segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DEUS NÃO DEIXA NINGUÉM IMPUNE - PAULO CILAS

Perplexos assistimos o esforço ( de advogados e magistrados) para absolvição dos mensaleiros. Quanta filigrama pró réu. Quantos direitos à defesa.
No mundo todo observamos interesses escusos sendo defendidos sob a égide da legalidade, soberania nacional, religião. Ao final o que se quer mesmo é o de sempre: poder, riqueza etc. Aliás, alguém já disse que pior do que fazer o errado é fazer o "certo" com a intenção errada.
A Bíblia apresenta vários "ais"como alerta contra a impunidade: Ai dos poderosos e quem com eles se ajunta contra o direito dos desfavorecidos. Ai dos que zombam de Deus. Ai dos que expõe o nome do Senhor à ignomínia. Ai dos que falam o que O Senhor não mandou falar. Ai dos que acrescentam ou subtraem o que já está escrito e determinado. Ai de quem cair sobre o evangelho e ai de sobre quem o evangelho cair, vira pó.
"Ai de nós que vamos perecendo".
Se não fosse Jesus...!
"Aquele que nem a seu próprio filho poupou...!" Pois é, ai de Jesus que tomou meu lugar. Ai Dele que quis se tornar carne igual a mim. Ai do escorraçado, cuspido, dito endemoniado por se levantar contra os "santos líderes" do povo eleito.  Ai Dele que ousou andar em "más companhias" para restaurá-las. Pagou com sangue e foi"abandonado" pelo Pai. Pois O Pai não deixa ninguém impune.
Ai de mim se negligenciar tão grande salvação.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

VIOLÊNCIA PERTO DE NÓS - OSMAR LUDOVICO


Jesus Cristo escolheu morrer a nossa morte, identificando-se conosco na dor.
A nóticia do jornal foi lacônica: jovem de dezoito anos assassinado a tiros. Não foi o único homicídio na cidade naquele dia. Houve quatro ocorrências do mesmo tipo. A diferença é que eu conhecia aquele jovem. Compartilhei com ele o Evangelho, recebi-o em minha casa e o encaminhei a uma igreja. Bom menino, doce e meigo – mas, infelizmente, tinha se envolvido com drogas.

No Brasil, morrem cerca de 40 mil pessoas assassinadas por ano. A maioria são jovens moradores de grandes centros urbanos, vítimas de uma violência perversa e inconsequente. Morrem em brigas, acertos de contas, através de balas perdidas ou em confrontos com a polícia. A gente sabe disso, mas fica assustada quando acontece perto da gente. E se pergunta o que está acontecendo.
Deus, em certas abordagens atuais, parece já não ser tão relevante. E, quando aparece no discurso, a conversa é acomodada para não ferir a sensibilidade dos adeptos. Não se fala de pecado, de arrependimento, de juízo. Mandamentos, valores e crenças, outrora absolutos, são flexibilizados. Tudo é diluído para manter o projeto religioso, muitas vezes comandado por líderes que contam cabeças, mas não olham nos olhos.
Na sociedade civil, vemos a deterioração da família. O casamento já não é mais para toda vida, e as paixões iniciais não resistem ao teste da vida real no quotidiano. Filhos crescem sem os pais; a escola não forma cidadãos. Tudo tem seu preço, tudo está à venda, e o valor pessoal está nos símbolos de consumo e de status. A competição é feroz, pois construímos um mundo onde não cabem todos e muitos serão excluídos. O poder público dá mau exemplo: na corrupção e na impunidade.
O cenário internacional também não ajuda. Vivemos uma crise econômica que afeta muitos, resultante da ganância perniciosa de poucos. A perspectiva é de recessão e desemprego. Nesse cenário, nossos jovens se perdem, sem valores, sem esperança, sem ideais.
Cheguei arrasado ao cemitério. Fui um dos primeiros, e o menino estava só na capela, arrumado e florido do jeito que foi possível, pois recebera muitos tiros, inclusive no rosto. Um sentimento de derrota tomou conta do meu coração. Sentei-me ao seu lado. Eu sabia que teria que falar algo na hora do sepultamento e fiquei ali, orando e vendo as pessoas chegarem. A mãe, que esteve sempre ao seu lado; o pai, que veio de longe. Alguns amigos – gente jovem, estudantes em sua maioria; alguns adultos amigos dos pais do morto, que olhavam assustados para outros jovens, de bermudão, camisa colorida, gorro enterrado na cabeça.
Chegou a hora de falar. E eu ali, pensando: "Que vou dizer?" Respirei fundo e orei. Comecei a falar do meu coração e a partir da minha própria perplexidade. Dirigi-me especialmente aos pais. Sim, vamos invocar a Deus, pois sem ele não dá para enfrentar um momento desses. Mas, afinal, onde está Deus numa hora dessas? Lembrei-me de que Deus chora diante da morte. Cristo chorou quando seu amigo Lázaro morreu. E chorou também no Getsêmani, angustiado frente à sua própria morte. Lembrei-me de Deus, o Pai, e seu coração dilacerado, sem intervir na hora do assassinato de seu filho de trinta anos. Sim, Deus sofre com nossas mortes: ele se importa e chora. Há lágrimas de lamento e luto no céu.
Diante da sacralidade daquele momento, percebi que Jesus Cristo estava entre nós. E estava! Ele escolheu morrer a nossa morte, identificando-se conosco na dor, na tortura. Escolheu morrer uma morte cruel nas mãos de uma liderança religiosa corrupta e forças militares de ocupação perversas.
Ao morrer, ele retorna à vida e ressuscita no terceiro dia. Naquela hora do domingo, Deus dá sua resposta definitiva: o mal, a morte, o pecado e o demônio não têm a última palavra. A última palavra é dele; a vida triunfa sobre a morte!
Lembrei-me que aquele menino tinha ouvido o Evangelho e dava sinais de mudança em sua vida. E que, certamente, o Senhor teria misericórdia dele e o ressuscitará no último dia para vida eterna com ele. Fechamos então o caixão e fomos em procissão, seguindo um carro funerário até o local do sepultamento. Ao longo daqueles passos, fui renovando minha esperança.
Sepultamos o menino. E eu voltei para casa sentindo dores no corpo, como se tivesse levado uma surra. E, no fundo do meu coração, fiz um voto de continuar lutando pelo respeito à vida, envolvendo-me em ações que minimizem o mal e promovam os valores do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

AMAR A QUEM NÃO ME AMA - BRÁULIA RIBEIRO




Eu estaria mentindo se dissesse que depois que me tornei cristã nunca mais tive problemas, desamores, desilusões, que nunca mais experimentei traições. Estaria mentindo se dissesse que as instituições cristãs melhores ou mais nobres do que as não cristãs. Estaria mentindo se dissesse que de dentro do seu círculo de amigos e irmãos mais próximos você não precisa esperar facadas nas costas, abraços falsos, ou simplesmente distâncias doloridas e inexplicáveis.

Nestes anos todos de campo missionário pude conviver com o que há de melhor e mais nobre na natureza humana. Vi e vivi o auto-sacrifício, o despojamento, o amor de entregar a vida uns pelos outros. Mas vi também o que há de ruim, de sórdido e de mais mesquinho. Vi egoísmo, batalhas de poder, amarguras marcadas a fogo em corações, armas de guerra religiosa lustradas constantemente por teologias falsas, desamor puro e simples.

Na minha própria jornada, apesar das decepções pessoais vivi o engano de achar que tudo estava perdoado. Quando pregava ou ouvia sobre o perdão, pensava: “Ah sou catedrática nisto! Perdoei a todos o que me feriram…” Tive até a oportunidade de fazer o “bem” a irmãos que não me foram tão honestos. Me sentia orgulhosa: “Esta área não é problema pra mim”.

Foi quando alguém me perguntou: – Você ora pelos que te feriram? E se ora, ora como?

Não oro, tive que admitir. Tenho coisas mais importantes pra fazer, me enganei. Mas a misericórdia do Senhor não me deixou. – O que é mais importante Braulia do que amar quem não te ama? Se leio a Bíblia direito tenho que admitir que não existe nada mais básico, mais fundamental na fé cristã. Se queremos habitar n’Ele, compartilhar da natureza de amor de Deus a primeira coisa que temos que fazer é aprender a amar. Não sabemos amar, assim como não sabemos muita coisa na nossa vida de fé. A fé é um aprendizado racional do se “ser como Deus.” – Como aprender a viver sua natureza meu Senhor? – “Aprenda a amar.

Foi assim que comecei como um sedentário fazendo exercício físico pela primeira vez: – Quero orar pelo Fulano, Senhor. Abençoe-o. Mas se abençoar significa encher de graça de amor, de provisão financeira, se significa desejar para ele a mesma felicidade que desejo para mim e para os que amo, ah então não sei não…

A palavra: abençoe – se enrosca, se torna pesada. O que meu coração deseja é “justiça” mas não na definição divina, vertical que nos chega através da misericórdia. Quero a “justiça” entre aspas, melhor traduzida como vingança. Quero árvores secas, alforges vazios, quero para eles a solidão que me assolapa, quero o mesmo fracasso que me faz chorar amargo.

Meu estado interior se revela a mim como o de Isaías se revelou a ele diante do trono de Deus. Como minha fé é pequena, limitada, egoísta, empapelada de desculpas bíblicas para odiar, para me vingar, para excluir, para isolar. Choro agora, não por eles, mas por mim. Como este Deus vai me perdoar? E se Ele resolver cumprir sua palavra e perdoar-me apenas na proporção com que eu perdôo?

Recomeço, insistente. Para orar pelo que não me ama, tenho que primeiro desenterrá-lo. Me lembro de um conto de Patricia Highsmith que li quando criança: Estranhas mortes na Repartição. O homenzinho trabalhava num escritório do governo, era excêntrico e cobrava das pessoas uma perfeição que tornava impossível a interação social. Terminou por matar uma a uma com requintes de crueldade as pessoas que o cercavam. Mas a autora nos revela que os assassinatos não são reais. O homenzinho se cerca de mortos porque não pode conviver com os vivos.

Orar por meus “mortos” me obrigou a desenterra-los, um a um, com as mãos, sentindo-lhes o cheiro, tocando-lhes a carne. Qdo os desenterro, os coloco de pé, a meu lado e ando com eles até onde Deus está. Ressurretos meus mortos me vigiam. Não é fácil sentir-lhes vivos ali comigo, ouvir-lhes o coração, as rever suas dores, tornar-me uma com eles na oração desejando-lhes o mesmo bem que o Senhor lhes deseja. Ah Senhor, não sei orar.

Tento de novo e as palavras vem, esparsas, gastas, clichés religiosos viciados. E o Senhor me diz: “Não, não é assim que você ora minha filha. Onde está sua paixão, sua intensidade, onde está seu coração íntegro? Oração pela metade não dá. Oração en passant também não funciona. Quando eu levantar a minha mão para encher o outro de bênçãos de amor, quero o seu regozijo sincero. Quero que você se veja como participante daquele momento. Eu vou abençoá-los porque você orou por eles.”

Enfim a oração flui. Honesta. Não são mais os mortos, não são eles, é uma parte mim que ressurge. Volta a vida o meu amor enterrado, a minha esperança, o meu centro. Enfim as lágrimas não são mais amargas e duras. Me alinhei com ele. Posso orar pelo “inimigo”. Posso visualizá-lo recebendo carinhos do Pai de amor, inundado de bondade. Aconteceu o milagre da fé. Voltei a me encontrar em seu amor. Voltei a participar de sua natureza de amor. Até o próximo tropeço no meu egoísmo.



sábado, 31 de agosto de 2013

IGREJA-GINCANA - MANOEL dC

IGREJA-GINCANA: Não quero jamais pertencer a essa igreja!


MANOEL dC


Ocorre à minha mente, que a sociedade é como uma grande gincana onde seus membros competem até à axaustão, culminando em alguns poucos “gatos pingados” que serão reconhecidos e premiados no final, para logo serem esquecidos e abandonados.

Desde muito cedo entramos no mundo competitivo, em um clima de concorrência além dos limites que conseguimos suportar. Isso acontece no jardim de infância, no colégio, na faculdade, na especialização, nos esportes, nos relacionamentos, na música e em todos os espaços da vida.

O mundo em que vivemos produz uma cultura opressiva, que extrai de nós multifacetados sentimentos ruins, o medo inconsciente de perder, e a ansiedade de não correspondermos às suas pressões e exigências inatingíveis de estética, fama, capacidade, competência e habilidade.

Delineia-se nitidamnte em nós o medo de não sermos reconhecidos, de não nos sentir plenamente adequados aos padrões impostos. Recrudesce impetuosamente esse sentimento latente de não sermos valorizados o suficiente pelo que fizemos, por mais que nos esforcemos para fazer o melhor, sempre aflora o medo de não sermos, no meio do qual estamos inseridos, o suficientemente capazes, engraçados, populares, ricos, interessantes, inteligentes, cultos, espirituosos, magros, musculosos, chiques, etc.

Não percebemos nem de longe o quanto somos marionetados por poderosos fios invísiveis que “querem fazer nossa cabeça” a qualquer preço.

A gigantesca mola propulsora dessa engrenagem chama-se consumismo. O consumismo por sua vez é retroalimentado pela força irresistível da propaganda que nos teleguia para comprar e obter mais e mais, apetrechos eletrônicos e bugingangas tecnológicas que jamais precisaremos e que, no fim das contas, não vão somar nem acrescentar nada de útil à vida.

PIOR QUE TUDO ISSO, É QUANDO ESSES CONCEITOS ESCOAM SUTILMENTE PELAS BRECHAS ABERTAS NA IGREJA E SE INSTALAM NO SEU MODO DE SER, SÓ QUE REVESTIDOS DAS MAIS SUBLIMES CAPAS DE ESPIRITUALIDADE, E COM RÓTULOS ATRATIVOS PINTADOS DA MAIS PURA SANTIDADE.

Entramos na igreja pensando em amar cada vez mais nosso querido Mestre, em crescer cada vez mais no relacionamento com Jesus e com os irmãos, em nos tornar cada vez mais livres dos vícios e pecados que nos escravizavam, mas quão cedo nos decepcionamos!

Porque é na igreja que vemos o imperativo do ter e poder, sobrepujando o simplesmente ser.

É na igreja que desmascaramos lobos vorazes disfarçados de ovelhas santificadas.

É na igreja que vemos proliferar como praga as ervas daninhas da fofoca, da maledicência e da suspeita.

É na igreja que vemos também existir a mesma concorrência asquerosa que existe na sociedade lá fora, “irmãos” competindo com “irmãos”, uns atropelando os outros, na conquista de mais reconhecimento e aplausos.

É na igreja onde a gincana é mais acirrada, no afã de se alcançar o prêmio de maior espiritualidade,de se ter maior quantidade de dons (principalmente aqueles que aparecem e promovem espetáculo).

É nessa Igreja-Gincana, que se vê a concorrência desigual por obter status perante a liderança, o desespero de irmãos que frequëntam vigílias com o intuito de serem vistos com mais “poder do alto”, no mais alto padrão de legalismo asfixiante.

Infelizmente ainda existem outras gicanas instituídas mais , como a corrida de saco de quem prega mais, a torta na cara de quem evangeliza mais, o futebol de sabão de quem ora mais, a briga de galo por obter mais discípulos aos quais possa mandar mais, a guerra de travesseiros de quem tem mais grupos, e a caça ao tesouro de quem tem a igreja maior, mais poderosa e mais rica.

E quem são os possíveis ganhadores dessa Igreja-Gincana? Certamente aqueles que se queixam de ser “filhos do Rei”, que reinvidicam “diante do trono” não terem nenhum tipo de crise, doença ou decréscimo financeiro, mas que também são os que mais vestem o disfarce da hipocrisia oficializada.

É por essa razão que muitos crentes/jogadores dessa Igreja-Gincana se cansam e ficam prostrados pelo caminho afora. São os que se sentem lesados, enganados, roubados, desclassificados e perdedores. São pessoas preciosas aos olhos de Deus que ficaram queimadas e agora remoem todo tipo de desilusão, fracasso e decepção.

Esses soldados feridos deixados pelo caminho, são os milhões de “crentes desviados” (é assim que a Igreja-Gincana os considera) e que se tornaram totalmente refratários a qualquer tipo de religiosidade que lembre, mesmo de forma distante, a igreja da qual saíram.

De onde menos se espera, é de onde se propaga com força de mandamento a venda de imagem. Nesse tipo de igreja, ao modo da sociedade, somos exigidos a sermos bonitos, bem vestidos (no mais requintado modelo burguês americano e europeu), espirituais, inerrantes (se só se suspeitar que pisou na bola, você está frito!), e mais enquadrados na visão de competição e concorrência conforme o mundo , não o Evangelho de Cristo.

NA VERDADE, A MAIORIA DAS IGREJAS DESSA GERAÇÃO PARECE QUE ESQUECEU DA VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE SEGUNDO O EVANGELHO DE CRISTO.

O Evangelho de Cristo que desmantela de uma vez para sempre esse arremedo de igreja, a Igreja Competidora, a Igreja-Gincana, para erguer do meio dos escombros, a Igreja da Liberdade Consciente, que como Jesus, abraça com entusiasmado carinho os segundos, terceiros e enésimos lugares, e que vai gerar o exercício pleno da individualidade e desembocar na multiforme diversidade de dons, habilidades, caras, modos, jeitos, estilos e mentes, fruto da multiforme graça de Deus, tudo isso a serviço do mundo!

Termino aqui, lembrando do hino antigo que dizia:

“NÃO É DOS FORTES A VITÓRIA, NEM DOS QUE CORREM MELHOR;
MAS DOS FIÉS E SINCEROS QUE SEGUEM JUNTO AO SENHOR!




terça-feira, 27 de agosto de 2013

PRISÕES QUE NÃO POSSUEM GRADES - CARLOS MOREIRA

Prisões que não Possuem Grades






“Memórias do Cárcere” é uma obra póstuma de Graciliano Ramos publicada em 1953. Preso na época do “Estado Novo” sob a falsa acusação de ligação com o Partido Comunista, o escritor foi deportado para o Rio de Janeiro, onde permaneceu encarcerado por cerca de dois anos. 


No livro, Graciliano se ocupou em tornar público, “depois de muita hesitação”, acontecimentos da vida na prisão. Escrito dez anos após sua libertação, trás em si uma narrativa amarga, não obstante verdadeira. “Quem dormiu no chão deve lembra-se disto... Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze” 

Já li comentários de que pessoas que foram presas, sobretudo injustamente, jamais voltam a ser as mesmas. O cerceamento da liberdade trás impactos tão violentos a psique que o indivíduo não consegue mais se reencontrar com sua essência, impõe-se a um auto-exílio rumo aos porões do ser, acaba soterrado sob densas camadas de sombras e silêncios.

Eu sei que há prisões que possuem grades, e destas é muito difícil escapar. Mas há outros tipos de prisões, que vão para além de impor ao corpo a reclusão ao cubículo ao qual foi confinado. Sim, estas masmorras são imateriais, sem grades, sem paredes, são calabouços que aprisionam não só à vontade, o desejo de liberdade, mas o ser, a alma, a consciência, a paixão e os sonhos.  

É fato que tenho encontrado, no chão da vida, muitas pessoas aprisionadas em tais “labirintos”. É gente que, sem perceber, tornou-se refém de circunstâncias, medos, traumas, sofismas, projeções, “carmas”, manipulações, culpas, vícios psicológicos, e toda sorte de situação que produz auto-engano e que acaba dando forma a uma imagem distorcida de si mesmo, a qual, projetada na “tela da existência”, reproduz um holograma monstrificado de quem enganosamente se pensa ser.

Em meus aconselhamentos pastorais, tenho me deparado com pessoas vivenciando tais dinâmicas. É gente que se tornou refém de marido, de mulher, de sogra, de filhos, tudo pelo estabelecimento de vínculos afetivos adoecidos, que acabam dando ao outro uma espécie de “licença para matar”, e, por assim dizer, produzem, pela via da culpa e do medo, todo tipo de escravidão e subserviência.

Há aqueles que estão presos a fatalismos e determinismos infundados, não raro fruto de comentários maldosos e recorrentes feitos por pessoas próximas, muitos dos quais se enraizaram na “alma” desde a infância. É gente que se sente “assombrada” por um “carma”, conduzida inexoravelmente por um trilho de onde não se pode sair, fadada a parar sempre na mesma “estação”, seguir sempre pelo mesmo caminho.

Também é comum encontrar os que se viciaram psicologicamente no fracasso, que sentem prazer na perda, no sonho frustrado, nas impossibilidades. Trata-se da negatividade alçada ao platô mais profundo do ser, gente cinzenta, sombria, que vive de olhar pelo “retrovisor”, lamentando pelo que passou, ansiando pelo que poderia ter sido, mas não foi...

Não menos danoso é o grupo dos que passaram a viver de uma espécie de “ração”, que esmolam da vida, se acomodaram em ser o que não são, estagnaram a consciência e amordaçaram o pensamento. Pessoas assim deixaram de acreditar no novo, na mudança, em possibilidades outras. Elas se acostumaram à mesmice, ao banal, ao trivial, seguem o fluxo, o curso, a rotina. Estão mortas, mas ainda não foram sepultadas, existem sem ser, sem saber vão, de arrastão em arrastão, vivem de “migalha de pão”, dos restos do ontem e dos fragmentos do hoje.

Finalmente, mas não menos triste, há os que adoeceram ao ponto de dependerem de medicação para viver, os chamados psicotrópicos, os quais se aplicam a distúrbios e doenças tais como ansiedade, depressão nervosa, distúrbio bipolar, psicose, pânico, dentre outras. Neste estágio há muita dor e desânimo, pois além dos sintomas próprios de cada doença, ainda há os efeitos colaterais dos remédios, tão diversos quanto possamos imaginar. Eles, sem pedir permissão, mudam as pessoas: alteram o olhar, o sorriso, os gestos, gostos, apetites e vontades.

Seria pieguismo e irresponsabilidade de minha parte dizer para você que a solução para todas estas coisas está na religião. Tolice afirmar que apenas reunião de oração, jejum e leitura da bíblia vão resolver o problema. Muito menos bizarrices do tipo: sessão do descarrego, culto de “libertação”, de “unção”, do "desencapetamento" total e outras mandingas do meio “evangélico” vão "liberar a benção". Estas reuniões estão mais para seções espíritas e são destinadas a curar todo e qualquer problema como fossem a “Água Rabelo”, um antigo remédio que se usava para tratar desde verminose até tuberculose. Não, eu não creio que seja assim.

Mas acredito que a cura passa pela experimentação da verdade, ou, como disse Tolstoi: “não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma conseqüência”. Eu creio que a maior parte dos problemas e dores humanas estão associados a não percepção da Verdade, e aqui afirmo Verdade não como paradigma existencial, mas como Caminho a ser caminhado, como experimentação de valores e princípios que mudam o ser, de dentro para fora, aos poucos, pela via da pacificação produzida pela Graça, em Fé e através do Amor, pela ação do Espírito Santo que é capaz de realizar aquilo que nada nem ninguém pode fazer em definitivo: sarar a alma! Sim, pois como disse Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Estou convencido de que há prisões que não possuem grades, mas que aprisionam muito mais do que aquelas que prendem os indivíduos, posto que é mais fácil libertar o corpo do que a alma. Como disse em texto recente “...eu não sei qual foi a porta que eu abri mas, quando dei por mim, já estava aqui! Curioso, também, é que eu não sei como sair; as portas daqui só possuem maçanetas pelo lado de fora! Aqui é todo canto e lugar nenhum”.

Gostaria de te ver livre desta prisão, destas amarras que prendem tua mente, tua alma, teu ser. Sei que só Deus pode te livrar disto tudo, mas esta experiência tem de ser vivida por cada um, a seu tempo e do seu próprio modo. Fiques, então, com o que escreveu Clarice Lispector: “liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

EM UM MUNDO MELHOR - LUIZ FELIPE PONDÉ

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

É possível um mundo melhor? Sim e não. Sim, é possível um mundo melhor a começar por melhores remédios, casas, escolas, hospitais, aviões, democracia (ainda acredito nela, apesar de ficar de bode às vezes).
Não, não é possível um mundo melhor porque algumas coisas não mudam, como o caráter humano, suas mentiras e vaidades, sua violência, mesmo que travestida de civilidade, nossas inseguranças, nossa miséria física e mental, nossa hipocrisia. Nossas ambivalências sem cura. Os valores são incomensuráveis. Você até pode achar que na vida vale mais a pena “ser” do que “ter”, mas isso pode ser apenas um modo infantil de ver as coisas: não há “ser” sem o “ter” que sustenta tudo.
A famosa frase “que vão os anéis e fiquem os dedos” às vezes mais parece ser bem o contrário, “que vão dedos e fiquem os anéis”, porque os diamantes são eternos, e os dedos, não.
Resumindo: mesmo a tecnologia e a ciência, grandes fatores positivos, podem ser elas mesmas terríveis. Não é outro o sentido de se perguntar “como educar depois de Auschwitz?”, como se pergunta o filósofo Theodor Adorno. Mesmo a democracia pode virar coisa de “black blocs” ou demagogos que juram confiar na “sabedoria popular”. E isso dá bode.
Recentemente revi o filme “Em um Mundo Melhor”, de Susanne Bier, de 2010. Trata-se de um filme bastante didático, bom para escolas. Um médico sueco trabalha em algum lugar infeliz da África, enquanto sua família derrete na Dinamarca onde mora.
Seu filho é objeto de bullying (chamam-no de “rato” pelo dentes feios que tem e esvaziam o pneu da sua bicicleta o tempo todo). Ele nunca reage. É tímido e tem medo dos mais fortes. Sabe que se reagisse apanharia mais. Muitas vezes, a essência da coragem é perder o medo de sofrer além do que já se sofre. A verdade da coragem não é querer vencer, mas perder o medo de perder tudo que se tem.
Escolas de crianças são um escândalo. Um depósito de violência de todo tipo. Um lugar especialmente indicado se quisermos duvidar da existência de Deus usando o famoso argumento a partir do mal (“argument from evil”, como dizem os filósofos da religião americanos): se Deus existe e é bom e todo-poderoso, como o mundo pode ser mau como obviamente é?
Há todo tipo de resposta para isso, e elas compõem o que em teologia se chama “teodiceia”. Qual é o sentido de ser bom na vida? Há garantias de que o bem compensa? Não, não há, nenhuma.
Eu concordo com o filósofo Isaiah Berlin: não há teodiceia possível. Os valores são incomensuráveis entre culturas, pessoas, épocas históricas. Qualquer utopia não passa de um surto infantil projetado sobre o mundo. Não vai mais longe do que uma história de Branca de Neve.
Voltando ao filme. O médico é contra violência física. E vive isso de modo corajoso, não se pode negar. A vida que leva na África é prova de seu caráter. Enfrenta um sujeito que bate na sua cara na Dinamarca, quando está visitando sua mulher e filhos, de modo digno, revelando a estupidez que está por trás do brutamontes idiota.
Ela quer o divórcio porque se sente sozinha, é óbvio, e, aparentemente, além de deixá-la sozinha, ele andou comendo alguém por aí… Santo, mas nem tanto… Você pode salvar o mundo enterrando sua família. Olha aí a incomensurabilidade de que fala Berlin.
Ao final, seu princípio de não violência é testado na África e ele perceberá que para tudo existe um basta, e às vezes a violência é tudo que resta. Os pacifistas são também gente infantil.
Mas onde está esse mundo melhor no filme? A vida em casa degringola. O filho humilhado encontra um amigo que o protege na escola. Um menino corajoso, decidido e violento, que se move no mundo de modo oposto aos princípios do médico.
Na verdade, o menino é um desesperado, solitário, que acaba de perder a mãe de câncer, num processo doloroso que sutilmente o filme parece indicar ter chegado à eutanásia.
O mundo melhor parece ser aquele no qual as pessoas podem errar, pedir perdão e ser perdoadas. Um mundo melhor não é um mundo sem violência ou ambivalência, mas um mundo onde existe o perdão.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

CRISTIANISMO JUDAIZANTE - MARCELO LEMOS

Cristianismo Judaizante: nos passos do caranguejo!



Rev. Marcelo Lemos

Antes de ler o artigo veja o vídeo:



O vídeo acima foi gravado a mais de um mês. Mas, se o leitor acha que o “Templo de Salomão” do Bispo Edir Macedo é o único exemplo de apostasia judaizante na igreja brasileiro, leia o artigo a seguir e descubra que não.

Estou viajando, mas entre entrar e sair de Belo Horizonte nas últimas semanas acabei arrumando tempo para visitar um “feira evangélica” na capital mineira. Uma decepção. Misturados a versões bíblicas, chaveiros com temas religiosos e folhetos evangelísticos, encontrei diversos outros artefatos de fazer o estomago embrulhar. Correntinhas da sorte (daquelas de fazer promessa), cajados, espadas e arcas da aliança confeccionadas em plásticos, óleos perfumados com as mais variadas essências, além de trajes para uma tal de “dança litúrgica”. Não fosse pelos materiais genuinamente cristãos expostos em outros boxes, certamente seria possível confundir com uma feira de artigos para macumba.

Por algum motivo, provavelmente explicado pelo sionismo latente na teologia cristã popular de hoje (entenda-se Dispensacionalismo), há uma verdadeira atração por tudo que aparece sob a famosa Estrela de Davi, como se a mesma fosse portadora de algum poder santificante e de autenticação. Assim, se o AT fala de uma Arca da Aliança, os neoevangélicos estão dispostos a se prostrarem diante de sua réplica hoje, bem como estão dispostos a carregarem na carteira réplicas da espada de Gideão, ou do machado de Eliseu. Indo além do próprio Dispensacionalismo, tais “evangélicos” (sic) se sentem mais atraídos pela “sombra” do que pela “realidade”.

Outro dia, por exemplo, observando o diálogo entre dois jovens pregadores pentecostais, notei o grande fascínio que nutriam por expressões hebraicas “cheias de poder” (palavras deles). “Shamah”“Tsidikenu”“Jeova Nissi”, dentre tantas outras. Que há de errado com tais palavras e expressões? Absolutamente nada. A grande questão é que “Jeová Nissi” e “Deus é a minha bandeira” significam a mesma coisa, e não há nada de poderoso em ficar repetindo a mesma ideia em hebraico; a menos, claro, que a pessoa tenha em mente algum tipo de “mantra” - mas aí, já não estamos mais nos domínios da fé cristã. Contudo, pregadores sabem que gritar e repetir tais expressões inúmeras vezes de seus púlpitos, certamente lhes renderá uma pregação “poderosa”, aos olhos de seus ouvintes...

Por uma quase total ignorância da teologia neotestamentária eles alimentam a fantasia de que Deus se comoverá com palavras e símbolos judaicos! Inadvertidamente, acreditam que Deus se alegrará vendo Sua Igreja ignorando o Juízo que Cristo trouxe sobre a Casa de Israel, e com isso, rejeitam os tesouro da Nova Aliança em troca das migalhas da Antiga:

“Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos” (S. Mateus 21. 42,43).

Se Cristo está certo sobre a Igreja ter recebido as chaves do Reino de Deus, qual o sentido de querer aquilo que, segundo Jesus, foi aperfeiçoado pela fé cristã? Será que não ouviríamos hoje a mesma acusação que S. Paulo fez os cristãos da Galácia? “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis?” (Galatás 3. 1-3).

Não é de se estranhar, portanto, que a judaização da religião neoevangélica seja capaz de assumir contornos ainda mais assustadores, chegando a ponto de, literalmente, substituir a Fé Cristã por uma versão helenizada da Fé Judaica. Tenho um amigo assembleiano que quase me fez ter um infarte quando disse que estava congregando em uma sinagoga, onde estava aprendendo o quanto os cristãos tinham se afastado da verdadeira religião de Jesus. Já estava prestes a se converter em um gentio-messianico-judaizante! Como ele não nasceu judeu, evidentemente não poderia se tornar judeu messiânico, oras! Por mais que o tenham iludido na tal sinagoga, o máximo que ele poderia vir a ser era um caranguejo estiloso!

Porque, segundo o que nos é dito no Primeiro Concílio da Igreja, registrado em Atos 15, os gentios não precisam se submeter a cultura judaica para seguirem a Cristo. Um gentio que faz isso está andando pra trás, feito caranguejo, e isso faz dele “insensato”, ou tolo, nas palavras de S. Paulo.Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá.” (Atos 15. 28,29).

Mas a loucura não tem limites, é com um poço sem fim - depois que se cai nele o Inferno é o limite. Quem assistiu ao filme “Viagem ao Centro da Terra” - adaptação meia-boca do livro homônimo de Júlio Verne – deve se lembrar da cena onde os três personagens “descobrem” o caminho para o centro da Terra. Aqueles três tiveram a sorte encontrar um bom lugar de pouso no fim do buraco, mas o caranguejo normalmente termina na frigideira quando sai de seu habitar natural.

Nesse poço cavado pelos judaizantes tem uma loucura atrás da outra. Mas, vamos deixar as tolices dos neoevangélicos de lado, e aproveitar para dar olhar mais em baixo. Está virando 'modinha' entre alguns o costume de não mais chamar Deus de “Deus”, e Jesus de “Jesus”, além de outras descobertas mirabolantes, daquelas que fariam o Discovery Channel produzir uma minissérie. Porém, ao invés da nova série se chamar “O Astronauta Antigo” o nome seria algo como Em Busca do Jesus Perdido, pois o Jesus que conhecemos hoje foi, senhoras e senhores, uma falsificação do Império Romano. Aliás, se você quer questionar alguma coisa no Cristianismo o caminho mais fácil é botar a culpa num tal de Constantino. Sua tese, só por isso, já ganhará um monte de seguidores, além de render bons dividendos (pergunte aos Adventistas do Sétimo Dia, às Testemunhas de Jeová ou a Dan Brown).

Jesus, meus caros, não tem poder para salvar. Apenas Yahusha salva, como descobriu certo grupo judaizante. Segundo ensinam, o falso nome “Jesus” se estabeleceu através das traduções bíblicas, feitas primeiramente pelos católicos romanos, no que foram seguidos pelos protestantes. Felizmente, hoje temos esses verdadeiros iluminados para nos ensinar a verdade.

Mas, o que falta entre os judaizantes é a tal da unidade. A única coisa que os une é a ideia de que, nós, cristãos, falsificamos o nome do Filho de Deus. E qual é o nome verdadeiro? Uma segunda resposta nos é dada por um grupo chamado “Testemunhas de Yeshôshua” (veja artigo completo sobre eles AQUI). Bem, já temos duas teorias judaízantes, e agora?

Bem, talvez quem salve seja, na verdade, Yeshua, como afirma um grupo intitulado de “Judeus da Unidade”. Segundo seu líder do grupo, o rabino Marcos Andrade Abraão, Roma criou um personagem que pegou emprestado a história do verdadeiro Mashiach”.

O que mais me impressiona é que tais grupos estão conseguindo convencer pessoas que já conhecem o Evangelho. Recebo noticias e questionamentos sobre esses casos de “conversões”, ou melhor, de apostasias. E isso me faz perguntar se a raiz não está justamente na mentalidade mistica-judaizante da qual falei já no inicio deste artigo. Porque, não é verdade que tudo isso tem sua origem na mentalidade de que o cristianismo é apenas uma expressão do judaísmo em sua essência?

Mas, tanto essas seitas quanto os neoevangélicos padecem da mesma ignorância teológica sobre o Novo Testamento. Os judaizantes dentro de nossas comunidades ignoram a teologia neotestamentaria a respeito da Realidade ter aperfeiçoado aquilo que era “sombra”. Os que descem mais fundo na heresia, desconhecem a própria letra do Novo Testamento. Para essas seitas, o argumento principal e que foi batizado com um nome judeu, portanto, aqueles que traduziram seu nome criaram uma falsa religião. E esse argumento é muito sedutor para as pessoas que em sua igreja vivem cercadas por palavras de ordens “judaicas” e símbolos “judaicos”; para elas esse argumento pode ser muito convincente! Tão convincente que muitos estão descendo mais fundo no fosso judaizante, e abandonando suas congregações cristãs.

Alguém pode negar que “Jesus” não é o nome hebraico do Cristo? Evidentemente não! Todos os cristãos sabem disso – se aprende na EBD. Mas, é pecado traduzir o nome de Cristo para outro idioma? Se for pecado, então os apóstolos – que eram todos judeus! - foram os primeiros a cometerem tal sacrilégio, pois nós herdamos deles tal costume. Porque o nome do Salvador é citado pelos Apóstolos mais de 900 vezes no Novo Testamento, e em todos esses casos ele traduzem o nome de Jesus para o idioma grego (IESOUS CRISTOS ) no qual estavam escrevendo.

Será que a falsa religião foi inaugurada já nos dias da Igreja Primitiva? Como podemos sustentar a tese de que a tradução do nome do Filho de Deus é uma abominação, coisa da falsa religião, se a própria Bíblia usa seu nome traduzido para a língua grega? Que apostasia é essa que os apóstolos, homens inspirados por Deus, preferiram seu nome em Grego a suas variantes Yeshôshua ou Yeshua?



Um fato aceito pela maioria esmagadora dos estudiosos do Novo Testamento é que este foi escrito em Grego, com a possível exceção de S. Mateus. Assim, ainda que eu goste muito da Peshita (versão aramaica muito antiga), o fato é que os Apóstolos escreveram a maior parte de seus livros para leitores e ouvintes gentios, que, obviamente, falavam grego. Naqueles dias não havia a Bíblia como a temos hoje. As cartas eram enviadas aos lideres das Igrejas locais, e durante a liturgia eram lidas diante de todos. E uma vez que sabemos que S. Paulo foi enviado como apóstolos dos gentios, parece óbvio supor que lhes falasse em sua própria língua: “Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apostolo dos gentios...” (Romanos 11.13)“Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (Romanos 16.4)“A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo” (Efésios 3.8).

E, em todos os livros do Novo Testamento, em nenhuma vez encontramos os Apóstolos usando o nome Hebraico ou Aramaico de Jesus. Mas as fábulas judaizantes exercem tanto fascínio sobre os neoevangélicos de nossa geração que essas ideias estão se tornando cada dia mais populares. Nem todos chegaram ainda ao extremo de voltar ao judaísmo, mas muitos o estão fazendo. Nem todos estão se declarando “judeus cristãos”, mas se apegam com toda fé em elementos do judaísmo. Ironia das ironias, os judaizantes foram o grupo herético que mais deram trabalho ao apóstolo S. Paulo, e, ao que parece, eles estão de volta, e com toda força.



Não deixa de ser hilário assistir essas mesmas pessoas ficarem tão nervosas com a visita do Papa Francisco. Ora, deviam ter ataques de nervos lendo os livros de Lutero! 






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