só conseguem andar conduzidas por amuletos e muletas e não conseguem uma vida pessoal diante de Deus.

Claro que não é tão simples escrever ou ainda aceitar o que estou escrevendo. Ouvi de um aluno há muito que com essa afirmação eu estava jogando fora anos do conhecimento bíblico dele. Ouvi de outro enquanto líamos o texto juntos que compreendia o que eu explicitava, no entanto que era difícil abrir mão da ideia de que era o diabo que veio matar, roubar e destruir. E o mais curioso é que muitos que matam, roubam e destroem mencionam sempre o nome do diabo.

Sei que pregadores, muitos dos quais eu admiro, pregam que o diabo é a personagem da matança, os ouço até no púlpito da igreja onde estou, mas mesmo assim insisto: Lendo Jesus falar sobre os enganadores em diversas ocasiões, o mesmo acontecendo com Paulo, Pedro e João que também fazem menção de oportunistas que têm como "deus" seu próprio ventre e que buscam sua própria glória e não a de Deus, não vejo outra interpretação senão a que está bem claro no texto. E, se no capítulo 10 de João há um papel para o diabo, é a figura do lobo.

Então bendito é o que ouve a palavra do Bom Pastor e que reconhece a sua voz. Esse é guardado dos ataques. Mas o que dizer dos que tem ouvido a voz dos mercenários? Ficarão à mercê do lobo.

Assim penso e assim estou seguro: Ainda, repito, que pela sua fama é fácil chamar o diabo de matador, roubador e destruidor, escrevo com convicção que Jesus está falando de homens maus que dizem querer cuidar de ovelhas. Que a inspiração desses é o maligno não tenho dúvida pois normalmente os tais são soberbos,ainda que muitas vezes em capa de humildade, gananciosos, mas se dizendo visionários, e sem freio entretanto, se dizendo conquistadores. Penso que é desses que Jesus está falando.

Ps. O bom livro "Esgotamento Espiritual" de Malcom Smith que li há  mais de quinze anos, traz algo sobre o assunto.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PARA NÃO DIZER QUE EU NÃO FALEI DAS FLORES - POR PAULO CILAS (reprise de outra primavera)



Essa música de Geraldo Vandré marcava uma era de revolta e insatisfação contra um regime político. As flores do título representavam a possibilidade de liberdade, uma liberdade ideológica que talvez só trocaria um regime ditatorial por outro. As flores na música poderiam ser tanto um desejo verdadeiro de justiça e liberdade como a anarquia de muitos que abraçavam uma luta sem nem mesmo saber do se tratava e tudo que a envolvia. Mencionar as flores serve para esse fim politico, como também, na pena de um poeta, exprimir sentimentos: “As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume”...
Mas, quero falar de outras flores. Flores que estavam no Jardim do Éden, sejam as flores de um canteiro, sejam as flores que prenunciam os frutos. No Jardim da Perfeição, elas presenciaram tal perfeição ser contaminada, agredida, transformada e transtornada por uma atitude rebelde. Uma desobediência de quem não deveria obedecer por obrigação, mas por ser a melhor maneira de continuar caminhando entre as flores no jardim. Com a queda, as flores choraram. Não sei se foi aí que, junto com as rosas, apareceram também os espinhos. Fato é que está escrito que os cardos e abrolhos apareceriam também.
Salto a cena e vou para outro jardim, Getsemani. As flores desse jardim contemplam agora o Perfeito, o Cordeiro Imaculado experimentando a agonia, a angústia, a comoção que o faziam suar sangue. As flores, agora nascidas em terra impura, contaminadas pelo mal, também aguardam ansiosas que Ele vá até o fim, que Ele complete a sua missão e promova a redenção de toda a natureza que geme.
No primeiro jardim, o lugar era perfeito, o homem caído o contaminou. No segundo, “O Homem” era perfeito, e mesmo tendo tudo contra, Ele “fez seu rosto como um seixo”. Sinal de determinação de quem iria para a consumação de tudo. “Pelas suas pisaduras somos sarados” e "Ele olhará a nós e as flores, e com elas toda a criação e “verá o fruto do seu penoso trabalho”.
“Aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves e a voz da pomba ouve-se em nossa terra. A figueira começou a dar seus figos e as vides, em flor, exalam seu aroma” (Ct.2.12,13)
Feliz Primavera!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ESTÁTUA!! - POR PAULO CILAS



A brincadeira era até legal. A um comando com o grito "estátua" todo mundo tinha de ficar paralisado. Claro que havia a tentativa de ludibriar o comando em busca de uma posição mais confortável e as brigas intermináveis sobre quem se mexeu primeiro. Mas, afinal, tudo era brincadeira.

Mas a Bíblia nos traz uma história de alguém virando estátua. E não foi de brincadeira: "E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal" Gn. 19:26.

Tentei entender essa passagem bíblica sem a contaminação das histórias narradas em livros mitológicos e transformadas em imagens nos filmes como “Fúria de Titãs”. Digo isso porque não poderia incorrer no erro de tentar imaginar a cena Bíblica como um conto tipo "As Mil e Uma Noites" ou da carochinha. Mas, como entender o que realmente se passou na fuga de Ló da cidade de Sodoma ,vizinha de Gomorra?

A luz é lançada através da advertência de Jesus: “Lembrai-vos da mulher de Ló”!! Lc. 17:32. É curioso O Senhor fazer menção de uma personagem que sequer tem seu nome citado. Ora, se a importância não está em seus feitos e nem em sua própria pessoa resta o capítulo final de sua vida. E o que foi essa cena final?

Imagine essa mulher apegada ao seu padrão de vida, às coisas adquiridas, ao estilo de vida dos moradores de Sodoma e de repente tendo de largar tudo aquilo? Ela olhou para trás porque com certeza lamentava sair dali, pois queria ficar. Em uma decisão mais grave, era como os hebreus desejando a volta ao Egito, querendo as iguarias egípcias. Com certeza houve ali um cataclisma envolvendo as entranhas da terra que passaram a cuspir para o ar fogo e enxofre e que, ante a ordem de Deus,agora caíam sobre aquelas cidades. No entanto, não só o enxofre caía, mas também um elemento fundamental daquele local: O sal. Que ainda hoje é visto no Mar Morto e em suas margens em alta densidade. Isso mesmo, das entranhas daquela terra foram cuspidas borras com este principal elemento.

E como aquela mulher não saiu correndo em disparada, em sua hesitação ela foi tomada por uma dessas borras, que a envolveu e ficou ali "estatelada".

Somos chamados a sair desse mundo, a corrermos desse mundo, não sermos amigos desse mundo. E aqui não falamos de bobagens criadas por religiosos - que vivem dizendo “o que pode e o que não pode”- mas do espírito maligno desse mundo. Estamos falando do império das trevas que tem governado aqui. Somos chamados a correr desse mundo, a olharmos a pátria além e se não entendermos isso, ficaremos obcecados pelas vaidades desse lugar e de seu espírito sombrio que tenta nos seduzir. Ficaremos com pena de deixar “as coisas boas”. Daremos valor aos sentimentos errados, como orgulhos e vaidades. As conquistas daqui nos encherão os olhos ... E passaremos a correr o risco de também ficarmos retidos pelos elementos principais que constituem esta Sodoma dominada pelo mal que ora tem como príncipe a satanas.

Ouçamos a voz de Deus ou ouviremos a voz desse mundo dizendo: Estátua!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A SALVAÇÃO: DA ARCA E A DE JESUS - POR PAULO CILAS



E lá estavam Noé e sua família sendo salvos da tragédia do dilúvio. Era uma boa salvação. Entretanto, por ser provisória, era uma salvação, diria, um tanto quanto desconfortável. Mesmo sendo a arca razoavelmente grande, ela estava lotada dos pares de animais – sete pares de puros e dois de impuros, todos cheirando mal. Já ficou perto de cachorro molhado? E de galinha? Para mim, naquele momento, todos estavam rebaixados à categoria de impuros, sujos.
E o que eles produziam ao longo da estadia de praticamente um ano na arca? É certo que a dieta era de acordo com a circunstância, entretanto, a produção de “adubo” da bicharada estava a todo vapor. E a arca não podia ser muito aberta e arejada por motivos óbvios. Ela era uma ilha cercada de água por todos os lados e, pelo menos durante quarenta dias, por cima também.
A situação não era fácil! Mas, ou aguentava o casal de bode suando ou caía fora morrendo afogado. A mesa das refeições devia ser uma festa. Os cheiros se confundiam. E como disse acima, a coisa demorou quase um ano, o que em lugar fechado, sem ter para onde ir e apenas fazendo as tarefas de manutenção, deve ter parecido uma década.
Um dia percebi que muitos, eu também, viviam a salvação como que dentro da arca. Uma salvação apertada, mal-humorada e que só valia à pena porque ou era ela ou a danação eterna. Havia ainda uma mórbida satisfação, algo como um prêmio, que era o fato do pessoal que vivia rindo, desfrutando do mundo, ir todo “pro inferno”! Sim, tal salvação parecia só fazer sentido se houvesse a certeza de que essa turma que não “tava” no mesmo aperto que eu fosse queimar no mármore do inferno.
Um dia abri os olhos! Li em Jo. 10:9 que Jesus é A PORTA! E ELE se apresenta como uma PORTA DE ENTRADA e, também, de SAÍDA. “Quem entra por esta PORTA, entra, sai e encontra pastagem, isto é, espaço, liberdade, VIDA ABUNDANTE!
Saindo da perdição, do império das trevas, eu entro para O REINO DO FILHO DO SEU AMOR e ali pela mesma porta eu saio para uma dimensão muito maior desse REINO. Eu descubro que estar em DEUS é muito mais do que escapar do mal. Que a vida é algo muito maior, superior, independente da morte. Sou livre, não troquei uma prisão por outra melhor. Não tenho uma salvação provisória e apertada. Muito menos preciso de arcas modernas maquiadas da embarcação de luxo - tudo tem sido feito para que as pessoas fiquem na “igreja”, trancadas nelas-. Eu entrei não para um lugar sem saída. “EU ENTREI PARA FORA”!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CAÍDO - POR PAULO CILAS


Certa vez, levantei-me publicamente contra um ensinamento de "conquista do Brasil", que declarava ter sido um ato profético de D. João VI o envio de Pedro Álvares Cabral e a escolha do nome de Santa Cruz e Vera Cruz para a terra recém-descoberta. Não quero me deter nessa sandice, até porque o seu idealizador continua a inventar mil e uma outras. E até hoje, apesar de divisões e rachas e mais loucuras megalomaníacas, são muitos que por ingenuidade ou interesses escusos ainda lhe dão ouvidos.
O quero dizer mesmo é que, diante da minha posição contrária, alguém disse a um membro de onde me reúno que eu deveria tomar cuidado com as críticas porque poderia "cair"um dia! Era um pastor dizendo isto. Traduzindo, mesmo não concordando deveria eu ficar calado porque sou pecador iminente.
De fato, quando entramos em algum "turbilhão", devemos saber se temos escopo -não ter telhado de vidro - para não sermos flagrados em hipocrisias e incoerências. Dai em diante aprendi algumas coisas importantes:

NÃO QUERO SER INCOERENTE E NEM HIPÓCRITA COM A PALAVRA DE DEUS. Por decisão, não por mérito, decido não usar A BÍBLIA em benefício próprio. Decido não ficar aquém e também não ir além do que ela realmente diz. Decido não querer conhecer somente o que está escrito, mas , também, o espírito do que está escrito. Decido não dizer que tenho uma revelação, ministério, visão, nova unção ou qualquer coisa que se diga especial ou mais espiritual pois: "Havendo Deus falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais , pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo..." Pois bem, agora não existe mais nada a ser dito, sacrificado, revelado. Resta-nos dar ouvidos às PALAVRAS DO SENHOR que nos são “lembradas” pelo ESPÍRITO SANTO. Há AS BOAS NOVAS (EVANGELHO) a serem anunciadas.
As conquistas serão de vidas rendidas a CRISTO, e não à minha igreja ou visão. A conquista será O REINO DE DEUS dentro do homem como JESUS afirma e não a conquista dos bens terrenos que só engrandecem aos homens e que despertam o que de pior existe:
soberba, vaidades, orgulhos e tantos outros sinônimos possíveis e imagináveis.

DECIDO QUE SOU PECADOR CAÍDO! E só não digo que sou o principal porque o outro Paulo chegou na frente. Tenho um verme dentro de mim, pegando emprestado a afirmação de Larry Crabb no livro "Chega de Regras". E só eu e DEUS sabemos o tamanho desse verme.
E, assim, sabendo quem sou e do que sou capaz de fazer em minha maldade e fraquezas, não posso me dar ao luxo de distorcer a única mensagem que conseguiu e consegue me redimir.
Portanto, já não posso cair. Já sou caído desde o ventre de minha mãe como Davi. Acreditem! Até o bem que quero fazer não faço. E o mal,então? Este, só chorando ao PÉ DA CRUZ. Só pela CRUZ eu tive chance de ser perdoado e nela continuo a derramar minha alma até o dia em que o corruptível(eu) der lugar ao incorruptível.
Não!! Não sou advogado de JESUS e de seu EVANGELHO. Sou testemunha DELES e nenhuma mensagem enganosa, nenhum devaneio de homens vaidosos e ardilosos, nem mesmo a insensatez ainda que ingênua ou simplista de qualquer pregador imprudente e muito, muito menos meu estado de total dependência DA GRAÇA E MISERICÓRDIA DO SENHOR por ser quem eu sou me calarão.
"SEJA DEUS SEMPRE DEUS VERDADEIRO, E TODO O HOMEM MENTIROSO..." Como disse o apóstolo Paulo. Aquele vendido pelo pecado, o miserável homem. Aquele mesmo que se gloriava na sua fraqueza pois era assim que se via forte. E dizia não ter alcançado coisa alguma mas que prosseguia para o alvo. E, em recebendo algum louvor jamais se gloriava a não ser na CRUZ DE CRISTO e até repreendia espírito de adivinhação que dizia ser ele, Paulo, servo do DEUS altíssimo. Ou seja, O APÓSTOLO PAULO que jamais seria como os "apóstolos" atuais. Primeiro porque esses não o receberiam por estar fora da visão. Segundo, porque ele não comungaria com gente que tem como deus o próprio ventre!

VOTO BOM É VOTO LAICO - POR CARLOS CARRENHO

Quem determina se Deus é o Senhor é o povo, não seus governantes


Os melhores candidatos não são necessariamente aqueles que professam a mesma fé ou pertencem a determinada denominação

Lembro-me de que, quando eu era criança na igreja, algumas profissões eram consideradas quase do diabo. Entre elas, a de baterista, advogado e político.

Com o tempo, a bateria ganhou seu espaço nos altares das igrejas e os advogados viraram até presbíteros. Mas foi na área política que a coisa mudou radicalmente. Se, antes, a atuação política era desestimulada no rebanho e um crente ser vereador ou deputado era visto como um sacrilégio, agora já temos até bancada evangélica. A cada eleição, pastores candidatos pululam Brasil afora. Até aí, nada demais; cada um usa a plataforma que possui. Quem é radialista, por exemplo, apela aos votos dos ouvintes; sindicalistas recorrem ao pleito dos operários; produtores rurais buscam apoio de colegas agricultores. Portanto, quem vem da Igreja tem mais é que conseguir votos na Igreja e defender seus interesses.

Isso quer dizer então que cristão deve votar em cristão, crente em crente, evangélico em evangélico? Aí minha resposta é um esplendoroso não. Explico. Quando precisamos de um cardiologista, recorremos ao melhor especialista que podemos pagar ou vamos a um médico cristão? Quando o carro quebra, procuramos um bom mecânico ou simplesmente um profissional que se apresente como crente? E se formos comprar um bolo, nossa preferência será pelo mais saboroso ou optaremos por aquele feito por uma irmãzinha na fé, ainda que não agrade tanto ao paladar? E as obras? Confiamos nossos prédios a um engenheiro competente ou damos preferência ao evangélico, simplesmente porque é evangélico?

Ainda que muitos de nós favoreçamos membros de nossa comunidade eclesiástica, só o fazemos porque acreditamos e confiamos nos profissionais em questão. Em primeiro lugar deve vir a capacidade do indivíduo para realizar a tarefa a que se propõe, e depois sua opção religiosa. Por isso, ao votar, todo cristão (e cidadão) tem a obrigação perante a sociedade de tomar a mesma atitude e escolher quem acredita ser o melhor o candidato – o que não necessariamente inclui aqueles que professam a mesma fé ou pertencem a determinada denominação.

Há cristãos na política que dão um grande testemunho e atuam visando ao bem estar da sociedade. Da mesma forma, há pessoas de outros credos extremamente honestas e fazendo um ótimo trabalho parlamentar ou governamental. E há políticos pilantras de todas as crenças, ou de crença nenhuma, que agem só visando aos próprios interesses. Ou seja, religião nenhuma é garantia de caráter ou idoneidade.

Como cristãos, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos – o que também significa votar pelo outro, votar pela sociedade. Devemos, portanto, escolher o melhor candidato não apenas para nós mesmos, mas para todo o grupo social ao qual pertencemos. Esta mentalidade de voto, que é absolutamente cristã, é muito mais importante que a religião do candidato. Mas e o versículo que diz “Feliz é nação cujo Deus é o Senhor”, em Salmos 33.12? Para começar, Deus ser Senhor é diferente de bispo ser presidente, pastor ser senador e evangélico ser deputado. A religião professada pelos políticos não garante a senhoria divina. Quem garante que Deus é Senhor é toda a nação, toda a sociedade. Um país com um presidente cristão e uma população descrente não terá Deus como Senhor. E um estado com uma população cristã poderá proclamar Deus como Senhor, ainda que seus governantes não professem tal fé. Quem determina se Deus é o Senhor é o povo, não seus governantes. Trata-se da mais pura democracia divina.

Quer dizer então que não voto em cristão? Nada poderia ser mais falso. Nesta próxima eleição presidencial, por exemplo, estou propenso a votar em uma candidata cristã – até porque os outros dois concorrentes me desagradam, um pelo partido e outro, pelo caráter. Mas vou votar nela porque é cristã? Jamais. É porque acredito que ela é a melhor candidata para o país, para mim e, mais importante, para meu próximo. E ainda votaria mesmo se ela declarasse que não acredita em Deus…


Carlo Carrenho - DO SITE CRISTIANISMO HOJE

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...