terça-feira, 12 de março de 2013

VENCENDO VEM JESUS! QUEM? - ELIEZER SANCHES


Estes dias estamos assistindo o desenrolar de fatos que indicam que de maneira geral ativistas de qualquer vertente e a igreja triunfalista não estão preparados para viver em um estado democrático. Só vejo idiotice e beligêrancia estúpida de ambos os lados. Nos últimos lances do embate sobre a presidência da Comissão dos Direitos Humanos e das Minorias entre os ativistas gays e o Pr. Marco Feliciano mostram que tanto um como outro não apresentam legitimidade para representar quem dizem defender.

Contrariamente a idéia predominante entre os religiosos cristãos, os ativistas gays não expressam a pluralidade de percepções do pensamento da população gay e a maioria dos telepregadores como Marco Feliciano não são porta-vozes da Igreja de Cristo na terra. Esta não precisa de vozes, nem quem a porte, ela se manifesta na humanidade através dos sinais do reino dos Céus entre os homens que ela promove através de iniciativas individuais ou mais raramente, coletivas.

Quando eu era ´"evangéilico" eu cantava o hino "Vencendo vem Jesus" com aquela esperança inocentemente piegas de ver o Brasil todo "evangélico". Hoje, ao ver o exemplo desses senhores quando estão no exercício do poder temporal oro para que Deus nos livre disso. Precisei romper com a estrutura "evangélica" para ver que Jesus vem vencendo com Sua igreja somente quando a sua lei maior - a do Amor- é praticado entre TODOS os homens, sem pudor algum. Praticando o Ágape desavergonhadamente!

O ataque feito ao Marco Feliciano em um culto é totalmente repudiável, por maior que seja a divergência entre os lados. Talvez a única lição desse episódio lamentável seja para que os “evangélicos” sintam na pele a mesma indignação daqueles a quem desrespeitam, quando levados por uma ousadia carnal, invadem terreiros e destroem os símbolos sagrados dos praticantes de uma religiosidade diferente da deles. Da mesma maneira que se sentem ultrajados, os adeptos de outras profissões de fé também se sentem assim. É algo inerente a qualquer ser humano.

No fim das contas, a “igreja evangélica triunfalista” está colhendo o resultado de anos de “evangelização” sem amor verdadeiro às almas e sem consciência do alcance da transformação do evangelho... das evangelizações por “ordenança” e não por genuinidade na motivação... do adestramento teológico e doutrinário e não da revelação sobrenatural da Verdade ... da adesão à uma fé e não conversão com arrependimento... sobre a de sua impetuosidade beligerante e desrespeitosa em vez da cordialidade e do andar em paz com todos... pois é, o “evangelismo de resultados” deu tão certo, que agora a fórmula é copiada pelos ativistas gays, ateus, agnósticos e tantos outros que “vão para o inferno”, pois estes “não tem mais jeito”, pois a "verdade" está com eles...

Agora estão utilizando o desculpa de ser “perseguição” ao Evangelho. Estratégia velha e manjada para jogar o ônus dos desatinos pessoais de seus líderes para as costas do povo da igreja, utilizada por líderes de igreja televisivos quando alguma coisa dá errado no planejamento deles. Parafraseando um jargão evangélico pentecostal “é mentira do diabooooo”...

Quem pratica o Evangelho padece de outro tipo de perseguição que não é pelas suas posições morais e éticas publicamente conhecidas ou por questões de consciência.

Se isso que alegam é "perseguição", não é o tipo de perseguição que a bíblia narra que os discípulos de Jesus sofreriam por Segui-lO. A perseguição a ponto de matar seria de outra vertente que não a imposição à sociedade de um ideário moral supostamente bíblico em sua composição e sim, que o amor impregnado na vida de cada discípulo andando em meio a humanidade, transbordasse de tal maneira que a simples presença destes seres, embaixadores do Reino Celestial em um mundo corrompido, provocará o profundo constrangimento aos homens de prosseguir pecando contra si e contra o próximo na busca de satisfação de seu ego. Então pela condição da insuportabilidade de conviver-se com gente tão cheia de Deus, constrangendo-os a não mais pecarem em sua presença, não haverá outra saída a não ser matá-los para pecarem “em paz”... sufocando o amor que embora os constranja em sua carnalidade também é o livramento do mal que são para si e do pecado que lhes aflige, ao perceberem em suas almas que lhes é necessário responder a tão grande Amor, sem que palavra alguma de condenação sejam-lhes dirigida. Afinal, não foi assim que Jesus agiu sempre, de acordo com os relatos dos Evangelhos? E Ele não é nosso modelo, nosso alvo?

Não me parece que a “igreja” tenha chegado a tal status de santidade e rendição ao amor divino. Vejo, com alegria, exemplos desse aprofundamento de Cristo na vida de uma porção de irmãos e irmãs na fé. Então que se encontrem os motivos dessa “perseguição”!

Entendo que essa "PERSEGUIÇÃO" é o resultado de anos de uma igreja submissa não à Deus, mas à um espírito beligerante e proselitista (comum no protestantismo em geral), de posições equivocadas e parciais supostamente bíblicas, de radicalismo biblicista calcado só na letra e no devaneio dos contadores/pregadores de fábulas de velhas caducas e não no Espírito que A inspirou... nada a ver com a temperança, com a moderação e a justificativa sobrenaturalmente convincente da razão de nossa esperança... hoje aqueles que passaram por esta lambança religiosa toda e ainda preservam um mínimo de consciência sobre o Evangelho percebem que deveriam ter se colocado de maneira mais firme contra o processo de sincretismo religioso das primeiras igrejas neopentecostais e aos ventos das doutrinas heréticas importadas especialmente dos EUA, lá nos anos 1990... agora precisam fazer de tudo para "descolar" sua imagem daqueles que há muito vem pervertendo o Evangelho, substituindo-o pela feitiçaria gospel e um projeto de poder talibanesco.

A despeito das forças veladas por trás da mídia, as últimas semanas tem apresentado uma versão bizarra da realidade (condenados assumindo mandatos, investigado dirigindo casa legislativa, líder de igreja renunciando ao cargo secularmente vitalício, mandatário morto em caixão de vidro para adoração pública, diminuições de preço para "inglês ver", truques contábeis para arrumar as contas do país...) , assim como nos desenhos dos "Super-Amigos", que haviam duas realidades: uma em que os heróis eram gente do bem e outra onde eles eram do "mau"... bizarros... hoje me sinto em um mundo bizarro de desenho animado... surreal como um quadro de Salvador Dali... aqueles que avocam serem os "homens de Deus" se comportando como "Tiões-Gavião" e os "inimigos da igreja" se comportando com muita freqüencia como o bom samaritano... uma história que nem João Grilo acreditaria se fosse contada , nem Chicó saberia dizer se foi assim mesmo... para entender o que digo, clique aquiaqui e aqui .

Se há de se marcar a diferença entre “aquele que serve e aquele que não serve à Deus”, conforme os evangélicos gostam tanto de demonstrar em suas performances de teatralidade espiritual, então é chegada a hora dos verdadeiros adoradores O adorarem em espírito e verdade... adorando-O, amando verdadeiramente ao próximo como a si mesmo... tolerando as fraquezas do outro, pois todos somos fracos em algum ponto... ajudando e sendo ajudado a crescer na caminhada com o Mestre... estamos todos carregando os desdobramento de nossas escolhas equivocadas, de nossa parcialidade e ambiguidade... por isso repartir nossas cargas uns com os outros as deixa mais fácil de carregar... e é só em um ambiente de Graça divina que essas questões se equacionam e o ser encontra a pacificação de suas contradições.

É momento de gerar ambientes de Graça, da mesma Graça que fomos alvo um dia em Deus, para acolhimento de todos... isso é ser Igreja... de proporcionar oportunidades de mudança de vida pelo arrependimento frente a constante internalização pessoal da Palavra e do Amor divinos... de ajudar a conduzir os irmãos do conhecimento meramente intelectual de Jesus para uma experiência de vida com Ele...e se tivermos que ser beligerantes, que o sejamos em um só aspecto: na anunciação de que em Cristo, Deus restaurou consigo o homem!

Não falo nada de novo... só estou colocando 2ª Coríntios 5 em minhas palavras.

Minha esperança e oração é que a igreja opte por ser percebida na sociedade discretamente... como o sal dá sabor à comida mas não é possível dissociá-lo um do outro.




sexta-feira, 8 de março de 2013


Reflexões sobre o joio e o trigo


 
“Pena que Bilbo não o matou quando teve a oportunidade.” Disse Frodo.
“Pena?” Disse Gandalf. “Foi justamente a pena que parou a mão de Bilbo. Muitos que vivem merecem morrer. Alguns que morrem merecem viver. Você pode lhes dar vida Frodo? Então não seja tão ávido para julgar e condenar à morte. Mesmo os mais sábios não conseguem enxergar tudo. Meu coração me diz que Gollum tem um papel a desempenhar para o bem ou para o mal antes de isso acabar. A pena de Bilbo pode decidir o destino de muitos.”
Filme O Senhor dos Anéis – A sociedade do Anel.


Eu gosto de assistir a filmes. Sempre que tenho a oportunidade, assisto a algum. Épicos, ficção, históricos... A Trilogia O Senhor dos Anéis faz parte do meu gosto pessoal. No primeiro filme, essa conversa entre o sábio Gandalf e o hobbit Frodo Bolseiro é, para mim, o ponto culminante do enredo. Mostra que ninguém, por mais sábio, preparado, conhecedor dos mistérios da vida, tem a visão completa sobre si mesmo e o mundo em que vive. Esse trecho tem estado repetindo em minha mente constantemente nesses últimos dias.

Jesus certa vez, como relatado em Mateus 13 entre os versos 24 e 30, comparara o Reino dos céus ao homem que saiu ao campo a semear a boa semente. Percebam na parábola que a boa semente não está misturada ao joio. No descuido dos homens que deveriam cuidar do campo, o inimigo também semeou o joio. E ambos cresceram juntos. E ambos eram idênticos no princípio. Tão idênticos que não poderiam ser arrancados antes de amadurecerem e dar seus frutos para não correr o risco de que o trigo fosse arrancado junto com o joio. “A palavra joio não é uma tradução exata da palavra grega zizania que significa erva daninha que nasce nas plantações de grãos e cresce exclusivamente em campos cultivados. Ela é uma degeneração do trigo.” (Kistemaker, Simon – As parábolas de Jesus. Pg 58).

Essa é uma grande verdade da vida: uma semente, a boa, semeada pelo Mestre. Outra semente, a má, semeada pelo próprio diabo. E ambas se parecem muito antes da colheita, antes que apareçam os frutos.

Tenho acompanhado com certo assombro o momento histórico que o cristianismo vem atravessando no mundo, especialmente aqui no Brasil. Mas ao mesmo tempo, meu coração está quieto, pois também tenho visto as palavras de Jesus tendo seu cumprimento, no tempo certo, da forma certa. Tenho observado os frutos de ambas as sementes aproximando-se do amadurecimento. E o resultado do crescimento do joio já começa a aparecer: frutos podres, que exalam morte, que exalam mundanismo e ecos do próprio inferno atrás de si. O joio são os filhos das trevas. Tenho visto pessoas abarrotarem, literalmente, as chamadas “igrejas” que pregam a prosperidade. Mas tenho visto também, parte dessas pessoas afastarem-se ou perderem a fé quando submetidas a qualquer vento de dificuldade, por menor que seja. Árvores sem raiz profunda, plantadas na areia de mentira, do engano, da morte. A prosperidade que vem dos céus é esta: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Filipenses 4:11-13

O chamado pseudo-evangelho que vemos é o resultado claro do envolvimento dos filhos das trevas. No início aparentava certa semelhança, algo parecido com o que acontece entre o joio e o trigo quando ainda são pequenos. Mas apenas aparentava. À medida que as plantas crescem, o fruto torna-se mais nítido. Por isso, o Filho do Homem dirá aos que não são filhos do Reino naquele dia: “Apartai-vos de mim...” Observe que tudo o que os que não são do Reino fizeram, fizeram-no em nome do Mestre. E que tudo o que fizeram, fizeram para aproximar-se daquilo que os filhos do Reino fazem, mas de forma distorcida: fazem e vendem milagres em nome de Jesus; incentivam as pessoas a pagarem pelas benções dos céus em nome de Jesus; entregam visões, revelações e profecias em nome de Jesus; consagram objetos em nome de Jesus... Contudo, o Mestre não os conhece. Não são filhos do Reino. Os filhos das trevas jamais serão filhos do Reino: lobos travestidos em pele de pastor de ovelhas, pedófilos, prostitutos, escarnecedores do Evangelho de Cristo, que usam a Palavra apenas para o que lhes convém, que sugam as ovelhas para depois descartá-las... O lugar destes é no lago de fogo, têm por pai ao diabo (Mt 13:41-42).

Peço permissão para citar algo que me tocou profundamente, e me fez refletir durante muito tempo: “Falando de prosperidade material e, após afirmar que o nosso Deus é um Deus de recompensas (?), apresenta os versículos de Filipenses 3:13-14, insinuando que o ALVO é a prosperidade material. Ali estava a malignidade. Meus ouvidos se fecharam.” “Danilo Fernandes via Genizah em 05/02/13). Sim, ali o nobre irmão viu a essência do joio em sua forma mais letal até os dias atuais. Ouso afirmar que ali o nobre irmão não somente viu, mas entendeu de forma mais ampla a dimensão do poder destruidor que o joio tem quando cresce junto com o trigo deixando-se ser confundido com ele!

Mas como na conversa entre Gandalf e Frodo, até mesmo o mal tem seu propósito na história da humanidade - mas isso é conversa para outra reflexão, que está “quentinha, quase saindo do forno”. E o joio tem sua importância. Uma delas é mostrar que seu fruto para nada presta, serve apenas como combustível a ser queimado no meio do fogo. Mas antes de ser queimado, ele necessariamente deve crescer. E o mais interessante é que as raízes, tanto do joio como do trigo estão tão emaranhadas que, se alguém tentar arrancá-lo antes do tempo acabará pisando no trigo e matando-o, ou então arrancando o trigo juntamente. Isso só poderá ser feito no momento certo e pela pessoa certa. O joio, portanto, deve misturar-se, deve frutificar. E o Mestre conhece os que são Seus e a estes Ele não confunde jamais! 

Concluo com as sábias palavras de Douglas Stuart e Gordon Fee, em seu excelente livro “Entendes o que lês?” “A própria parábola é a mensagem... a fim de fazê-los parar e pensar acerca de suas próprias ações, ou de levá-los a dar alguma resposta a Jesus.” (pg 119-120). Qual é a resposta que daremos a Cristo? Ficaremos inertes, vendo o joio passar-se por trigo sem denunciá-lo? Ou levaremos cada vez mais a sério o estudo minucioso das Sagradas Letras e denunciaremos, seguindo o mesmo exemplo do apóstolo Paulo?




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A POBREZA DE JESUS CRISTO - OSMAR LUDOVICO


A pobreza de Jesus Cristo

Osmar Ludovico

Ele nasceu numa estrebaria de uma aldeia obscura, na periferia do império romano. Era filho de gente muito humilde e seu berço foi um caixote que se usava para dar de comer aos animais. Quando seus pais o apresentaram a Deus no Templo de Jerusalém, sua oferta se reduziu a duas pombinhas, oferta estipulada pela lei mosaica em tais ocasiões para pessoas sem recursos. Com seus pais, deixou seu lar e viveu como refugiado em terra estrangeira por causa de um decreto imperial que mandava matar todas as crianças com menos de três anos.

Ele foi criado em outra aldeia na casa de um carpinteiro e, quando adulto, chegou a afirmar que não tinha onde recostar a cabeça. Quando completou trinta anos tornou-se um pregador itinerante viajando pelo país com seus doze discípulos. Foi, então, falsamente acusado e inocentemente condenado. Seus amigos o abandonaram. Depois de torturado, foi crucificado entre dois ladrões. Quando morreu, aos trinta e três anos, foi sepultado em um túmulo que um amigo bondoso emprestou.

Jesus Cristo foi pobre, mas sua pobreza foi algo que ele assumiu voluntariamente, movido pelo seu amor. Ele era rico, mas fez-se pobre, numa expressão concreta de sua identificação com a humanidade.

É tempo dos cristãos dos grandes centros urbanos se arrependerem de usar Deus para satisfazerem sua ambição material. E aprenderem a viver com simplicidade e generosidade, ajudando aqueles que não têm para a subsistência diária.

Ouvimos muita gente dando testemunho que tinham um carro velho e agora tem dois novos, tinham uma casa pequena e agora tem duas grandes, que ganhavam um tanto, mas agora ganham três vezes mais. Aceitaram a Cristo, aderiram a tal igreja e prosperaram materialmente. Nunca ouvi alguém dando testemunho que se converteu e decidiu dar uma parte de seus bens para os pobres e para missões.

Cristãos urbanos de classe média estão imersos numa estrutura consumista, alienados da realidade do sofrimento de milhares de brasileiros. Pensam em si e no que é seu e confundem Deus o Pai de Jesus Cristo com Mamon, o deus dinheiro, o pai de todos os males (I Tm 6.10). Mamon não é uma potestade, promete paz, tranqüilidade, vida feliz e alegria e, portanto, compete com Deus. Muitos acham que estão confiando em Deus, mas, no entanto, confiam em Mamon (Mt 6.24).

A sociedade de consumo nos condiciona e nos leva a desejar possuir cada vez mais coisas, convencendo-nos que tendo mais seremos mais. Um mundo que pensa e age somente em termos materiais acabou contaminando o povo de Deus. E igrejas anunciam conforto material ilimitado para aqueles que aderirem e trouxerem sua contribuição.

Acabamos todos preocupados com a vida material, amarrados em contas, crediários, consumo de supérfluos, símbolos de status, dominados pela ambição de ter mais, sempre insatisfeitos.

Jesus Cristo na sua pobreza voluntária nos liberta dos condicionamentos da sociedade de consumo, e nos torna dispostos a confiar a ele toda a nossa vida, dons, talentos, recursos e tempo para servir com alegria o nosso próximo.

O verdadeiro conhecimento de Deus gera santidade e serviço, e o verdadeiro conhecimento de si gera quebrantamento e humildade.

Estas são as virtudes que a Igreja mais carece nestes dias: santidade, serviço, quebrantamento e humildade. Portanto, tenhamos discernimento, pois há uma outra teologia por ai que ao invés de santidade gera negócios escusos, ao invés de serviço gera egoísmo, ao invés de quebrantamento gera farisaísmo, ao invés de humildade gera busca pelo poder.

Olhemos por um momento para a vida de Jesus de Nazaré em quem cremos. Ele abriu mão de seus direitos e privilégios, esvaziou-se de sua divindade, por amor a nós fez-se homem, veio para servir e não para ser servido.

Não há nada de errado em buscar as bênçãos de Deus e uma vida material digna. Errado é acumular sem repartir. Sodoma e Gomorra, contrariamente ao que muita gente pensa, não foram destruídas pela sua promiscuidade sexual, mas sim por que acumularam riquezas e não repartiram: “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas, mas nunca amparou o pobre e necessitado”. Ez 16.49

Que o Senhor tenha misericórdia de nós, que o Senhor tenha misericórdia de sua Igreja, que o Senhor tenha misericórdia do Brasil.



Publicado em consciencia.net




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SOBRE PASTORES E LOBOS - OSMAR LUDOVICO






Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos.

No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.
Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.
Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.
Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.
Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.

Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: 
“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são devoradores (Mateus 7:15).





Originalmente na Revista Enfoque

VERGONHA ALHEIA - PABLO MASSOLAR





Já faz algum tempo que tenho vontade de escrever sobre esse assunto, mas não me sentia suficientemente motivado para depositar aqui estas poucas palavras sobre algo tão incompreendido.

Nasci e cresci num ambiente onde a experiência da fé sempre foi muito importante, porém contundente. Dos dois lados da minha família a religiosidade sempre esteve no meu cotidiano e eu me via entre dois polos constantemente. A família do meu pai sempre foi muito católica. Minha avó paterna era bem engajada nas questões da paróquia católica na pequena cidade onde morava. Quando eu passava minhas férias na casa dela, sempre a via lendo a Bíblia com o terço ao lado, antes de dormir. Meu avô, por parte de mãe, era pastor evangélico. Converteu-se ainda jovem e aceitou o chamado pastoral já depois de casado. Ele visitava as igrejas que pastoreava a cavalo ou de bicicleta porque não tinha dinheiro para comprar um carro. Tempos difíceis aqueles!

O casamento dos meus pais levou um tempo para ser aceito pelas duas famílias. Havia meio que um ar de Montecchio e Capuleto na história deles. A cerimônia foi realizada por um padre e um pastor (meu avô) ao mesmo tempo. Desde muito novinho sempre passeei nos dois ambientes: católico e evangélico sem qualquer problema. Às vezes ouvia tanto um lado como o outro apontarem os motivos da fé que os movia.

Aprendi a respeitar e ouvir pacientemente os pontos de vista que eram diferentes do meu e responder com sinceridade às perguntas que me faziam e fazem sobre a fé que professo. De lá pra cá, sou a terceira geração nesta família protestante (e de pastores)...

Meu avô foi pastor em Anta, uma cidade bem pequena que fica na divisa entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a briga entre protestantes e católicos era sempre muito acirrada. Em 1960, quando ele chegou nessa cidade, foi até o padre e se apresentou como o novo pastor designado para a cidade. O nível de amizade entre os dois cresceu e chegou a um ponto surpreendente quando o alto-falante da igreja católica queimou e meu avô, contrariando o clima de embate entre as igrejas, emprestou o alto-falante da igreja onde era pastor para o padre anunciar as programações da igreja católica.

Naquela época os alto-falantes eram grandes cornetas, ficavam presos nas torres dos templos e não tinham como ser removidos facilmente. Emprestar o alto-falante significava anunciar a programação da igreja católica com o alto-falante da igreja evangélica, na própria igreja evangélica.

Não preciso dizer que, se naquela época isso já foi muito ousado, imagino que ainda hoje muita gente, dos dois lados, vai mandar alguma pedrada. Mas eu aguento.

Na faculdade de teologia vi esse tipo de pensamento convergente, declarado e explicado de um outro jeito: "quando a gente entra para a igreja evangélica, nos ensinam que os católicos não vão para o céu. É verdade! Muitos católicos não vão para o céu. Mas, por outro lado, é verdade que muitos evangélicos também não vão para o céu." Eu vou além... Na palavrinha "católicos", sem ofensa, e sem comparação entre as palavras em si, mas só para ampliar o pensamento, eu vou acrescentar: ateus, espíritas, desviados, pagãos, prostitutas, gays e todo tipo de gente que nós (evangélicos) consideramos "pecadores"...

Bem, fiz esse preâmbulo todo para dizer que: dar voz a quem pensa diferente de mim não demonstra que estou em cima do muro ou que mudei de opinião, muito menos que minha fé não esteja firmada na Rocha. Demonstra respeito, vontade de aprender e dar atenção ao outro. Simplesmente ouço todas as coisas, opiniões e maneiras de enxergar a vida, tento me colocar no lugar do outro e absorvo somente aquilo que realmente é bom. O que não é bom deixo pra lá e se, de alguma forma, eu puder contribuir para a outra pessoa crescer e aperfeiçoar sua visão, farei com todo amor e respeito até que ela mesma perceba o equívoco. Desse jeito vou ganhando muitos irmãos de caminhada na fé.

Mas às vezes chega o momento de virar a mesa, como fez Jesus no templo ao expulsar os vendedores e ladrões que se utilizavam da fé do povo para enganar, explorar e enriquecer do ouro do templo. Nem Jesus nem Paulo pegavam leve com os que se diziam religiosos e ofendiam a Deus com sua prepotência, arrogância e autossuficiência ainda que fossem grandes e respeitados líderes religiosos.

Paulo e Jesus davam nomes, sim! Nomes! O que para muitos evangélicos atualmente seria uma afronta pelo que se diz "não toque no ungido" ou "não julgue para não ser julgado". Denunciavam, expunham as feridas da religião, não pela vontade de ganhar exposição, mas por amor ao Evangelho. O verdadeiro Evangelho. Havia grandes líderes que o povo cultuava como representantes e arautos da mensagem de Deus, mas eram apenas lobos em pele de ovelha, raça de víboras e sepulcros caiados. Jesus dizia: "façam o que eles dizem, mas não imitem os seus atos!".

O grande problema hoje é que a maioria do povo está cego, seduzido, entorpecido pela mensagem dos falsos profetas e não consegue discernir este tempo. O evangélico é conhecido hoje muito mais pelo show, pelo mercado, pelo colégio eleitoral, pela força da mídia e da pressão, sem amor e sem reflexão profunda, do que a mudança de vida exigida pelo Evangelho.

Sinto verdadeira vergonha alheia quando vejo um auto proclamado representante evangélico ganhar mídia e projeção muito mais pela polêmica que consegue gerar do que pelo anúncio: "vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados...".

Arrepia-me o fato do povo evangélico e muitos outros simpatizantes defendê-lo e acharem que está se pregando o Evangelho, que o pecado está sendo desmascarado. Pois eu digo que o pecado está sendo desmascarado, sim, muito mais pela "trave" que está no olho do povo evangélico do que pelo cisco no olho de quem está apenas batendo no peito da própria existência, se dizendo um pecador e sem coragem de olhar para o deus (com letra minúscula mesmo) vingativo, negociador e charlatão anunciado nas telas das nossas TVs.

O Jesus da Bíblia não se parece nem um pouco com o Jesus da televisão e dos grandes templos. Só quem está cego e enfadado da religião que se "auto salva" não consegue perceber. Para nossa tristeza e vergonha...

Não se faça de sábio aos seus próprios olhos! No Reino por vir, os últimos, os esquecidos, abandonados, pequeninos e menos proeminentes é que serão os primeiros.


O Deus que se revela aos simples e pequeninos o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!




Em Ovelha Magra


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz2KxpeV42n
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Desabafo é o ralo por onde se escoam as lágrimas



Baruque era contemporâneo do profeta Jeremias. Era seu escriba, porta-voz e amigo. Foi ele quem escreveu a primeira e a segunda edição do livro que registra tudo o que Deus disse a Jeremias a respeito de Israel e de outras nações, na época anterior à destruição de Jerusalém pela Babilônia, nos anos 600 antes de Cristo. Jeremias ditava e Baruque escrevia. Foi também Baruque quem leu o livro em voz alta, duas vezes, primeiro para o povo reunido no templo e, depois, para um seleto grupo de líderes em lugar mais reservado. Depois da privilegiada oportunidade de escrever e tornar conhecido o conteúdo do livro, Baruque teve uma crise depressiva muito forte e desabafou: “Ai de mim! O Senhor acrescentou tristeza ao meu sofrimento. Estou exausto de tanto gemer, e não encontro descanso” (Jr 45.3).

Não é difícil entender o problema emocional de Baruque. Ele teve experiências muito chocantes em seu ministério ao lado de Jeremias. Ambos esperavam, como consequência da leitura do livro, que o rei e o povo se convertessem de sua má conduta e, então, recebessem o perdão do Senhor. Aconteceu o contrário: quando o livro era lido pela terceira vez, agora na presença do rei Jeoaquim, em seu palácio de inverno, “cada vez que Jeudi terminava a leitura de três ou quatro colunas, o rei cortava com uma faquinha aquele pedaço do rolo e jogava no fogo [...] até que o rolo inteirinho virou cinzas” (Jr 36.23-24, NTLH).

Além do mais, Baruque chorava porque corria risco de vida, porque estava por dentro das iniquidades praticadas pelo povo, porque tinha conhecimento do juízo de Deus prestes a se abater sobre o povo e porque ele próprio estava ao alcance das desgraças que se sucederiam, mesmo não participando da corrupção generalizada.

Baruque não era o único a se queixar de exaustão. Alguns de seus contemporâneos faziam o mesmo: “Estamos exaustos e não temos como descansar” (Lm 5.5). A exaustão emocional dói mais que a exaustão física, e a exaustão espiritual dói ainda mais. Baruque agiu como os outros agiram: derramou a sua alma perante o Senhor. O desabafo sincero é o ralo por onde se escoam as lágrimas.

O consolo de Deus é estranho, mas funciona. A cura que ele opera não é superficial. Deus não apenas oferece o lenço para o sofredor enxugar as lágrimas, como também ensina a pessoa a lidar com os problemas da vida. Baruque queria ser uma exceção. Como muitos crentes de hoje, sob a alegação de que são “filhos do Rei”, o escriba queria ir para uma sala VIP, queria uma espécie de salvo-conduto, esconder-se dentro de uma redoma onde pudesse se proteger da famosa tríade (guerra, fome e peste) que estava assolando a nação e encontrar água e comida à vontade e por muito tempo. Todavia, Deus lhe perguntou: “Será que você está querendo ser tratado de modo diferente?” (Jr 45.5, NTLH).

A mágica de Deus nem sempre é retirar o espinho na carne no momento em que nós o desejamos, mas tornar mais abundante e mais suficiente a sua graça (2 Co 12.7-10). Naquele momento histórico, era necessário “arrancar, despedaçar, arruinar e destruir” a nação pecadora (Jr 1.10). Posteriormente, porém, depois da humilhação e da quebra da cerviz dura, Deus estaria disposto a reverter o quadro, reedificar o que havia derrubado e replantar o que havia sido arrancado (Jr 31.4, 28, 40). Baruque não teria uma redoma para se proteger, mas Deus o deixaria escapar com vida onde quer que ele fosse, em meio às ameaças e às desgraças da guerra, da fome e da peste (Jr 45.5).


Artigo publicado originalmente na seção “Pastorais” da revista Ultimato 315, de novembro de 2008.

APOC. 5 EM OUTRAS PALAVRAS - ARIOVALDO RAMOS




E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos.
E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra. E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono. E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra. E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. E os quatro animais diziam: Amém! E os vinte e quatro anciãos prostraram-se e adoraram ao que vive para todo o sempre.

Em Outras Palavras...

Vi, na mão direita do que estava assentado no trono, o livro da redenção do Universo, escrito por dentro e por fora, e de todo selado com sete selos.

Vi, também, um anjo forte, fazendo a pergunta crucial para a libertação de todo universo, porque, graças à rebelião humana, a existência de tudo e de todos, inclusive a dos anjos, estava comprometida; caso o livro não fosse aberto; e ele proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos?

A resposta que ele obteve é de que não havia ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro, nem olhar para ele.

E eu chorava muito, porque: nem no céu, nem na terra e nem debaixo da terra (e que outro lugar há além destes?) ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E eu sabia que nós tínhamos feito isso!

Então, em meio ao meu choro, apontando para uma direção, disse-me um dos anciãos, dos que velam pela justiça do Deus: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos. Falava de alguém, que pelo visto, saíra, e eu saberia de onde, com o objetivo claro de participar de uma luta, que, vencida, lhe daria o direito de desatar os selos e abrir o livro. Que, portanto, saíra da posição que ocupava para, exclusivamente, conquistar o direito de redimir a toda a criação, e que o conseguira. Saiu para vencer e venceu!sabia

E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos um Cordeiro, com as marcas de um cordeiro que tinha sido sacrificado, era perfeitamente poderoso e perfeitamente sabedor de tudo o que acontece em toda a terra, mas, era um cordeiro, e o ancião me tinha falado de um leão, que, embora, da tribo de Judá e raiz de Davi, não podia ser do céu, nem da terra, nem de debaixo da terra; e além disso, só há o Deus, que é em quem todo lugar está, inclusive o céu; restava saber se o Cordeiro era o mesmo ser de que me falara o ancião. E eu só o saberia se ele pudesse tomar o livro e abrir-lhe os selos.

E veio, e sem maiores apresentações, tomou o livro da destra do que estava assentado no trono, que fica em lugar de luz inacessível, onde só o Deus pode e resiste entrar. Ele só podia ser alguém que fizesse parte do Deus! E eu fiquei a esperar pela reação dos demais.

E, havendo tomado o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas cheias de incenso, que são as orações dos santos, as orações por nossa libertação espiritual, e na história, que, esperávamos, fossem ouvidas, pois, estávamos sob severa perseguição.

E começaram um culto, cantando um novo cântico para ele, que dizia: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação.

E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

Então, percebi que se tratava da mesma pessoa, que o leão do ancião era o cordeiro dos humanos, de modo que me dei conta de que eles viam o ancião, mas nós, da terra, só víamos o cordeiro, que foi sacrificado, e que ele é quem deveria ser o nosso padrão de identidade e de forma de viver. Vi, também, que mesmo para os do céu, a figura do cordeiro se impunha, pois o seu sacrifício é que lhe dava a autoridade de libertar espiritual e historicamente a toda a criação. E que nossas orações estavam liberadas, nós íamos mudar a história, e, por meio de nossas orações reinaríamos sobre a terra, e a história humana, então, passaria a ser contada a partir de nós, se tão somente orássemos como sacerdotes de toda a criação, pela libertação desta.

E olhei, e ouvi a voz de bilhões de anjos, e dos seres viventes ao redor do trono, que, também, vieram prestar culto e, com grande voz, diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.

Lembrei-me de que, quando o Cordeiro esteve entre nós, ele teve se deparar com um anjo caído que disse que tudo era dele, e o era, porque nós, seres humanos, havíamos entregue a ele o que era nosso, mas, agora, aquele que pôde tomar o livro, ouvia dos anjos, que tinham expulsado o anjo caído, que ele era digno de ter tudo o que o anjo caído havia tido como seu, o que indicava que, no Cordeiro, vencemos, e que a guerra entre os anjos estava retomada, os anjos fiéis lutariam ao nosso lado, pela retomada do que voltou a ser nosso, graças à vitória do Cordeiro, nosso libertador, verdadeiramente Deus, mas, também, verdadeiramente, homem.

E, finalmente, ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.

Todas as vozes, no céu, e na terra, e debaixo da terra estavam unidas, e estavam capitaneadas por nós, no louvor ao Deus do Universo; porque só nós falamos àquele que está assentado sobre o trono, porque só a nossa voz é ouvida no Santo dos Santos. O silêncio no lugar santíssimo, fora quebrado, nós estávamos de volta, voltamos a prestar e a ter o nosso culto aceito pelo Deus do Universo. Nós estávamos de volta ao estado de adoração!

E os quatro seres viventes, que velam pela honra do Deus do Universo, diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre.

Que assim seja, que nos mantenhamos sempre em estado de adoração, capitaneando, pela graça, administrada pelo Espírito Santo, a todas as criaturas no louvor que é devido ao que está assentado no trono e ao cordeiro!

Se você quiser saber mais sobre o nosso ministério, ou investir nesse ministério, clique em:

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...