sexta-feira, 18 de junho de 2010

SÍNDROME DA VACA LEITERA - POR PAULO CILAS


Aproveitando o espírito da copa menciono a frase de um comentarista esportivo sobre um goleiro que, depois de diversas defesas dificílimas, engole um frangaço: " Ele deu uma de vaca holandesa. Deu 30 litros e depois chutou o balde!"

Mas, vamos sair "do campo" e entrar no ônibus: Dois membros de uma mesma igreja no passado
agora se encontram num "coletivo". O mais jovem pergunta ao mais experiente - é assim que se chama o mais velho de velho, viu?- : " E ai, você continua membro da igreja ..."? A resposta veio amargurada: "Não, cansei de levar a igreja nas costas"! ATENÇÃO!! Nunca converse sobre igreja dentro de coletivos. É constrangedor.
Pois bem, aquele homem da resposta amargurada tinha trabalhado, vivido sua juventude no seio da igreja em questão e depois de anos o que ele tem é... nada. Só uma sensação de que perdeu tempo. Canseira e enfado. Era como se toda sua produção tivesse sido derramada por terra.
A pergunta obrigatória é: Para quem fazemos, afinal? Se é sabido que está aumentando exponencialmente o número de desgastados, frustrados, sugados e outros "ados" dentro - e agora fora - da igreja, temos de questionar onde está firmada a nossa fé!
Paulo afirma que nosso trabalho "não é vão no Senhor". Ou seja, ele sempre é producente. O próprio Paulo, mesmo tendo sido perseguidor dos crentes segundo suas convicções, não desprezou o que aprendeu com Gamaliel e enxerga com clareza que a lei que seguia foi condutora para o perfeito entendimento da Graça de Cristo. Não chutou o balde!
Nós não ignoramos os dominadores de mentes e almas existentes- principalmente nos dias atuais- que fazem com que mais e mais pessoas lhes sirvam sob o "signo da obra de Deus". Entretanto, penso que a maioria desses seguidores não são inocentes. " Muitos constituem líderes sobre si por causa dos seus próprios desejos".
Mas, já está passando da hora de sabermos que não trabalhamos para igrejas de homens. Que não devemos buscar recompensas terrenas e se "alguma glória há, que seja na Cruz de Cristo." Alias, já é passada a hora de entendermos que não realizamos a Obra do Senhor, e, sim, é O Senhor que realiza sua Obra. E nós fazemos parte dela. Ou melhor, nós somos A Obra de Deus!
Acordemos pois. Sabemos que ao longo da caminhada temos desacertos, birra tipo Paulo e Barnabé por causa de Marcos. Sabemos que há Himeneu, Fileto, Diotrefes entre outros que causam dores. Contudo, nenhum deles jamais será capaz de apagar o cântico triunfal, a melodia quebrantadora, a palavra pregada ao pecador. Nenhum homem , seja ele pastor ou qualquer outro líder, pode me roubar a alegria de ter ido à igreja, de continuar indo. Até porque, não levo a igreja nas costas. Quem a sustenta é O Seu Senhor, se de fato ela, a igreja, lhe pertencer. E eu?
Eu amarei a mensagem da Cruz até por uma coroa trocar.
Saibamos disso hoje. Porque depois, não adiantará chorar pelo leite derramado.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SÍNDROME DO MORRO - POR PAULO CILAS

Nasci e cresci no morro . E as dificuldades de estar "por cima" eram compensadas pela paisagem. Ao entardecer era possível ver o braço de mar com as águas avermelhadas pelos fulgidios raios de sol. Bela visão! Então, até compreendo quando moradores de um certo morro de uma grande cidade rejeitaram a oferta de morarem em lugar de melhor acesso e estrutura. Não queriam perder a bela vista lá do alto.
Séculos atrás, em um país distante, Pedro também relutava em descer do morro. Ele estava vendo algo deslumbrante. Nada mais, nada menos que Elias e Moisés ladeando Jesus. "Não saio deste morro de jeito nenhum! Eu? Voltar para ficar perto do Iscariotes, a multidão que aperta, os ameaçadores soldados romanos. Sem contar os fariseus hipócritas. Vamos armar a barraca!!!
Além do mais, ficando aqui não corro risco de negar meu mestre, de fazer acepção entre gentios e judeus,etc,etc,etc. Isso, sem falar que no futuro não passarei um "carão"pagando o maior mico ao ser repreendido pelo chato do Paulo. Aliás, quem ele pensa que é? Eu é que "to"vendo isso aqui! E aqui, sem chance de Elias se enfurnar na caverna e Moisés se irritar com a pedra"!
Assim é a síndrome do morro. Quem dela é acometido basta ver algo místico que logo quer transformar sua vida num" misticismo sem fim. Cada culto tem que ter algo extraordinário. E o que não falta é gente para produzir isso. É lei do Cada enxadada, uma minhoca segundo um jargão interiorano. O culto racional passa a ser frio demais. Já não basta uma adoração em ESPÍRITO E EM VERDADE sem dependência do morro, seja ele em Samaria ou Jerusalém. Pregar a palavra em todo tempo, então? Tendo paciência para ensiná-la , suportar os fracos, lidar com com os ingratos, errar e ser corrigido, "sofrer os maus"... Enfim, descer. E, descer?? É "ruuuim", heim!
Definindo em uma frase o pessoal que tem essa síndrome: morro, mas não deixo o morro!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MAIS SÍNDROMES: BICHOS TROCADOS - POR PAULO CILAS

Continuando com o que eu resolvi nomear de "síndromes" no meio eclesiástico cito mais uma:

Síndrome dos bichos trocados - No ótimo filme A ERA DO GELO 2 temos uma elefanta - nos tempos de guri eu ouvia o sumido "aliá"- que pensava ser um gambá e agia com tal. No mundo da fantasia, onde tudo é possível, isso soa engraçado e sem riscos. Todavia, no mundo real confundir os bichos pode ser um erro perigoso.
Jesus diz que deveríamos ser simples como a pomba e prudentes como a serpente. Pois bem, imagine agora o contrário: seja prudente como a pomba e simples como a serpente. Dá a maior "zebra"! E tem gente que não consegue imaginar tal possibilidade. Vai direto para a troca! E como seria na prática essa troca? Basta pensar por exemplo alguém querendo acariciar uma serpente, tratá-la com afeto. O resultado é óbvio! Um bote e uma picada. E torça para que não haja veneno e, se houver, que não seja tão letal.
Vejo muita gente assim. Talvez, em algum momento, eu mesmo tenha sido assim. Espero que não mais! Mas, fato é que seja por feridas passadas - Traições, decepções e outros "ões", muitos não permitem que outros se aproximem tanto. Estão sempre armados para o ataque. E se a aproximação for para corrigir em alguma coisa então? Aí é que a coisa fica feia mesmo. E torça para que não sejam venenosas, e, se forem, que não sejam letais.
Entretanto, há outros que são simples como a serpente como que por vocação. Mesmo dentro das igrejas a impressão que passam é que sempre estão "armando". Cheios de ardis, usam,em um momento, uma casca de arautos da verdade e justiça e, em outro momento, uma roupagem de piedade. Mas, o objetivo é o mesmo: envenenar! Se possível, paralisar ou matar os "adversários". Da para ver a peçonha escorrendo pelos cantos da boca.
Por outro lado, temos os prudentes como a pomba. A cena de alguém jogando milhos ou migalhas de pão aos pombos é por demais comum. Daí é fácil perceber como que os vitimados
por tal escolha são ou se tornam presas fáceis. Basta que sejam jogadas algumas migalhas de qualquer coisa - e qualquer coisa fora do rico contexto da PALAVRA DE DEUS é e sempre será migalha enganosa - e pronto! Os prudentes como a pomba são usurpados, enrolados, tornam-se massa de manobra, um exército débil a mercê de espertalhões que vivem dando bordoadas em suas cabeças. E, quando afagam, é somente para usurpação das mesmas.
Tais "pombas" não são símbolo da paz e simplicidade. Elas simbolizam a falta de conhecimento e sabedoria, a torpeza do engano e a nescidade.
Bichos feios!

domingo, 9 de maio de 2010

ME ENGANA QUE EU GOSTO - POR ED RENÉ KIVITZ

As culturas devem ser lidas nas linhas e entrelinhas. As linhas falam da coisa em si. As entrelinhas falam do espírito da coisa. As entrelinhas podem distorcer e até mesmo destruir o que está dito nas linhas.Com a cultura cristã não é diferente. Veja o exemplo da assinatura da Igreja Universal do Reino de Deus, a saber, Jesus Cristo é o Senhor. De acordo com o Novo Testamento, isso significa que devemos viver como escravos dos propósitos de Jesus Cristo: ele manda e a gente obedece, ele propõe e a gente executa, ele dirige e a gente segue, pois afinal de contas, Ele é o Senhor. Mas na cultura da IURD, as entrelinhas dessa afirmação fazem com que ela signifique que Jesus pode realizar todos os seus desejos, afinal de contas Ele é o Senhor. A relação fica invertida: você clama e ele responde, você reivindica e ele atende, você pede com fé e ele lhe dá o que foi pedido, você participa da corrente de oração e se submete aos 318 pastores e Jesus faz a sua vida próspera e confortável, pois Jesus Cristo é o Senhor e você é “filho do rei”, de modo que não há qualquer motivo para que você continue nessa vida miserável, daí a segunda convocação da IURD: “para de sofrer”. Percebe como as linhas dizem uma coisa e as entrelinhas dizem outra?O movimento evangélico é mestre em fazer confusão e promover distorção do Evangelho em virtude desse jogo de linhas e entrelinhas. Um exemplo disso é a mensagem VAI DAR TUDO CERTO, que recebi essa semana : _SALMO 22.VAI DAR TUDO CERTO ."DEUS me pediu que te dissesse que tudo irá bem contigo a partir de agora. Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória. Esta manhã bati na porta do céu e DEUS me perguntou... 'Filho, que posso fazer por você ?' Respondi: 'Pai, por favor, protege e bendiz a pessoa que está lendo esta mensagem'.DEUS sorriu e confirmou: 'Petição concedida'. Leia em voz baixa... 'Senhor Jesus : Perdoa meus pecados. Amo-te muito, te necessito sempre, estás no mais profundo de meu coração, cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'. Passe esta oração a 5 pessoas, no mínimo. Receberás um milagre amanhã. Não o ignore.Deus tem visto suas Lutas.Deus diz que elas estão chegando ao fim.Uma benção está vindo em sua direção.Se você crê em Deus, por favor envie esta mensagem para 20 amigos.Se acredita em Deus envia esta mensagem a 20 pessoas,se rejeitar lembre Jesus disse:“se me negas entre os homens, te negarei diante do pai” Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa." Deixo de lado a crítica gramatical e o péssimo uso da lingua portuguesa. Dedico minha atenção ao conteúdo da mensagem que, travestida de cristã, é absolutamente anti-cristã: mentirosa, fantasiosa, desprovida de qualquer sentido bíblico, desalinhada com o todo do ensino e experiência de Jesus, seus apóstolos, e seus primeiros seguidores, totalmente alinhada com os dircursos baratos da auto-ajuda e da enganação religiosa, enfim, uma versão barata e piedosinha da superstição sincrética do espiritualismo popular.A afirmação “vai dar tudo certo”, lida de acordo com as linhas do Novo Testamento, significaria, por exemplo, que os propósitos de Deus prevalecerão, a marcha da igreja de Jesus Cristo contra os poderes do mal será vitoriosa, a vontade de Deus será um dia feita na terra como o céu. Mas também significaria que os seguidores de Jesus seriam sempre ovelhas em meio aos lobos [Mateus 10.16], odiados pelo sistema sócio-político-econômico anti reino de Deus, ameaçados de morte, rejeitados, caluniados, e perseguidos por causa do nome de Jesus [Mateus 5.10-12], e passariam por muito sofrimento e tribulação antes de receberam a vitória plena no reino eterno de Deus [Atos 14.22]. Isto é, antes de dar tudo certo, daria tudo errado.A convicação de que “em Cristo somos mais que vencedores” [Romanos 8.37], e que “em Cristo Deus sempre nos conduz em triunfo” [2Coríntios 2.14], é também acompanhada de uma profunda compreensão a respeito dos custos de se colocar ao lado de Deus e do reino de Deus, em oposição à injustiça e aos agentes promotores e mantenedores da morte no mundo.Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.[1Coríntios 4.9-13]Fica, portanto, muito evidente que quando os cristãos do Novo Testamento diziam que “vai dar tudo certo” estavam afirmando coisas completamente diferentes dessas afirmadas na mensagem que recebi pela internet, que diz:Tudo irá bem contigo a partir de agora. Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória. Cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'. Receberás um milagre amanhã. Uma benção está vindo em sua direção.Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa.Meu amigo, minha amiga, não é verdade que “tudo irá bem contigo a partir de agora”, e também não é verdade que “você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”. Não se iluda, pois não é verdade que “nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”. Preste atenção: o compromisso cristão não suplica que Deus cubra com sua luz “minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”. Na verdade, o compromisso cristão exige que você deixe de viver para seus sonhos, seus planos e seus projetos e passe a viver para Deus, pois, como ensina a Bíblia, “o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou“ [2Coríntios 5.14,15], e justamente por isso é que quem deseja seguir a Jesus deve lmebrar o que Jesus disse:"Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” [Mateus 16.24-26]Também não é verdade que “receberás um milagre amanhã” e que “dentro de quatro minutos te dirão uma notícia boa”.Pelo amor de Deus, jogue fora esse evangelho açucarado, que promete o que Deus jamais prometeu, e gera falsas esperanças nas pessoas. Respeite o sofrimento e a dor das milhares de pessoas que, apesar de sua fé, e talvez justamente por causa de sua fé, passam fome, não têm mínimas condições de sobrevivência, sofrem as consequências de tragédias pessoais e fatalidades naturais, são vítimas de um sistema mundano cruel, que as condena à escravidão e a uma vida sem futuro. Lembre dos cristãos que vivem na África, na Índia, na América Latina, e nos rincões miseráveis do Brasil. Seja solidário com as minorias: os negros escravizados, as mulheres violentadas, as crianças abusadas, as populações indígenas dizimadas, os refugiados de guerra, os perseguidos políticos, os desaparecidos. Respeite a grandeza dos cristãos perseguidos e mortos sob a tirania do fundamentalismo islâmico e dos regimes políticos ateístas. Pense um pouco se essa mensagem “vai dar tudo certo, todos os seus sonhos se realizarão, você vai receber um milagre amanhã” faz algum sentido na ala infantil do Hospital do Câncer, no campo de refugiados (mutilados) de Angola, ou nos casebres secos do sertão brasileiro.Construa sua fé sobre um alicerce mais sólido. Por exemplo, o Salmo 22, aviltado com essa mensagenzinha “vai dar tudo certo”. Aliás, é bom lembrar que Bíblia não é um livro que pode ser manuseado por qualquer pessoa, de qualquer jeito. Da mesma maneira que não é qualquer pessoa que pode dar palpite a respeito do direito, de medicina, da engenharia, ou do marketing, também a teologia exige um mínimo de preparo, senão, muito preparo mesmo. Digo isso porque talvez o autor dessa mensagenzinha não saiba que o Salmo 22 é um dos Salmos messiânicos, que profetiza o sofrimento e o fracasso do Messias, que foi (1) abandonado por Deus e pelos homens [Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra], (2) rejeitado [Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo], (3) insultado [Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim], (4) dilacerado pela dor que lhe foi brutalmente imposta [Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés], e por fim (5) cuspido na cara e crucificado como impostor.Para esse Messias não deu nada certo. Ele não recebeu uma boa notícia quatro minutos após sua agonia no Getsêmani, e também não recebeu um milagre no dia seguinte. No dia seguinte foi crucificado.Mas esse Messias, apresentado pelo profeta como “homem de dores, que sabe o que é padecer” [Isaías 53], “Deus exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” [Filipenses 2.9-11]. Isso sim é dar tudo certo.
Provavelmente alguém vai dizer que é isso o que a mensagenzinha da internet quis dizer. Mas não foi. Nas linhas, pode ter sido. Mas no contexto da religiosidade popular e da subcultura evangélica, a mensagenzinha sugeriu que “os seus sonhos e os seus projetos” darão certo, e que você pode esperar para amanhã aquela resposta milagrosa de Deus para resolver seus problemas e dificuldades particulares, e que em quatro minutos você vai receber uma notícia boa, muito provavelmente trazendo a você uma benção na forma de conforto e prosperidade.Em síntese, a mensagenzinha pode ser interessante, pode trazer uma esperança e um conforto para quem está lutando contra um sofrimento ou uma dificuldade medonha, e pode até mesmo trazer um alívio do tipo “eu sei que não é bem assim, mas é bom pensar que é, ou acreditar que pode ser”. Mas definitivamente essa mensagenzinha não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

SÍNDROMES- POR PAULO CILAS

Toda definição de síndrome começa basicamente assim: "conjunto de sinais e sintomas..." e por ai vai. Pois bem, atentando para alguns "sinais e sintomas", mesmo com a minha precariedade de conhecimento, penso ter visto -e continuo vendo- algumas "síndromes" no meio, que prefiro dizer, eclesiástico. São elas:

Síndrome do cachorro atrás do carro - Realize a cena: Passa o carro e põe-se o cachorro ou a cachorrada em perseguição ao veículo alvo. Se o carro prossegue, não resta muito a fazer a não ser esperar o próximo. Entretanto, o mais curioso é quando o carro para. O esforço empreendido é resumido a... nada! Isso mesmo. Quando muito, sobra um xixizinho na roda que precede o abandono por completo do bem perseguido. Animal!!!
E não é que um tanto de gente faz "igual"! Conheço e já conheci pessoas que tinham um desassossego em suas vidas e viviam correndo atrás de uma benção - emprego, casa própria, CASAMENTO, fim de uma mesma luta que já dura uma vida , conversão de alguém ,etc - e quando enfim encontraram, simplesmente perderam o sentido do que buscavam. Parece que não sabem viver em sossego aproveitando "o carro que parou". Faltam paz e gratidão, satisfação e contentamento. Animal!!!

Síndrome do carro velho - Essa eu conheço bem, pois meu primeiro carro(?) foi um fusca 64. E é claro que o problema não era ele ser de 1964 e, sim, tê-lo adquirido vinte e tantos anos depois! E isso era uma verdade incoveniente porque estava na cara, isto é, na lata, nas rodas , em toda parte elétrica 6v. que eu passaria boa parte de nossa convivência fora dele, ou seja , empurrando-o. E eu tinha uma suspeita que tal acontecia mais nos dias de chuva, nos dias de bebê a bordo...
Pois bem, muitos sofrendo dessa síndrome não conseguem viver a vida cristã sem serem empurradas ou rebocadas. Dentre tais pessoas existem as "fraquinhas e pobrezinhas", que tal qual o aleijado perto do poço, lamenta porque ninguém o empurra para dentro do mesmo, vivem sempre se lamentando. E o interessante no episódio do homem à beira do poço é que se ele tivesse sido lançado não teria tido o encontro com Jesus.
Existe outro tipo de pessoas: As que carecem que alguém as reboquem para direcioná-las, nunca sabem que caminho seguir, e o curioso é que quase sempre o caminho por onde seguem não é o caminho por onde Jesus passa. São sempre conduzidas por ventos de doutrinas. Carros sempre velhos!

Já, já, mais síndromes!

terça-feira, 20 de abril de 2010

FESTA PARA JESUS - POR PAULO CILAS

Mês de Páscoa. Várias igrejas comemorando. Algumas teimam em voltar ao tempo "dos cordeiros" mesmo depois dO CORDEIRO DE DEUS ter feito pelo seu sangue uma Nova Aliança.
Mas quero falar das festas. Vamos estender mantos e ramos, coros e palmas a quem? Ora, vamos louvar a Jesus que vai suprir todas as nossas necessidades e expectativas.
A multidão exalta o sucessor de Davi que como grande rei vai guerrear e vencer os malditos romanos restaurando assim o orgulho nacional. Afinal, somos cabeça e não cauda. Além do mais, vai nos devolver a liberdade e produzir prosperidade.
Mas...quem é esse, de onde ele é? É de Nazaré! E pode vir alguma coisa boa de lá? Seria mais confiável se fosse um profeta renomado de um grande centro.
E o que Ele vai fazer agora depois dessa recepção calorosa? Por certo aproveitará o apoio e irá contra Herodes, Pilatos e César. Ele esmagará os inimigos. Nossos inimigos!
Ei! O que Ele está fazendo? Ih, está mexendo na estrutura do culto religioso no templo. E está dizendo que quem não produzir bons frutos vai secar. E mais: Em alta voz afirma que não adianta dizer-se filho de Deus e não fazer a vontade do Pai. E pra complicar, declara que não só os romanos são maus, mas seu próprio povo, para quem ele foi enviado, consegue ser pior.
E, se queríamos "libertação" no presente, Ele põe em dúvida nosso futuro afirmando que: "na FESTA DO CORDEIRO, as bodas, quem não estiver com as vestes apropriadas será expulso".
Contrário as expectativas Ele diz que devemos amar e não guerrear com o próximo.
E em meio às críticas aos líderes hipócritas Ele definitivamente mostra que não veio nos salvar dos outros. Veio nos salvar de nossos pecados e da condenação iminente.
A maioria queria outra festa que lhe satisfizesse . A exaltação na verdade era ao que Jesus poderia fazer e não a Ele e pelo que veio fazer. Entretanto, outros, inclusive nós, podemos nos gloriar NA CRUZ DE CRISTO . Porque Nela foi levado meu pecado, minha culpa. NELA morrendo, Ele me tirou da morte livrando minha alma da maldição.
Façamos uma festa ao Senhor... com lágrimas!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

SINAIS DA QUEDA - POR GORDON MACDONALD

O declínio de uma igreja passa por cinco estágios nem sempre fáceis de perceber
Um pouco antes de terminar meus estudos em teologia, fui convidado para pastorear uma congregação no sul do Illinois, nos Estados Unidos. Aquele foi meu primeiro grande despertamento para as realidades da liderança pastoral – e uma experiência um tanto desconfortável. As habilidades ou dons que levaram a congregação a me convidar a ser seu líder espiritual foram, provavelmente, meu entusiasmo, minha pregação e minha aparente habilidade – mesmo sendo ainda jovem – em alcançar pessoas e fazê-las sentirem-se cuidadas.
O que não havia sido mencionado era o fato de aquela congregação estar desiludida devido a uma terrível divisão provocada pelo pastor anterior, que encorajou um grupo de cem pessoas a sair com ele para formar outra congregação. E bastaram apenas alguns meses para que eu percebesse que entendia muito pouco sobre liderar uma organização com aquele tamanho e complexidade, e ainda por cima, tão ferida. Com meus 27 anos, eu estava completamente perdido. Passara meus anos no seminário pensando que tudo que alguém precisava para liderar era uma mensagem carismática e uma visão encorajadora, e tudo o mais na vida da igreja seria perfeito. Ninguém havia me falado sobre grupos a serem dirigidos, equipes esperando resultados e congregações precisando ser curadas. Há quem tenha bom conhecimento de como conduzir uma comunidade cristã. Eu não tinha.
Geralmente, quando se entra num processo de crescimento descontrolado de uma organização, abandonam-se os princípios sobre os quais ela foi constituída
Foi naqueles dias de angústia que fui apresentado ao meu primeiro livro de liderança organizacional, The Effective Executive (“O executivo eficiente”), de Peter Drucker. Ali, percebi como as pessoas estão dispostas a alcançar objetivos que não podem ser atingidos. Aquele livro, provavelmente, me livrou de um nocaute no primeiro round em minha vida como um pastor. Desde aquela época, mais de quarenta anos atrás, incontáveis outros autores tentaram aprimorar os insights de Drucker. E nenhum deve ter tido mais sucesso nessa tarefa quanto Jim Collins. Não sei se ele tinha pessoas como eu em sua mente quando ele escreveu seus livros, mas muitos de nós, engajados ou não no trabalho pastoral, aprendemos muito com ele.
Recentemente, Collins e seu grupo de pesquisadores escreveram uma obra menor, com o nome How the Mighty Falls (ainda sem titulo em português), que segundo ele começou como um artigo e terminou como um livro. Collins afirma que foi inspirado em uma conversa durante um seminário, no qual alguns poucos líderes de setores tão diversos como o militar e o de empreendimentos sociais reuniram-se para explorar temas de interesse comum a todos. O tema era a grandeza da América e os riscos desse gigantismo. O receio geral era de que o sucesso encobrisse o perigo e os alertas do declínio. Saímos de lá pensando em como seria possível perceber que uma organização aparentemente saudável enfrentava sérios problemas.
Um indício claro de declínio é desencadeado quando líderes ignoram ou minimizam informações críticas, ou se recusam a escutar aquilo que não lhes interessa
Parece ser cada vez mais real o fato de que grande parte dos líderes desconhece o problema vivido na sua organização. Em seu livro, Collins identifica cinco estágios no processo de derrapagem de uma instituição. O primeiro é a autoconfiança como fruto do sucesso. “Prestamos um desserviço a nós mesmos quando estudamos apenas sobre o sucesso”, afirma Collins. Uma pesquisa e análise acerca de empreendimentos, até mesmo na literaturas de liderança eclesiástica, mostra que poucos livros investigam as raízes do fracasso. Parece que existe no segmento cristão a presunção de que o sucesso é inevitável, razão pela qual não se torna necessário considerar as possíveis consequências de uma queda.
A confiança exagerada em si mesmos, nos sistemas que criam ou na própria capacidade para resolver tudo faz com que os líderes não enxerguem seus pontos de fraqueza. Subestimar os problemas e superestimar a própria capacidade de lidar com eles é autoconfiança em excesso. A ganância e a busca desenfreada por mais é outra das principais situações que derrubam um grupo ou organização. Geralmente, quando se entra nesse processo descontrolado, abandonam-se os princípios sobre os quais a entidade foi constituída.
A busca pelo crescimento exagerado é o segundo estágio que antecede a derrocada, seja de uma organização secular ou de um ministério cristão. Muitos líderes tornam-se cegos pelo êxtase do expansionismo. Constantemente surge uma necessidade em tais líderes de mostrarem-se capazes, e eles não conhecem outra forma de fazer isso que não seja tornando seus empreendimentos maiores, independente das consequências. É a incessante idéia de que tudo tem que crescer e crescer. Todavia, impressiona o fato de que a cobrança de Jesus aos seus discípulos estivesse relacionada à necessidade de fazer novos discípulos, e não de construir grandes organizações. Ele parecia saber que discípulos bem treinados em cada cidade e povoado dariam conta de conduzir o movimento cristão de forma saudável. Talvez Jesus temesse exatamente o que está acontecendo hoje: a sistematização do movimento cristão, sua centralização e expansão tão somente para causar uma impressão.
O terceiro estágio de declínio identificado por Collins é desencadeado quando líderes e organizações ignoram ou minimizam informações críticas, ou se recusam a escutar aquilo que não lhes interessa. A negação dos riscos é um perigo iminente – e riscos não levados a sério são justamente aqueles que, posteriormente, causam grandes estragos na organização. É preocupante, para Collins, quando organizações que baseiam suas decisões em informações inadequadas. Em meu ministério de liderança, cedo aprendi a temer conselhos que começam com expressões como “Estão dizendo” ou “O pessoal está sentindo”. Prefiro valorizar dados precisos, vindas de pessoas confiáveis, sábias, que se engajam na tarefa de liderar a comunidade com sensatez. Isso nos possibilitou caminhar ao lado de gente que jamais imaginávamos que caminharia conosco. Nada me foi mais valioso do que receber, delas, informações que me ajudaram a conduzir minha congregação.
O estágio quarto começa, escreve Jim Collins, “quando uma organização reage a um problema usando artifícios que não são os melhores”. Ele dá como exemplo uma grande aposta em um produto não consolidado, o lançamento de uma imagem nova no mercado, a contratação de consultores que prometem sucesso ou a busca de um novo herói – como o político que vai salvar a pátria ou o executivo que em três meses vai tirar a empresa do buraco. Eu me lembro de épocas nas quais eu estava desesperado por vitórias que fariam com que minha igreja deixasse de caminhar na direção em que estava caminhando – para o abismo. Ao invés de examinar o que nossa congregação fazia nas práticas essenciais de serviço ao povo, centrada no serviço a Cristo, fui tentado a me concentrar em questões secundárias: cultos esporádicos de avivamento, programações especiais, qualificação de nossa equipe de funcionários. Hoje eu vejo o que tentei fazer: promover salvação de vidas através de publicidade, uma grande apresentação o um excelente programa. Graças a Deus, aprendi – assim como aqueles ao meu redor – que artifícios assim não funcionam. O que funciona é investir em pessoas, discipulá-las, conduzi-las a Jesus e adorá-lo em espírito e em verdade, fazendo com que as coisas estejam em seu devido lugar.
Collins menciona ainda o estágio cinco da decadência, que é o da rendição. Se as coisas saem do eixo organizações como igrejas tendem a perder a fé e o espírito. Penso que o templo em Jerusalém deve ter ficado dessa forma quando Jesus se retirou de lá e disse que não voltaria àquele lugar. Ele estava antecipando o dia, que estava por vir, quando não restaria pedra sobre pedra ali. Não muito tempo atrás, eu estava em frente ao templo de uma igreja no País de Gales. Na porta, estava a seguinte placa: “Vende-se”. Uma outra placa indicava que aquele prédio havia sido construído no período do grande avivamento britânico, no século 18. Agora, o prédio estava escondido entre a vegetação, completamente abandonado.
Quando começa a morte de uma organização? Quem perdeu os sinais que indicam vida? Quem abandonou os princípios essenciais? Quem não entendeu as informações? Quem está correndo, completamente perdido no meio da multidão, sem saber pra onde ir? Essas são boas perguntas. Se ignoradas, a igreja cairá.
Gordon MacDonald é editor da revista Leadership

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é...