terça-feira, 16 de outubro de 2012
TRINTA E DEZENOVE ANOS - PAULO CILAS
Dessa maneira anuncio minha nova idade. Uma tentativa de ludibriar os quarenta e nove anos que se aproximam. No Salmo 90, Moisés pede que Deus nos ensine a contar os nossos dias para alcançar um coração sábio.
"Consideremos alguns elementos chaves nessa oração: Primeiro, somente Deus conhece quantos dias restam da nossa vida. A certeza da morte é inegável. Igualmente certo é o fato de que ninguém sabe em que dia ela virá. Deus, nosso Professor Supremo, conhecedor de todas as coisas, marca a carga horária na escola da vida. Ele é quem assina o diploma ou reprova os alunos".
Mas, como se dá isso? Será que somente contando meus dias, sabendo dividir um ano em meses e meses em dias mostra que sou um sábio?
Há algo mais. Algo que é muito maior do que somente contar o tempo passar. Contar os dias é saber o que fizemos com aqueles passados. O quanto fomos curados daqueles que nos feriram. O quanto aprendemos com aqueles que nos fizeram cair. O que aprendemos com as boas palavras ouvidas, as belas canções sentidas e com os bons exemplos dados por alguém.
É isso! Contar os dias é saber exatamente onde estamos hoje, o que somos e o que seremos quando o amanhã chegar. Muitos têm somente existido amesquinhados pelas banalidades, egoísmos, traumas, invejas, frustrações. Viver é mais do que isso. Claro que os momentos duros são inegáveis, porém, há algo além do lamento, da dor, da tristeza e da perda. Viver é tirar sensibilidade da lágrima, serenidade da tristeza e firmeza ante os ventos contrários.
Casimiro de Abreu declamou: “Que saudades da aurora da minha vida”! Aos “trinta e dezenove anos” não quero desperdiçar e nem deixar de lembrar os dias que vivi, desde os mais exultantes aos mais tenebrosos. Não quero abrir mão deles, e nem fugir. Quero aplicar ao hoje, ensinar com eles a mim mesmo e a quem eu puder lições de vida e da vida. Porque, dizem por aí, que o inteligente aprende com seus próprios erros, mas, o sábio aprende com os erros dos outros. Então, se eu contar os dias ruins, eles contribuirão para que alguém se torne sábio.
E me lembrarei sempre dos dias bons! Assim como os dias maus, eles me formataram. E, até hoje me fazem sorrir ou liberar uma sonora gargalhada. Os meus dias me fazem ser quem sou.
Assim eu prossigo. Assim, prosseguimos todos. Uma senhora aos 80 anos disse: “se alguém passa um ano todo deitado inevitavelmente envelhecerá um ano, mas, não necessariamente crescerá mais um ano. Podemos, então, somente envelhecer com o passar dos dias, ou, crescer, contando- os e aprendendo com eles.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
LIVRO "CAMINHO DE JESUS E OS ATALHOS DA IGREJA - EUGENE PETERSON
SALMO 130:“ESPERO NO SENHOR COM TODO O MEU SER, E NA SUA PALAVRA PONHO A MINHA ESPERANÇA.”
Para as pessoas que estão no caminho, a espera é uma imposição penosa. Estar no caminho significa que estamos nos dirigindo a um destino. Para um viajante ávido e resoluto, a espera pode ser recebida somente como uma interrupção, uma demora, correr, passear, guiar um carro, conduzir um cão, cavalgar, enfim, o que quer que seja que façamos no caminho é o que fazemos no caminho. Senão, por que estaríamos no caminho?
Mas há momentos em que somos incapacitados de fazer nosso caminho no caminho. Uma perna quebrada, um acidente que nos deixa amarrotados numa vala, um atalho promissor que nos deixa irremediavelmente atolados num charco. É aí que esperamos. Não temos escolha. Não faz diferença quantos transeuntes animados nos dão acenos de encorajamento, torcendo para que cheguemos até o céu com palavras de ânimo e incentivo, vociferando conselhos, citando passagens da Escritura (“estejam preparados...”; “...toma a tua cruz e segue-me”; “ corre com perseverança...”). Mas não conseguimos. Estamos na extremidade da corda. Estamos com a água já cobrindo a cabeça. Oramos. Oramos porque não há nada que possamos fazer por nós mesmos, e não há nada que ninguém mais possa fazer por nós. Oramos “das profundezas”.
“Das profundezas” abre o coração. “Profundezas” é um termo do vocabulário da geografia – vale, ravina, águas profundas, fosso, vala – que em geral é usado como metáfora: insondável, profundidade de corrupção, angústia, apostasia. Certamente há um referencia implícita ao pecado em todas essas profundezas. O pecado não é uma mancha superficial na alma ou no corpo; ele penetra até as profundezas. O pecado não responde a tratamentos cosméticos; ele exige uma operação na fundação de nossa vida.
Mas é o seguinte: o pecado não nos desqualifica de estarmos no caminho. O pecado não nos expulsa de nosso lugar no caminho. Podemos estar parados, incapacitados, perdidos, deprimidos, zangados, confusos, aturdidos, mas ainda estamos no caminho: “Se tu, Soberano Senhor, registrasses os pecados, quem escaparia? Mas contigo está o perdão para que sejas temido” (v. 3-4). Outra maneira de expressar isso é “Se você, Deus, mantivesse um registro dos erros cometidos, que possibilidades nos restariam? Mas o que se percebe é que você tem o hábito de perdoar, e é por isso que você é adorado” (tradução portuguesa não oficial de A mensagem). Estando no caminho de Davi, somos tratados no caminho de Jesus; portanto, como diz Paulo, “agora já não há condenação” (Rm .1).
Em suma, há muito mais coisas acontecendo no caminho do que simplesmente chegar a um destino. E há muito mais coisas acontecendo no caminho do que simplesmente aquilo que nós estamos fazendo. Há o que Deus está fazendo. Por essa razão, esperamos no Senhor. Paramos, seja por escolha, seja por circunstância, para podermos estar alertas, atentos e receptivos ao que Deus está agindo em nós e por meio de nós, nos outros e por meio dos outros, no caminho. Esperamos até que nossa alma e nosso corpo estejam no mesmo compasso. Esperar pelo Senhor é a maior parte do que fazemos no caminho, porque a maior parte do que acontece no caminho é o que Deus está fazendo, o que Deus está dizendo. Boa parte do tempo, incapacitados ou debilitados pelo pecado, não conseguimos fazer o que precisa ser feito, então esperamos em Deus para que ele o faça em nós. Muitas vezes, não sabemos o que fazer, então esperamos até compreender o que Deus ordena que façamos. A espera não é somente “esperar por aí” de forma indolente. Esperamos “pela manhã”, o que significa dizer que aguardamos com esperança. Esperamos enquanto sendo “regatados, curados, restaurados, perdoados”. Esperamos em Deus para fazer o que não somos capazes de fazer por nós mesmos “nas profundezas”. Quando foi ele que fez, estamos mais uma vez no caminho.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
CHEGA DE JOGUINHOS RELIGIOSOS - BÍBLIA "A MENSAGEM" DE EUGENE PETERSON
ISAÍAS 1
1- Visão de Isaías, filho de Amoz, teve a respeito de Judá na época dos reis de judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias.
2-4- Céus e terra, vocês são o júri.
Ouçam a causa que o Eterno está apresentando:
“Tive filhos e os criei bem,
mas eles se voltaram contra mim.
O boi sabe quem é seu dono,
o jumento conhece a mão que o alimenta,
mas Israel não.
Meu povo perdeu completamente o rumo.
Que vergonha! Vivem fugindo do Eterno, enganados, cambaleando sob o peso da culpa.
Bando de crápulas, gangue de baderneiros!
Meu povo virou a cara para mim, o Eterno – deram as costas para o Santo de Israel: eles se foram
e nem mesmo olharam para trás.
5-9- “Porque insisto em me importar com vocês,
se vocês teimam em seguir os próprios caminhos?
Vocês continuam batendo a cabeça contra o muro.
Tudo em vocês é autodestruição.
Da ponta dos pés até o alto da cabeça nada está bem:
Machucaduras, escoriações, feridas abertas,
não cuidadas, não lavadas, não tratadas.
Sua terra está devastada,
suas cidades foram queimadas.
Seu país foi destruído pelos estrangeiros diante dos seus olhos, reduzido a entulho pelos bábaros.
Sião está devastada,
como uma cabana abandonada prestes a cair,
como um barraco pichado e esquecido,
como um navio afundando, abandonado pelos ratos.
Se o Senhor dos Exércitos de Anjos não tivesse deixado alguns sobreviventes, estaríamos tão desolados como Sodoma, condenados como Gomorra.
10- “Ouçam minha Mensagem,
vocês, líderes treinados em Sodoma.
Recebam a revelação de Deus,
vocês, povo formado em Gomorra,
11-12- “Por que esse frenesi de sacrifícios?”
o Eterno está perguntando.
“Não acham que já recebi minha porção de sacrifícios queimados, de carneiros gordos e bezerros rechonchudos?
Não acham que já estou cheio
de sangue de bois, de carneiros e de bodes?
Quando vocês se apresentam a mim,
quem deu a ideia de agir desse jeito,
correndo pra cá e pra lá, fazendo isto e aquilo,
essa agitação inútil no lugar do culto?”
13-17- “Chega de joguinhos religiosos!"
Não suporto mais essa encenação:
Conferências mensais, agenda sabática, estou encontros especiais, reuniões e mais reuniões – não aguento ouvir falar em reunião!
Vocês me cansaram!
Estou cansado de religião, de tanta religião, enquanto vocês continuam pecando.
Quando fizerem a próxima oração coletiva, eu vou olhar para o outro lado.
Não importa se oram alto, por muito tempo ou com frequência; eu não vou dar ouvidos.
Sabem por quê? Porque vocês têm trucidado pessoas,
e suas mãos estão cheias de sangue.
Vão para casa e se lavem!
Limpem essa sujeira toda.
Esfreguem a vida até que saiam suas maldades,
para que eu não seja mais obrigado a olhar para elas.
Digam ‘não’ para o mal,
aprendam a fazer o bem.
Trabalhem pela justiça.
Ajudem os oprimidos e marginalizados.
Façam alguma coisa pelos sem-teto.
Levantem a voz em favor dos indefesos”.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A MALDIÇÃO DO HOMEM MODERNO - A. W. TOZER
Os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a Palavra. Marcos 4:19
Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje: a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.
Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir - nem sentirá - a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.
Temos nos tornado uma sociedade "profana" - completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar - coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.
Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno: ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: "Não ouço nada?"
Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: "Bem, estou disposto a agarrar minhas chances". Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances - quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias - os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.
Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.
Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma" (Mt 11. 28,29).
Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.
Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: "Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador". Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: "Senhor, salva-me!"
Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: "ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!"
quarta-feira, 4 de julho de 2012
SÓ JESUS - PAULO CILAS
Há algum tempo postei “Deu tudo errado” onde discorria a trajetória dos homens da Bíblia e suas pisadas de bola, a nação de Israel que não foi o que deveria ter sido. Também mencionava as tragédias pessoais, familiares e sociais de "todo mundo". Tudo isso para apontar que “só Jesus deu certo”. Que fora de Jesus não há solução, não há perspectivas que se sustentem.
Mas, por que insistimos em caminhos que Jesus não percorreria? Por que insistimos em doutrinas que não conseguiram salvar o homem? Por que submetemos “a fé” à maneira humana de exercê-la?
Tento responder a mim mesmo que parte dos nossos equívocos se origina na sinceridade aliada à ignorância. Explico: Tomando Paulo como exemplo é fácil identificar como que o cumprimento ferrenho de leis e regras mais a total falta de conhecimento da pessoa de Jesus – seu sentimento, sua disposição em ser humilde e obediente até a cruz, seu amor perdoador, seu desprezo total às aparências religiosas entre tantas outras – nos levam a viver e agir dizendo que é em nome de Jesus, mas, totalmente fora de Jesus. E a solução é rogar ao Espírito – como o bebê roga pelo leite – que nos ensine, pois tudo está escrito de maneira surpreendente clara. Ou, ainda, que sejamos jogados ao chão, cegados em nós mesmos para enxergarmos enfim Jesus.
Por outro lado, penso não estar sendo pessimista ao afirmar que uma grande parte, talvez, a maior (pelo menos esta é a sensação) não caminha com e em Jesus pelo mesmo motivo de sempre: Achar que pode instituir algo diferente e mais capaz do que a mensagem do próprio Mestre. Vejamos: Marketing e organização – É claro que precisamos divulgar desde O Evangelho até as programações de nossas igrejas e logo aceitamos o argumento de que se fosse hoje Jesus e os discípulos lançariam mão das diversas mídias disponíveis. O problema é que, argumento aceito, os que vão dominando as tais mídias se rendem por motivos carnais e malignos – soberba resume bem - ao espírito da propaganda desse mundo que para vender um produto só conta vantagens sobre ele (nesse caso não é mais Jesus “o produto” e, sim, suas respectivas organizações) para agradar a clientela e fidelizar consumidores.Ouça a música “O Evangelho” do Grupo Logos que, aliás, foi proibida de tocar num programa “evangélico” de uma emissora “evangélica”.
Há ainda o domínio da “cultura nociva” sobre o evangelho. Friso nocivo porque já houve e ainda há o triste entendimento que pregar a palavra é impor costumes regionais sobre outros – como os judeus queriam fazer com os gentios, os muçulmanos radicais fazem hoje à semelhança do catolicismo nas colônias subjugadas e dos “evangélicos” atuais que se acham “os reis da cocada preta”. Nota:
“Eu ouvi a seguinte explicação certa vez que me parece razoável: Quando a família real chegou ao Brasil, eles experimentaram muitas das iguarias locais, e dentre elas, a cocada preta tornou-se um dos quitutes preferidos na corte e era bastante disputado, de forma que o rei tinha o direito de se servir primeiro da cocada preta, daí a expressão jocosa "rei da cocada preta". A expressão denota um indivíduo convencido e pretensiosa, que se crê muito e não é nada.”
Mas, o quero dizer aqui é da subserviência do “evangelho” ao “modus vivendi e operandi” de determinados povos. Do hemisfério norte (principalmente USA) vem o conceito capitalista e business eclesiástico, ou seja, a igreja é conduzida como empresa com metas, estratégias, méritos e recompensa venal – haja vista o fato de alguns expoentes desse modelo estarem sendo investigados por autoridades americanas por levarem vida nababesca com dinheiro não tributado de igrejas. Ainda há casos de igreja – catedral de cristal de famoso pregador da “prosperidade”, por exemplo- abrindo falência e tendo seu precioso templo indo a leilão. Pelas nossas paragens assistir um programa de uma mega- igreja em que se afirmava categoricamente que o jumentinho que Jesus montou era a BMW da época (sem comentários). Sem contar a fala de um histriônico e “repaginado” pregador afirmando que quem oferta e dizima só por amor e fidelidade é trouxa, pois, quem semeia laranja não faz por amor e fidelidades e, sim, para colher muitas laranjas e ganhar dinheiro. A viúva pobre elogiada por Jesus torna-se trouxa na versão do “pregador de Jesus”.
Há ainda a imposição de um misticismo sincrético sobre o culto cristão – que deveria ser em Espírito, em verdade e racional. Todavia, certo “fetichismo espiritual” tomou conta de muitas “igrejas” e de seus cultos, que mencionam aos jorros os nomes de Jesus, do Pai e do Espírito, mas, na verdade se gloriam mesmo nas “visões, nos atos proféticos e em suas conquistas de espaço e influências e, também, nos seus “papas ídolos”.
E a igreja brasileira parece que juntou o pior das duas culturas acima (se é que existe melhor). Pior, segundo a SÃ DOUTRINA, porque, segundo quem as impõe e quem as obedece cegamente – “muitos segundo as suas concupiscências constituirão doutores sobre si mesmos”- é a melhor das fusões. Fazendo sempre menção do “mundo espiritual”, desafios de semeaduras, tomada de posse, restituições, amarrações de satanás dentre tantas outras coisas, o que se quer mesmo são as benesses trazidas pelo “vil metal”. Simplificando: busca-se o “espiritual” como trampolim para o material. E isso é facilmente constatado no estilo de vida dos “principais e sacerdotes”. Se no passado alargavam os filactérios, as franjas das vestes finas, hoje, são os carrões e mansões e também a vestes caras que dão o tom das conquistas e da autoridade “espirituais”.
Meu Deus! A história da igreja está repleta de erros causados pelos desvios dos ensinamentos mais elementares do Senhor. “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.
Ou ainda:” De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma”! Ai a igreja vai e se deixa seduzir pelo governo terreno e torna-se Oficial do Estado com direito as todas tramóias pelo poder político e econômico. “Ninguém sabe o dia e a hora”! E quantos já não marcaram a data da volta de Jesus? Há casos de cidades sendo fundadas ou conquistadas à força para serem palco de sua volta. Recomendo “Caminhada cristã na história”- Alderi Souza de Matos – para mais detalhes.
Em todos os setores e de todos os lugares vêm o discursos de que os tempos são outros e as estratégias precisam ser outras também. Concordo, entretanto, sem jamais mudar, adaptar e tão pouco distorcer as palavras e O espírito imutável “Das Boas Novas”.
Só Jesus!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
ESPIRITUALIDADE EGOLÁTRICA - CARLOS QUEIROZ
Na espiritualidade ególatra, o sacerdote se confunde com a divindade.
A egolatria não é o simples cuidado do indivíduo consigo mesmo. Cuidar de si mesmo, afinal, é uma virtude. Quando praticamos o cuidado conosco mesmos, aprendemos a amar mais as pessoas. A egolatria não é também um sentimento de egoísmo. O indivíduo egoísta tem a expectativa de que todas as coisas e pessoas estejam em torno de seus interesses. Sem dúvida, isso é pecado; mas não é, ainda, um culto ao ego. Isso porque, enquanto o egoísta deseja que todas as coisas existam para atender seus interesses, o ególatra acredita que tem o poder para mover todas as coisas e pessoas em torno de si. A principal marca do ególatra é a cobiça, às vezes demonstrada por atitudes extremas. Tal sentimento foi muito bem exemplificado na proposta do diabo a Cristo: “Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares.”
A egolatria é mais danosa do que a idolatria. E existe, lamentavelmente, uma espiritualidade ególatra, aquela que é caracterizada pela prática religiosa cujas celebrações e liturgias favorecem a promoção de personalidades. Na idolatria, a divindade é inanimada; o ídolo não controla a situação. Já na egolatria, o ego-deus tem boca e fala; tem nariz e cheira; tem pés e anda. Ele tem uma inteligência cheia de artimanhas; em geral, possui carisma e cativa as massas. O ego-deus consegue passar a ideia de que foi o único dotado para uma missão especial – assim, possuiria poderes especiais, como uma capacidade mística de desvendar os mistérios escondidos no além e trazer revelações sobrenaturais.
Nas instituições caracterizadas pela egolatria, há a necessidade de intermediários entre os devotos e o divino. Por essa razão, os cargos e papéis espirituais são uma espécie de concessão do ego-deus a esses intermediários, sob a condição de trocas simbólicas e materiais. Diante de um ego-deus, todos os seguidores obedecem, sem o mínimo de discernimento. Qualquer atitude crítica é denunciada como rebeldia intolerável. A egolatria é marcada pela necessidade de promoção pessoal, vanglória e arrogância. Os ególatras necessitam de títulos que os façam diferentes. Em se tratando da vocação pessoal, os dons e ministérios não representam habilidades para servir às pessoas; eles são, isso sim, títulos particulares, espécie de insígnias ostentadas como demonstração de poder e domínio. Nos ambientes marcados pela egolatria, títulos que, em si mesmos, em nada credenciam seus detentores como sobre-humanos – como pastor, padre, bispo, apóstolo –, assumem um significado de divinização de indivíduos em seus feudos religiosos e redes de submissão ao seu controle.
Na espiritualidade ególatra, o sacerdote se confunde com a divindade. O agente mágico e a divindade fundem-se numa só personalidade. Mas o ego-deus é materialista, possessivo, vingativo; seu discurso não glorifica ao único Deus, Senhor dos céus e da terra, mas favorece a própria dominação, estimula a vassalagem dos seguidores e legitima a dinâmica do poder. A legítima pregação bíblica é substituída por um discurso caracterizado por frases-feitas e palavras de ordem supostamente capazes de mover a mão divina, decretar a bênção e promover bem estar físico e material aos adeptos – normalmente, em troca dos chamados sacrifícios, quase sempre realizados através do dinheiro.
Se, numa determinada comunidade, as pessoas estão dando mais ênfase à experiência espiritual que isola, discrimina os de fora e põe os supostamente espiritualizados em pedestais, é bem provável que estejamos diante da espiritualidade egolátrica, e não do modelo proposto por Jesus Cristo. No Evangelho de Cristo, o que é aparentemente oculto é revelado aos pequeninos do seu Reino. As boas novas “escondidas” em Deus, de fato, estavam sempre presentes; todavia, os seres humanos sofisticados não compreenderam a singeleza dessa mensagem: a de que aos pobres e aos pequeninos é que foram reveladas as boas novas a respeito do Reino de Deus (Lucas 10.18-19). As “revelações” recebidas pelos poderosos dos empreendimentos religiosos não dizem respeito à mesma revelação anunciada pelo Filho de Deus aos pobres e pequeninos.
É muito importante que saibamos discernir entre a espiritualidade revelada por Jesus de Nazaré e aquela praticada nas ambiências egolátricas da cristandade brasileira.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
CENAS DE VIAGEM - PAULO CILAS
Aprende-se com tudo. E uma viagem longa então nem se fala; e da última, relato quatro acontecimentos interessantes.
(1) Como que com tão pouco fazemos algo grande. Mantemos um trabalho social com crianças em agrovila em Alcântara - Maranhão. O dinheiro mandado é pouco e não nos exige muito esforço, contudo, é recebido com alegria e gratidão. Mas, mais que a alegria pela manutenção do projeto -que inclui alimentação e reforço escolar- é a alegria com que somos recebidos. Eu e Izaias - diácono e amigo- sentimos isso de perto. Um pouquinho de tempo mais uma dose de atenção são capazes de suscitar sorrisos e amizades. Meu Deus! Como temos perdido o hábito dos gestos simples, da doação pura. No final somos nós mesmos os ajudados. É paradoxal: esvaziamos-nos e ficamos cheios!
(2) Fazendo diferença. Quando voltamos à São Luis começando o regresso fomos devolver o carro que alugamos - quando viajamos em dois podemos rachar despesas e ai até alugar carro é possível- e as atendentes não conseguiam encerrar a conta por causa de "sistema lento". “Enquanto isso conversávamos entre nós assuntos variados mantendo o bom humor e sempre com citações “da verdade” fugindo dos chavões crentes”. O que quero dizer é que é possível, e recomendado, falar da verdade sem parecermos gente estranha, superior e que põe nas palavras e frases viciadas sua perspectiva de vida cristã.
Bom, mas eis que de repente a moça mais velha naturalmente disse: "Quem dera se todos fossem assim como vocês! Ora, eu sei que tenho os meus dias difíceis, mas, sei também que mesmo neles posso demonstrar a razão da minha fé. Ainda que vacile momentaneamente.
3)Classe D. Antes de tudo um aviso aos viajantes: se estiverem em viagem
com conexão em Brasília orem para que não aconteça na quinta-feira. Olha, vou contar uma coisa absurda. Tinha comprado minha passagem com mais de mês de antecedência e eis que na hora do embarque um aviso se fez ouvir: "faremos a chamada por ordem de letras. Se não foi isso foi algo parecido. Só sei que desconfiado olhei o canhoto do bilhete recém tirado no "chequin"; não deu outra: classe D. Os Deputados federais e Senadores de fato não trabalham na sexta e todos tinham tomado de assalto o meu vôo que faria escala em São Paulo. Os representantes do povo estão acima do povo com privilégios já por demais conhecidos.
O mais triste é perceber que este mesmo mal assola a igreja. As palavras de Pedro 1 Pe. 5 são ignoradas e os líderes religiosos também arrogaram para si privilé-
gios e ganhos dominando sobre todos. Corremos sérios riscos de sermos D em "Brasília" e na igreja.
(4) Tolos contraditórios. Os sinais do egoísmo, do hedonismo estão por toda parte, mas, o que chama mais a atenção é que cada vez mais fechados dentro de nós, com graves dificuldades para a confissão de pecados, aceitação de deficiências e limitações, nos expomos desbragadamente nas redes sociais e aos celulares.
Ainda no aeroporto, esperando por longas horas na sala de embarque uma figura me chamou a atenção. Minto, chamou a atenção de muita gente. Baixinho e com alguma diferença no tamanho das pernas que o fazia dar uma pequena ... é, como vou dizer? Sim, ele rebolava enquanto andava. Entretanto, não era isso que o destacava.
Tal fato só OTIMIZAVA sua conversa ao celular em tom altíssimo sobre assuntos de trabalho, domésticos e tudo com direito a palavras cavernosas. E, pior ainda. Ele dava voltas e mais voltas em torno das cadeiras lotadas do salão. O chato é que ele passava por mim falando um assunto e na próxima volta já "tava" em outra parte ou assunto diferente.Quase que passei a segui-lo para saber como terminava tudo.
Percebi que somos pródigos em expor nossa tolice e banalidade, embora, escondamos cada vez mais quem somos de fato.
É, aprende-se muito a qualquer momento. Em viagem então!!
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