sexta-feira, 9 de outubro de 2015

PUNIÇÃO OU PERDÃO? - William Mikler



Os defensores do liberalismo teológico insistem em tentar justificar o pecado e, ao fazê-lo, se afastam dos Princípios das Sagradas Escrituras.

Um dos erros mais crassos pode ser observado na tentativa de certas denominações protestantes liberais e de "evangélicos progressistas" de justificar as uniões homossexuais, que são em qualquer caso pecaminosas.

O evangelho liberal é um falso evangelho. Deus nunca justifica o pecado. Ele o castiga ou o perdoa, sempre de acordo com o verdadeiro evangelho.

O verdadeiro evangelho declara que Deus, embora nunca justifique o pecado, sempre justifica os pecadores que se arrependem de seus pecados e colocam sua confiança obediente na graça misericordiosa do Senhor Jesus Cristo.

O verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, que ama verdadeiramente o pecador, jamais irá lhe oferecer o falso conforto de um falso evangelho. Se o fizer, não estará agindo em misericórdia, ao contrário. Ao abandonar o pecador em seus pecados, contribui para deixá-lo em risco de juízo eterno. E T E R N O.

Aqueles que amam verdadeiramente os pecadores, e por eles tem misericórdia, apresentam a estes a graça genuína que leva ao arrependimento, o perdão e a uma vida de santidade, de acordo com o verdadeiro Evangelho.

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16 NVI).

O evangelho genuíno testemunha acerca do preço do pecado e do perdão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

BEZERRO DE OURO - PARTE l - REEDIÇÃO - Paulo Cilas

Pode parecer estranho que o povo hebreu logo após ser tirado da escravidão do Egito quase que imediatamente erigiu um bezerro de ouro para adoração. Entretanto, a realidade daquele povo não está distante de nossa própria realidade. Os sentimentos, os interesses e os maus costumes dele são comuns em nossos dias também. Talvez não nos apercebamos disso porque não há um bezerro, literalmente, dando forma a nossa conduta também estranha.
Passemos então a considerar os passos que antecederam a criação do bezerro bem como também os fatos durante a existência do mesmo:

Agora o povo já se encontrava livre do Egito e tinha pela frente a caminhada até a terra prometida. Os hebreus passariam definitivamente a existir como nação. Tudo deveria estar bem mas...
O plano de Deus não era simplesmente político geográfico. O plano não era a formação de uma nação - povo e terra - e sim, a formação de uma nação com o caráter de Deus. Um povo diferente de todos os outros povos. E para isto começar a acontecer Ele, O Senhor , chama Moisés à parte para lhe passar instruções. Pois bem, o que vem a seguir é muito parecido com o que acontece o tempo todo na caminhada de preparação também do povo que herdará a terra e "a eternidade". O povo não sabe ficar quieto. O povo não sabe esperar. O povo não sabe acordar a cada dia e vivenciar sua existência com todas as suas complexidades.
No Egito, como escravos, não havia tempo nem oportunidades - se havia eram raras- para a revelação de caprichos e maldades, mesquinharias e invejas e tantas outras perniciosidades que povoam o interior de cada um. As chibatas e o trabalho escravo passavam somente a imagem de que todos eram vítimas inocentes.
Agora não. Dia a dia o povo teria de estar às voltas com temperamentos diferentes. Aprender a partilhar, perdoar, entender e compreender a si mesmo e os outros. E mais ainda e sobre tudo: Teria de aprender a confiar em Deus. E isto só, deveria bastar.
Entretanto, a disposição dos hebreus não foi essa. Diante da demora de Moisés eles sentiram a necessidade de algo que os motivasse. Bem parecido quando nós, hoje, em nossa caminhada, já não temos mais ânimo para o culto, para a vida relacional com os outros, para a formação de nosso caráter, para aprender aquilo que já ouvimos há muito e que não conseguimos inteiramente colocar em prática. Então, precisamos de novidades para nos estimular e sem perceber, vamos erigindo nosso Bezerro de Ouro moderno.
No Egito, os hebreus tinham sido influenciados pelas várias formas de culto a vários deuses e a imagem do bezerro era algo comum a eles; Era uma das referências que eles tinham e agora erigiam um "boi novo", ou seja, um deus novo. Hoje, como estamos no mundo, também vamos formando bezerros modernos que podem ter várias formas, ou simplesmente ideias. Exemplos: As tantas novas visões, as unções, as frases de efeito, as palavras de moda, os líderes carismáticos, as potências eclesiásticas, as mega igrejas, as inúmeras campanhas, tudo para motivar o povo que não sabe esperar, ouvir, aprender e viver a cada dia.
E se algo extra o Senhor quiser mandar, Ele, o Senhor, mandará. Como a  a Glória do Senhor que vinha sobre o tabernáculo. E é simples assim! O Senhor manda, não precisamos fabricar nada. Não precisamos impor nada. A nós, dia a dia, o Senhor nos ensina a caminhar aqui enquanto nos preparamos para chegarmos do outro lado.

Na próxima parte, abordarei como construímos o "bezerro". O que entregamos para ele.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

A obscena ditadura pretendida pela ideologia de gênero nas escolas - Marisa Lobo

Estamos vivenciando nos últimos uma terrível reorientação social, que visa pela mudança e quebra de paradigmas culturais, modificar a forma como se vê, sente e compreende a sexualidade humana. Há várias maneiras de levar esse “novo jeito” de viver à população, uma delas é, a alienação pela mídia, principalmente através de novelas, matérias, programas de TVs e afins, enfim, esse assunto merece um artigo especial, mas nesse, vamos falar da escola e sua relação com a ideologia de gênero.
Como especialista em saúde mental, direitos humanos, socióloga em formação, como e educadora, afirmo que a pior maneira, a mais maquiavélica e cruel de se reorientar um ser humano afim de servir aos seus propósitos é através da escola básica. Digo pior, pois as próprias Ciências Sociais confirmam que alunos em formação, são ouvintes passivos, que assimilam todas as informações que lhes são impostas ou repassadas.
Alguns professores, não todos é bom frisar, estão doutrinando crianças com ideologias, com políticas partidárias que não representam a opinião de imensa maioria da população, e nem mesmo dessa criança, que por diversos mecanismos psíquicos como transferência, o vínculo acaba acatando sem ao menos questionar, pois ainda não há argumentos internos suficientes para tais questionamentos.
Esclarecendo o que seria um ouvinte passivo: “Ouvinte que não expressa nenhuma linguagem verbal ou não verbal, aprovando ou desaprovando o tema exposto; pela mídia, escola, sociedade, interlocutor, trabalho etc. Não questiona, não interage, sem entender a magnitude do tema, apenas assimila o conteúdo proposto, sem senso crítico, ou noção de julgamento. Por fata de compreensão do tema, por acreditar no interlocutor, por não ter conhecimento e não saber o que e como questionar, ou ainda pelo poder que o interlocutor exerce sobre ele e o ambiente, apenas aceita e replica sem entendimento”.
O estado acredita que pode controlar crianças e adolescentes, pela via do que eles chamam de construtivismo, “conhecimento relativista” assim vão induzindo ao erro e a crença de filosofias, de esquerda. A intenção fica claro, vão arregimentando soldados para seu exército de anarquistas e esquerdistas, que tratam a sua sexualidade, a fé, a família de forma pejorativa, em prol da realização dos mais sórdidos desejos.  E me pergunto desejos de quem? Com que intuito, já que a maioria da população nem sequer, tem conhecimento ou se interessa por estes assuntos, e quando vem à tona se manifestam contrários?
Crianças ainda em idade escolar assimilam muitas vezes de forma errôneas tais ensinamentos, o que lhes é ensinado, por não terem repertório suficiente para questionar e interagir com determinados assuntos e podem assumir comportamento, que ainda não estão preparados devido a imaturidade emocional, psíquica e biológica.
Seu sistema nervoso central, ainda em formação, não consegue muitas vezes compreender determinadas informações conflitantes com seu modo de vida, com suas tradições, gerando conflitos intermináveis, alguns podendo levar a comportamentos desajustados, desafiando autoridades, ao uso e abuso de drogas, como forma de alívio desses conflitos. Crianças podem se sentirem violentadas em sua moral, e desenvolverem desordem, transtornos emocionais, relacionais e sexuais futuros quando são expostas a conteúdos que não tem suporte psíquico para suportar.
Outro fato que devemos levar em conta, é que essa pessoa, em idade escolar (criança ou adolescente) está em processo de construção da sua identidade, e é totalmente desconhecida pelo professor. Essa criança que está recebendo “educação sexual” na escola pode estar entendendo como uma violência psíquica, podendo desenvolver transtornos psicológicos, mais variados.
Outro alerta, que faço como profissional a todos os pais e professores: se esta criança tiver problemas com sua sexualidade, tiver um histórico de abusos, por exemplo, de exposição sexual inadequada, poderá sim, estas co-morbidades serem acentuadas, desenvolvendo um processo compulsório, que fatalmente, se encontrará com um abuso de substâncias psicoativas ou mesmo de comportamentos desajustada, como forma de alivio de suas dores e angústias.
A falta de cuidado com estas questões individuais, a falta de respeito pela vida pregressa da criança, do entendimento, de como essa criança vive, e o respeito as suas tradições familiares, e religiosas, nos remete ao pensamento de que, estamos vivendo uma ditadura sexual, de gênero, da diversidade apenas para contentar uma minoria que clama e luta por direitos desrespeitando os direitos mais fundamentais de uma maioria, a sua fé e suas tradições, a sua moral, isso que chamamos de ditadura cultural, reorientação sexual, ditadura ideológica de gênero sexual.
“O estado não pode promover uma moralidade hostil, quem está atacando a moralidade das religiões é o governo, é o MEC que está atacando as religiões, não existe leis que permita os ensinamentos de orientação nas escolas. Isso é uma iniciativa do MEC, da burocracia do MEC, que está passando por cima do Parlamento e afrontando a moralidade, das religiões, e acusando as religiões de estarem violando a laicidade do estado. É o cúmulo do cinismo, do abuso e da audácia, desses funcionários públicos ditadores ideológicos políticos e de gênero, que estão usando a máquina do Estado para impor, promover as suas próprias concepções morais e ideológicas”, observa o doutor Miguel Nagibe, autor do projeto “Escola sem Partido”.
Com esses ensinamentos o desajuste familiar é inevitável. Esta reorientação social e cultural através da escola está claramente interferindo na educação moral, que os pais dão aos seus filhos, e pela lógica levará há um conflito e esse conflito a uma desconstrução da família. O que sempre foi visto, como fator protetivo, dessa criança e adolescentes, será entendido como, e é essa a intenção dos doutrinadores ideológicos: desconstruir, acabar com a família tradicional, natural, que é claramente o impedimento dessa agenda.
A escola que antes era vista como fator protetivo, hoje se torna, neste contexto, um fator de risco, as escolas de hoje não são um campo de conhecimento legítimo, de exercício do respeito, da neutralidade, dos debates, conhecimento cientifico. Hoje, virou mais um campo de guerra ideológica, ativista de gênero, de doutrinação da pluralidade sexual, banalização da moral e da sexualidade, da desconstrução da religião cristã.
Muitas ações do MEC, embora embasadas em textos filosóficos e recheados de “intelectualidades”, “saberes” e lutas contra a discriminação das minorias, na verdade trazem em seu bojo uma vergonhosa perseguição da fé e moral cristã. Escondem, para alguns desavisados e explicitam para a maioria da população um confronto às famílias que têm tradições religiosas e lutam pela preservação destas, de seu modo de vida, amplamente, diga-se de passagem, amparados pela Constituição Federal.
Atitudes de enfrentamento do MEC sugerem uma radicalidade. Ao mesmo tempo em que destoam da maioria sociedade, estão sempre afinadas, em consonância com os movimentos LGBTTs e feministas. O próprio governo não tem sabedoria em lidar com estes assuntos. Parece-me que o conflito entre classes, entre grupos, mantém o poderio desse governo de esquerda.
Estamos vivendo sim um conflito ético e moral, promovido por estas minorias políticas de doutrinação e sustentado pelo governo federal e seus adeptos. Assim, a grande maioria – que vive em um país democrático por direito – se vê acuada, violentada em seus direitos, por uma minoria de ativistas de gêneros, que segue em sua psicopatia megalômana, acreditando que deve e tem o direito de pautar como a toda a sociedade deva viver, se comportar, e usam essas artimanhas para desautorizar, desconstruir a autoridade dos pais, infringindo até mesmo a Constituição e o Código Civil que declara, e cobra dos pais essa responsabilidade:
“Os pais têm a responsabilidade de sustento material e moral de seus filhos, assim como compete a eles a sua criação e educação (art. 1.634, I), até porque é ônus dos pais arcar civilmente com o pagamento de indenização pelos atos danosos a terceiros que os filhos praticarem (art. 932, I)”.
A orientação aos pais e leitores é de que não aceitem serem rebaixados ao papel de “cuidador”, pois é nisso que o atual governo quer transformá-los.
Lembrei-me dos defensores do comunismo, que em nome da igualdade de direitos conquistam a maioria da população, pela banalização dos desejos, pela inclusão de tudo e de todos, e quando assumem o poder transformam a todos e a todas em massa de manobra, idiotas úteis, sem o mínimo de direto. Pior é a capacidade que esses manipuladores têm, de fazer a maioria acreditarem em seus discursos “pseudo-intelectuais” decorados em sua maioria, e com uma desonestidade intelectual diga-se de passem.
Muitos cristãos dormem, enquanto a palavra de Deus manda agir em favor daqueles que se encontram sem desolação.
Provérbios 31-8,9: “Abre a tua boca em favor dos que não podem se defender; sê o protetor dos direitos de todos os desamparados! Ergue a tua voz e julga com justiça, defende o pobre e o indigente”.
Neste contexto, nossas crianças que são o futuro da nossa nação, o futuro do Evangelho, estão sendo destruídas espiritualmente e o mundo em desolação, porque muitos têm medo de abrir sua boca, outros porque são omissões e muitos por falta de entendimento. A Igreja tem que acordar.
A questão é, como ensinar a criança, as diferenças dos sexos, dos papeis sociais e sexuais, as diferenças de pai e mãe, a importância desses papeis para seu futuro, se apenas o excluímos e não discutimos. Frustração faz parte da vida, em meio a alegrias e tristezas, gratificações e frustrações construímos um cidadão com princípios. Essa ideia é totalmente estapafúrdia e só vai gerar crianças mimadas, que não suportarão serem frustradas no futuro. Estamos criando seres relativista e aleijados em suas emoções. Faz parte dessa “ideologia de gênero”, dessa falácia, a imposição. Os pais nem sequer são mais consultados, e quando recebem o “bilhete” (decreto ditador) é apenas para informá-los, e estes por sua vez, não questionam, ou por não saber ou por omissão. A intenção, o objetivo principal desse artigo é exatamente alertar, ensinar e motivar você leitor de forma clara, a reivindicar seu direito e o direito das crianças, sejam seus filhos, ou da comunidade dentro dessa escola. Não se omita!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SOBRE DEUS - RUBEM ALVES


Alguém disse que gosta das coisas que escrevo, mas não gosta do que penso sobre Deus. Não se aflijam. Nossos pensamentos sobre Deus não fazem a menor diferença. Nós nos afligimos com o que os outros pensam sobre nós. Pois que lhes digo que Deus não dá a mínima. Ele é como uma fonte de água cristalina. Através dos séculos os homens tem sujado essa fonte com seus malcheirosos excrementos intelectuais. Disseram que ele tem uma câmara de torturas chamada inferno onde coloca aqueles que lhe desobedecem, por toda a eternidade, e ri de felicidade contemplando o sofrimento sem remédio dos infelizes.
Disseram que ele tem prazer em ver o sofrimento dos homens, tanto assim que os homens, com medo, fazem as mais absurdas promessas de sofrimento e autoflagelação para obter o seu favor. Disseram que ele se compraz em ouvir repetições sem fim de rezas, como se ele tivesse memória fraca e a reza precisasse ser repetida constantemente para que ele não se esqueça. Em nome de Deus os que se julgavam possuidores das idéias certas fizeram morrer nas fogueiras milhares de pessoas.
Mas a fonte de água cristalina ignora as indignidades que os homens lhe fizeram. Continua a jorrar água cristalina, indiferente àquilo que os homens pensam dela. Você conhece a estória do galo que cantava para fazer nascer o sol? Pois havia um galo que julgava que o sol nascia porque ele cantava. Toda madrugada batia as asas e proclamava para todas as aves do galinheiro: “Vou cantar para fazer o sol nascer”. Ato contínuo subia no poleiro, cantava e ficava esperando. Aí o sol nascia. E ele então, orgulhos, disse: “Eu não disse?”. Aconteceu, entretanto, que num belo dia o galo dormiu demais, perdeu a hora. E quando ele acordou com as risadas das aves, o sol estava brilhando no céu. Foi então que ele aprendeu que o sol nascia de qualquer forma, quer ele cantasse, que não cantasse. A partir desse dia ele começou a dormir em paz, livre da terrível responsabilidade de fazer o sol nascer.
Pois é assim com Deus. Pelo menos é assim que Jesus o descreve. Deus faz o sol nascer sobre maus e bons, e a sua chuva descer sobre justos e injustos. Assim não fiquem aflitos com minhas idéias. Se eu canto não é para fazer nascer o sol. É porque sei que o sol vai nascer independentemente do meu canto. E nem se preocupem com suas idéias . Nossas idéias sobre Deus não fazem a mínima diferença para Ele. Fazem, sim, diferença para nós. Pessoas que tem idéias terríveis sobre Deus não conseguem dormir direito, são mais suscetíveis de ter infartos e são intolerantes. Pessoas que têm idéias mansas sobre Deus dormem melhor, o coração bate tranqüilo e são tolerantes.
Fui ver o mar. Gosto do mar quando a praia está vazia da perturbação humana, Nas tardes, de manhã cedo. A areia lisa, as ondas que quebram sem parar, a espuma, o horizonte sem fim. Que grande mistério é o mar! Que cenários fantásticos estão no seu fundo, longe dos olhos! Para sempre incognoscível! Pense no mar como uma metáfora de Deus. Se tiver dificuldades leia a Cecília Meirales, Mar Absoluto. Faz tempo que, para pensar sobre Deus, eu não leio teólogos; leio os poetas. Pense em Deus como um oceano de vida e bondade que nos cerca. Romain Rolland descrevia seu sentimento religioso como um “sentimento religioso”. Mas o mar, cheio de vida, é incontrolável. Algumas pessoas têm a ilusão que é possível engarrafar Deus. Quem tem Deus engarrafado tem o poder. Como na estória de Aladim e a lâmpada mágica. Nesse Deus eu não acredito. Não tenho respeito por um Deus que se deixa engarrafar. Prefiro o mistério do mar… Algumas pessoas não gostam do que penso sobre Deus porque elas deixam de acreditar que suas garrafas religiosas contenham Deus…

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Fundamentalismo religioso é causa de graves transtornos mentais - Marlene Winell





Livro contém 20 anos da experiência da autora

Filha de missionários da Assembleia de Deus, especialista ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas pelo fundamentalismo religioso



“Depois de 27 anos tentando viver uma vida perfeita, eu achei que tinha falhado… Eu tinha vergonha de mim durante todo o dia. Minha mente lutava contra ela mesma, sem alívio. Eu sempre acreditei em tudo que me foi ensinado, mas ainda assim pensava que não tinha a aprovação de Deus. Eu pensava que ia morrer no Armagedom. Durante anos, eu me machucava literalmente, cortava e queimava meus braços, para me punir antes que Deus o fizesse. Levei anos para me sentir curada.”

Esse relato é de um paciente de Marlene Winell, americana de San Francisco que se especializou em desenvolvimento humano e estudo da família. Ela é autora do Leaving the Fold: A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion — livro que, como diz seu título, é um guia sobre como se livrar das consequências de religião fundamentalista.

Winell cunhou o termo “Síndrome do Trauma Religioso”, STR (na sigla em português), para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas.

Filha de missionários da Assembleia de Deus, Winel ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas ou despertadas pelo fundamentalismo cristão.

Em entrevista à psicóloga Valerie Tarico, Winel disse que os sintomas do STR inclui, além da ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas e degradação do relacionamento social. “Os ensinamentos e práticas religiosas, por vezes, causam danos graves na saúde mental.”

Livro de Marlene Winell trata 
da Síndrome do Trauma Religioso
“No cristianismo fundamentalista, o indivíduo é considerado depravado e tem necessidade de salvação”, afirmou. “A mensagem central é ‘você é mau e merece morrer, porque o salário do pecado é a morte. [...] Já tive pacientes que, quando eram crianças, se sentiam perturbados diante da imagem sanguinolenta de Jesus pagando pelos pecados deles.”

Síndrome do Trauma Religioso se manifesta em pessoas de todas as idades, mas principalmente naquelas cuja personalidade esteja em formação, as crianças.

“As pessoas doutrinadas pelo cristianismo fundamentalista desde criança podem ser aterrorizadas por memórias de imagens do inferno e do apocalipse”, disse. “Algumas sobreviventes desse período, as quais eu prefiro chamar de ‘recuperadas’, têm flashbacks, ataques de pânicos, ou pesadelos na vida adulta, mesmo quando se libertaram das pregações teológicas.”


Um paciente relatou seus tormentos dessa fase de sua vida: “Eu acreditava que ia para o inferno por acreditar que estava fazendo algo de muito errado. Estava completamente fora de controle. Às vezes, eu acordava no meio da noite e começava a gritar, agitando os braços, tentando me livrar do que sentia. O medo e a ansiedade tomaram conta da minha vida.”

Winell afirmou que a recuperação de quem nasceu em uma família de fanáticos religiosos é mais difícil em relação àquele que adotou uma crença fundamentalista na vida adulta, porque não dispõe de parâmetro de comparação.

Ela disse que se livrar de uma religião é muito difícil em muitos casos porque isso significa pôr em risco um sistema de apoio composto por parentes e amigos, principalmente em relação às pessoas que nasceram em uma família de crentes fanáticos.

Uma paciente relatou o seu caso: “Eu perdi todos os meus amigos. Eu perdi meus laços estreitos com a família. Agora estou perdendo meu país. Eu perdi muito por causa desta religião maligna, e estou indignada e triste. . . Eu tentei duramente fazer novos amigos, mas falhei miseravelmente. Eu sou muito solitária.”

Outro paciente contou: “Minha vida estava fortemente arraigada e ancorada na religião, influenciando toda a minha visão do mundo. Meus primeiros passos fora do fundamentalismo foram assustadores, e eu tive pensamentos frequentes de suicídio. Agora isso está no passado, mas eu ainda não encontrei o meu lugar no universo”.

Winell disse que resolveu dar o nome de “Síndrome de Trauma Religioso” ao conjunto de sintomas e características da lavagem cerebral religiosa porque assim fica mais fácil estudar e diagnosticar as pessoas que sofrem desses males.

Ela argumentou que a nomenclatura “STR” fornece um nome e uma descrição para as pessoas afetadas pela religião, de modo que elas se sintam parte de um grupo e possam assim compartilhar suas experiências, reduzindo sua percepção de solidão e de culpa.

Por isso, Winell discorda de que a criação de termos como “recuperação de religião” e “Síndrome de Trauma Religiosa” sejam uma tentativa de ateus de patologizar as crenças religiosas. Até porque, disse, “a religião autoritária já é patológica”.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Valor do Velório - Dennis Alan


Se tivesse a escolha entre participar de uma festa de aniversário, que comemora a vida, ou passar horas num velório lamentando a morte, qual você escolheria?

O velório e o cemitério estão entre os lugares mais tristes na experiência humana. É normal não querer nos despedir de pessoas queridas e importantes em nossas vidas. Apesar da dificuldade que enfrentamos e da tristeza que sentimos, há benefícios em estar presentes nas ocasiões em que a morte se torna o assunto principal.

O autor de Eclesiastes procurou sentido na vida, e encontrou uma das lições mais importantes na morte. Ele fez um contraste que nos chama a refletir sobre a diferença entre os locais que representam a tristeza e os que oferecem a alegria: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” (Eclesiastes 7:2). O que aprendemos no velório?

1) Aprendemos a pensar sobre o fim desta vida. É comum fazer de tudo para adiar a morte. Procuramos conselhos médicos sobre alimentação, exercício e vitaminas. Ouvimos orientações sobre segurança no trânsito e no trabalho. Apoiamos esforços para reduzir a poluição do ar que respiramos e da água que bebemos. Não tenho nada contra tais medidas, mas não devemos nos enganar. Apesar de todos os nossos esforços para prolongar a vida, nenhuma pessoa que lê este artigo tem esperança realista de estar viva nesta terra daqui a cem anos. Muitos dos nossos corpos serão colocados em caixões bem antes de acabar este século. Seria tolice negar o inevitável, e pior ainda não se preparar para o fim que nos aguarda.

2) Crescemos em momentos de tristeza. Este autor continua: “Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”(Eclesiastes 7:3). É bom se divertir com amigos, mas crescemos muito mais quando enfrentamos as dificuldades da vida. Não pensamos em lutar para vencer momentos de felicidade, mas precisamos reunir as nossas forças para superar as ocasiões tristes. Não percebemos o caráter na risada, e sim no choro.

3) Buscamos sabedoria na casa do luto. Fugir do luto ou negar sua mensagem real seria cauterizar a mente para não encarar o inevitável. Aquele que se acha invencível se engana para seu próprio dano. “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria” (Eclesiastes 7:4). O velório não é divertido, mas pode ser bem edificante quando nos mostramos dispostos a aprender suas lições!

4) É melhor terminar do que começar. “Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; melhor é o paciente do que o arrogante” (Eclesiastes 7:8). Se chegarmos ao fim da vida em comunhão com Deus e com a expectativa de repousar eternamente na sua graça, realmente será melhor do que o começo da vida. Mas há outras aplicações deste princípio. É fácil planejar e projetar, mas nenhum trabalho compensa se não chegar à execução. Prêmios são reservados para aqueles que completam as corridas, diplomas para os alunos que terminam seus cursos, e a coroa da justiça está guardada para os discípulos fieis que completam sua carreira em Cristo (2 Timóteo 4:6-8).

5) Caminhamos para um destino final após a vida aqui. A perspectiva bíblica é linear e não circular. A vida aqui não é um de muitos ciclos num processo de reencarnação, como ensinam algumas religiões. A vida nesta terra encaminha para um destino. O apóstolo Paulo escreveu: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10). Paulo não falou de um efeito cumulativo depois de ocupar diversos corpos, mas de uma vida aqui em um só corpo antes de chegar ao julgamento final.
Seja sábio e aproveite esta vida, sua oportunidade única para se preparar para a eternidade!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

OS ELEITOS - Luiz Felipe Pondé






Os eleitos são esses infelizes abençoados com o tormento de ter a mão de Deus sempre suspensa sobre suas cabeças.

Diz o filósofo judeu Abraham Joshua Heschel que mesmo os profetas temiam a intimidade com Deus. Jeremias lamentava que Ele não o tivesse matado no útero de sua mãe. Jonas fugiu como pôde do olhar divino, escondendo-se na barriga de uma baleia. Jesus tentou fugir. Jó, o servo sofredor, é um grande exemplo da agonia que é ter sido eleito por Ele. Todos os heróis bíblicos – eleitos dentro do povo eleito, na maioria das vezes – sabiam do peso causado por essa proximidade com Deus. 

Quem é o eleito, para a sabedoria hebraica? É aquela ou aquele escolhido para mostrar ao mundo o que pode Deus e o que Ele quer da Sua criação (…) Um homem é eleito para sofrer, e ele tem menos livre arbítrio do que os indivíduos comuns. O povo eleito é um povo de sacerdotes que carrega o sagrado em si – um encargo pesado, muito mais do que pode aguentar grande parte das pessoas. A ideia vulgar de que o eleito é aquele que Deus escolheu para “ser mais amado por Ele” pode levar a um equívoco crasso: achar que, por isso, o escolhido está acima dos padecimentos da vida. O eleito talvez seja mais amado porque, ao elegê-lo, Deus fez dele um condenado.









Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...