quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

DEUS É AMOR. O QUE SIGNIFICA ISSO? - POR RICARDO GONDIM

Deus é amor. Eis a declaração central para se entender o cristianismo. Amor não é atributo que torna Deus racionalmente compreensível. Em Jesus, Deus não se assemelha a um Júpiter que dita, e micro gerencia, os nano detalhes do universo. Deus ama. Nesta afirmação se alicerça a mensagem de que ele não deseja outro tipo de relacionamento com a sua criação.
Uma autêntica relacionalidade com Deus só será possível caso se aceite que ele criou pessoas com liberdade. A correlação amor e liberdade é estreita. Relacionamento verdadeiro só acontece quando aceitação e rejeição se tangenciam. Isto implica que mulheres e homens têm o poder de voltar as costas para a oferta de amor. Deus ama. Portanto, não se força – “eis que estou à porta e bato”.
Quando Deus interpela, homens e mulheres são capazes de responderem sim ou de frustrá-lo. Está escrito em Lucas 7.30 que os indivíduos possuem liberdade de dar as costas ao conselho ou propósito (grego, boulê) de Deus: “Mas os fariseus e os peritos da lei rejeitaram o propósito (boulê) de Deus para eles, não sendo batizados por João”.
Também está escrito em Lucas 13.34 que a vontade (grego, thelô) de Deus pode ser frustrada. O lamento de Jesus sobre Jerusalém é emblemático: “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!”.
Deus não brinca, não dissimula, sua liberdade é real. Não faz sentido imaginar uma divindade escondendo alguma agenda na manga ou induzindo as criaturas a se sentirem livres sem que realmente sejam. Homens e mulheres apenas cumpririam um roteiro previamente escrito e determinado. Aceitar que Deus mantenha atos secretos, nega a revelação de que ele seja luz; nele não há sombra ou suspeita. C.S. Lewis argumentou sobre a onipotência divina em “O problema do Sofrimento” e concluiu:
A sua onipotência significa poder fazer tudo o que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. É possível atribuir-lhe milagres, mas não tolices. Isto não é um limite ao seu poder. Se disser: “Deus não pode dar a uma criatura o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, negar-lhe o livre arbítrio não conseguiu dizer nada sobre Deus
O Deus bíblico cativa amorosamente os seres humanos e os interpela para que se comprometam com a construção da história – que ainda não está pronta. O teólogo uruguaio Juan Luis Segundo dizia que “com infinita liberdade, Deus se dá a si próprio os limites que supõe (para não ser contraditório) todo amor no trato interpessoal. E isso nos recorda outra limitação, a suprema, realizada por Deus: a da Encarnação (cf. Fl, 2.7)”. Quando encarnou, Jesus não se fantasiou de humano, mas assumiu as limitações contingenciais comuns a todos.
Mesmo que alguns considerem absurdo, Deus corre, sim, riscos. A liberdade que ele soberanamente decidiu fundamentar suas relações abre diques tanto das virtudes como dos vícios. Mesmo assim, a liberdade que pavimenta o chão de seus relacionamentos não significa que Deus não consiga, em sua infinita sabedoria, desencalacrar o universo das possíveis consequências do mal. Deus é capaz de mobilizar gente disposta a redesenhar a história, nem que a partir de tragédias.
Como não está sujeito a qualquer necessidade, nada o força a fazer qualquer coisa. As Escrituras não deixam dúvida: em sua liberdade, Deus decidiu não controlar tudo o que acontece. Mas sua decisão foi coerente com seu próprio ser. Porque Deus é amor, convoca a homens e mulheres se tornem seus parceiros na condução da história. Este gesto é desdobramento de seu caráter. Deus jamais agrilhoaria a história; jamais colocaria cabrestos em seus filhos. A partir de sua boa vontade e de sua liberdade, Ele criou e convocou seus filhos para, em diálogo amoroso, entrar em parceria na construção do amanhã.
Espiritualidade só será verdadeira se aproximar as aparentes contradições da vida. Orar é acreditar que uma conversa genuína aconteceu. Houve uma sintonia entre a criatura e o Divino. Oram bem os que aceitam ser possível enlaçar e co-operar com Deus para, de alguma forma, alterar os eventos futuros – que não estão fixados.
O cristianismo não navega nas mesmas águas da religiosidade grega. Desde a metafísica aristotélica, a história era entendida como um destino inexorável. O pensamento helênico negava o valor e a consistência das parcerias entre Deus e a humanidade. Lamentavelmente, esse fatalismo ganhou força com a teologia da “Providência” que procura mostrar que Deus mantém a sua vontade em mundo contingencial. Na teologia iluminista, Deus passou a ser descrito com as mesmas atribuições que o “Motor Imóvel” de Aristóteles: um oleiro impassivo que zela por sua própria glória, não admite questionamentos, e não tem escrúpulos de usar vidas humanas para conduzir a história ao seu fim majestoso.
Essa função atribuída a Deus de organizar a ordem cósmica tornou-se um absoluto inquestionável do cristianismo. Os teólogos passaram a afirmar, com absoluta certeza, que Deus, desde sempre, decretou cada mínimo detalhe do que acontece no universo e nas vidas humanas. Assim, tanto o bem como o mal só ocorrem por sua vontade. Auschwitz, tráfico internacional de crianças para pedofilia e Darfur são, em última análise "da sua vontade, pois, se Deus permitiu é porque tem algum propósito".
Juan Luis Segundo negou que esta divindade se pareça com o Deus bíblico: “O fato é que o Deus de Aristóteles e o Deus que, segundo João, é Amor, não são a mesma coisa. Se Deus é amor, é mister refazer o conceito da realidade divina".
Portanto, liberdade adquire maior importância para que a espiritualidade não seja alienante (Marx), infantilizante (Freud) ou desumanizante (Nietzsche).
José Comblin afirmou que “as formas da antiga cristandade estão se apagando. Com o desaparecimento da cultura rural, o cristianismo dos avôs já pertence ao passado. Não adianta querer ressuscitar o passado nem querer contar com os movimentos de “entusiasmo” religioso para fundar nova cristandade... O evangelho é este: ‘Cristo nos libertou para que vivêssemos em liberdade’ (Gl 5.1).’Foi para a liberdade que vocês foram chamados (Gl 5.3). Deus é liberdade e nos criou para a liberdade. Esta é a nossa vocação humana. O sentido da nossa vida é construir e conquistar a liberdade".
Soli Deo Gloria

O NOVO ATEU - POR RICARDO BARBOSA DE SOUZA

Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"
Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.
Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.
No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.
Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.
Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.
Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.
Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.
A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.
As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.
A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.
Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

BEZERRO DE OURO - PARTE lV - Por Paulo Cilas

Em volta do bezerro a alegria se tornou contagiante. Um observador não necessariamente tão atento diria que “está tudo muito bem”, “que coisa maravilhosa”; um povo que há pouco era escravo, mais que 400 anos em terra estranha, agora tendo a liberdade, caminhando para sua própria terra. O que mais justificaria tanta alegria?

Entretanto nem sempre aquilo que parece ser motivo de alegria, ou que dê ao povo ações e reações de júbilo é o que Deus quer. Segundo o texto bíblico, não era barulho de vencidos ou vencedores, não havia nenhuma batalha conquistada, não ali. Era tão somente canto. Mas para quem?

Arão tentou, como vimos anteriormente, juntar o culto ao bezerro com festa a Deus; será que resta ainda dúvida sobre a real motivação de tais cantos, de tal alegria? A resposta vem com Moisés, aquele que já poderia ter morrido lá em cima, no cume. O defasado. O Moisés que não atende mais às expectativas do povo.

Ele chega e as tábuas que trazia consigo escritas com os caracteres com a lembrança de tudo o que ele ouvira de Deus, os mandamentos, foram agora despedaçadas ao pé do monte. Moisés não esqueceu naquele ato o que Deus lhe falou , mas o que seria para todo o povo, tanto as representações das tábuas bem como o que Moisés falaria foram perdidas ali. Se outro observador olhar essa cena, sabendo tudo o que se passa, diria “todos os dias ouvindo de Deus e toda instrução útil que de Deus se teria foi perdido.” Há de se recomeçar. Ao invés da boa instrução o que vem agora é repreensão. Nenhum passo adiante, o deserto se encomprida. Um povo livre, mas não liberto. O povo tirado do Egito, mas o Egito não tirado do povo. Quanto perdemos em não esperar, ouvir e aprender!

Cena que segue, Moisés agora repreende a Arão: “O que te fez esse povo para você permitir isso?” Arão ainda tenta justificar dizendo que o povo é mau e que ele se sentiu pressionado. Moisés, pesado de fala, é o estraga-prazer de plantão e o que vem a seguir é um absurdo: Aquele ajuntamento se tornou em divisão, irmão matando irmão, amigo matando amigo, vizinho matando vizinho. Podemos questionar porque Moisés deu tal ordem de destruição, podemos não entender, mas uma coisa é certa: divisão, sofrimento, gente contra gente só são provocados por aqueles que deixam Deus e buscam bezerros.

Particularmente, ainda não consigo conceber que muitos dividam tanto em nome de “Deus” e dizem estar fazendo a vontade de “Deus”, que estão louvando a “Deus”. Se todos estivessem esperando a Palavra que realmente vinha de Deus, se não quisessem erigir seus bezerros, que podem ter hoje as mais diversas formas (homens, instituições, prédios, ministérios...). Se...

Se na oração sacerdotal de Jesus Ele afirma que se o povo fosse um, o mundo saberia que o Pai o enviou, justifica o fato de tantos não crerem em mais nada. “Arão" precisa entender que os caminhos de Deus não passam pelo bezerro, e nem se deve sucumbir aos desejos de um povo inquieto. O apóstolo Paulo adverte: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres conforme as suas próprias concupiscências”. Talvez precisemos de mais Moisés não tendo vergonha e nem hesitação de suprimir a Palavra por um pouco para não misturar o santo com o profano, levar o povo a um reconhecimento de erro, afinal foi Jesus quem disse: “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis pérolas aos porcos” (MT. 7.6).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BEZERRO DE OURO - PARTE lll - Por Paulo Cilas

Diante da insistência do povo, Arão, tomando as argolas de ouro e formando o bezerro, agora se depara com uma dificuldade ainda maior: “Quando o povo vê o bezerro pronto começa a bradar - São estes, oh Israel, os teus deuses que te tiraram da terra do Egito”. Arão diante de tal afirmação imediatamente levanta um altar e diz “- Amanhã será festa ao Senhor”.
O que vemos é que não dá para ceder nos princípios fundamentais da fé porque isso nunca termina bem, como veremos em outro momento. É um abismo chamando outro abismo. Arão concordara com o bezerro e agora tenta conciliar o culto ao bezerro com o culto também a Deus. No dia seguinte eles madrugaram com holocaustos e trouxeram ofertas pacificas. É bom observar que eles continuavam cumprindo princípios de um culto normal. O engano se deu e se dá ainda hoje da mesma maneira quando também muitos continuam a cumprir obrigações e atos de culto. Textos bíblicos são aplicados, princípios são ensinados, contudo as imagens dos bezerros modernos estão ali envolvidas. Então percebemos que a pratica normal de culto se torna uma sombra, uma cortina de fumaça que na verdade apenas encobre o erro maior cometido no meio do “arraial”.
Está escrito que de Deus não se zomba e que Deus não dá Sua glória a ninguém. Sendo assim é inútil tentar conciliar bezerros com Deus. E não adianta a alegação que tendo um chamariz forte fica mais fácil reunir o povo para então falar de Deus. Não é assim que vemos em toda Bíblia Deus agir. Jesus em certo momento, vendo que muitos discípulos tinham desistido de estar com ele, pergunta aos que ficaram se eles também não queriam se retirar ao invés de oferecer algum incentivo para estes ficarem e para aqueles voltarem.
Muitas vezes, olhando as muitas reuniões repletas de pessoas que cantam e pulam, que choram, logo pensamos que é um culto genuíno a Deus. E será, se o que motiva o povo a isso não for um líder admirado, uma música apelativa, uma mensagem empolgante, porém sem consistência bíblica e com muitas promessas humanas duvidosas. Então, se está escrito que “Só ao Senhor adorarás, e só a Ele prestarás culto”, o culto só é legítimo com essa consciência. O Senhor como o centro, sem dividir a atenção com nada e com ninguém.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

BEZERRO DE OURO – PARTE II – Por Paulo Cilas

Sem saber como aguardar as instruções de Deus para o prosseguimento de sua vida, o povo agora tem de eleger uma referência, algo que lhe sirva para animar a vida ali, dar sentido aquele ajuntamento. Então o povo vai a Arão, o sacerdote, e simplesmente diz: “Faça-nos deuses que vão adiante de nós” (Ex. 32.1).

Repare que para pedirem uma referencia nova, precisam dizer que Moisés morreu, já que demora. Assim também é verdade que muitos começam a dizer que a igreja está morta, está fria – situação que muitas vezes foi verdadeira na igreja, mas quem providenciou um avivamento foi Deus, e não o homem. O mover de Deus desperta – e com esse argumento de “morta e fria” precisam aquecer sempre de um jeito. Jeito, normalmente, artificial, megalomaníaco, fundamentado em artifícios.

Arão, em seu primeiro vacilo diante desse quadro, sentindo-se pressionado, diz: “Tirem as argolas de ouro [...] e tragam a mim” (Ex. 32.2). Isso é fantástico! Salomão iria dizer que não há nada de novo debaixo do sol, o que foi, é o que é, e o que volta a ser. O ouro está sempre envolvido nesse chamado, despertamento, novo sentido!

Cegadas pela impaciência as pessoas entregam o ouro, literalmente. E muitas fazem com uma devoção surpreendente, uma convicção que parece ser legitima. É quase sempre certo que a entrega do “ouro” é representada mesmo em valores, dinheiro etc. Pense que muitos novos programas de televisão, principalmente de uma igreja com visão “de ampliação”, “de conquista”, “de abençoar todo povo” começam com o seguinte discurso: Esse é um programa para abençoar a tua vida, a tua casa, a tua família. Vai abrir portas... diversas portas” . Logo depois, o discurso muda: “Ajude a manter esse programa! Seja uma coluna! Deus irá te abençoar se você o fizer”.

Enfim, tudo termina na entrega do “ouro”. “Textos, fora de contexto, usados como pretexto”! Essa frase que sempre ouvi, explica bem a maneira de como isso se opera. Textos bíblicos isolados, muito mais do que fora do contexto, estão fora do Espírito da Bíblia, são palavras de ordem ditas com muito autoritarismo humano, e nenhuma autoridade espiritual. Alias, a palavra “espiritual” é muito usada também.

E assim, não entendendo a importância de um crescimento natural e contínuo, desejando até mesmo ações de Deus contudo desprezando o que de Deus já se tem e com um Arão sincero porém claudicante, o bezerro vai sendo erguido. Mas, o mais triste é que, além do ouro, as pessoas entregam suas próprias almas, tornando-se sem identidade. E, em alguns casos o que vemos é uma unidade de manada em desenfreada carreira, repetindo chavões requentados com pompa de coisa nova e dominada por um culto que não é a Deus. Massa de manobra. O culto racional aconselhado pelo apóstolo Paulo passa ao largo. E esse é o valor maior que se perde. Porque não há nada mais triste do que ver alguém seguindo e repetindo mecanicamente seus Bezerros, sem ter senso crítico, pois não julgam tudo, como é recomendado pelos profetas, pelos apóstolos e principalmente por Jesus, à luz da Bíblia.

Ouro e alma confiscados.

O culto só pode ser a bezerros.

Obs. Na terceira parte: Como Arão, sendo sacerdote do Senhor, tenta conciliar os cultos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

BEZERRO DE OURO - PARTE l - Por Paulo Cilas

Para nós parece estranho que o povo hebreu logo após ser tirado da escravidão do Egito quase que imediatamente erigiu um bezerro de ouro para adoração. Entretanto, a realidade daquele povo não está distante de nossa própria realidade. Os sentimentos, os interesses e os maus costumes dele são comuns em nossos dias também. Talvez não nos apercebamos disso porque não há um bezerro, literalmente, dando forma a nossa conduta também estranha.
Passemos então a considerar os passos que antecederam a criação do bezerro bem como também os fatos durante a existência do mesmo:

Agora o povo já se encontrava livre do Egito e tinha pela frente a caminhada até a terra prometida. Os hebreus passariam definitivamente a existir como nação. Tudo deveria estar bem mas...
O plano de Deus não era simplesmente político geográfico. O plano não era a formação de uma nação - povo e terra -, mas, sim, a formação de uma nação com o caráter de Deus. Um povo diferente de todos os outros povos. E para isto começar a acontecer Ele, O Senhor , chama Moisés à parte para lhe passar instruções. Pois bem, o que vem a seguir é muito parecido com o que acontece o tempo todo na caminhada de preparação também do povo que herdará a terra e a eternidade. O povo não sabe ficar quieto. O povo não sabe esperar. O povo não sabe acordar a cada dia e vivenciar sua existência com todas as complexidades embutidas.
No Egito, como escravos, não havia tempo nem oportunidades -se havia, eram raras- para a revelação de caprichos e maldades, mesquinharias e invejas. E tantas outras perniciosidades que povoam o interior de cada um. As chibatas e o trabalho escravo passavam somente a imagem de que todos eram vítimas inocentes.
Agora não. Dia a dia o povo teria de estar às voltas com temperamentos diferentes. Aprender a partilhar, perdoar, entender e compreender a si mesmo e os outros. Mais ainda e sobre tudo: Teria de aprender a confiar em Deus. E isto só, deveria bastar.
Entretanto, a disposição dos hebreus não foi essa. Diante da demora de Moisés eles sentiram a necessidade de algo que os motivasse. Bem parecido quando nós, hoje, em nossa caminhada, já não temos mais ânimo para o culto, para a vida relacional com os outros, para a formação de nosso caráter, para aprender aquilo que já ouvimos há muito e que não conseguimos inteiramente colocar em prática. Então, precisamos de novidades para nos estimular e sem perceber, vamos erigindo nosso Bezerro de Ouro moderno.
No Egito, os hebreus tinham sido influenciados pelas várias formas de culto a vários deuses, e a imagem do bezerro era algo comum a eles, era uma das referências que eles tinham e agora erigiam um "boi novo", ou seja, um deus novo. Hoje, como estamos no mundo, também vamos formando bezerros modernos que podem ter várias formas, ou simplesmente ideias. Exemplos: As tantas novas visões, as unções, as frases de efeito, as palavras de moda, os líderes carismáticos, as potências eclesiásticas, as megas igrejas, as inúmeras campanhas, tudo para motivar o povo que não sabe esperar, ouvir, aprender e viver a cada dia.
E se algo extra o Senhor quiser mandar, Ele, o Senhor, mandará. Como a Shekinah - a glória que vinha sobre o tabernáculo. E é simples assim! O Senhor manda, não precisamos fabricar nada. Não precisamos impor nada. A nós, dia a dia, o Senhor nos ensina a caminhar aqui enquanto nos preparamos para chegarmos do outro lado.

Na próxima parte, abordarei como construímos o "bezerro". O que entregamos para ele.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

REALIDADES: DURAS E SUBLIMES.

MINHA FILHA FOI SEQUESTRADA E ASSASSINADA… E Deus?...
To: contato@caiofabio.com
Sent: Wednesday, September 30, 2009 12:29 am
Subject: luto e Paz

Anapolis, 29 de setembro de 2009.


Querido pastor Caio Fábio,

Eu sou uma mãe que acaba de perder uma filha linda, maravilhosa de 26 anos, com apenas cinco meses de casada... Hoje faz sete dias que a perdemos...
Ela era poesia, cor, música e sensibilidade...
Nós somos uma família que conheceu Jesus quando as nossas três meninas tinham entre três e oito anos. Passamos por grandes lutas e desafios e congregamos na igreja presbiteriana do setor sul de Anápolis com o PR Ronaldo Cavalcante.
Caio Fabio, seguimos os seus passos todas as vezes que você esteve por aqui.
Quarta feira passada por volta das 13 horas meu marido me falou que tínhamos que ir para Goiânia porque a nossa filha do meio, a Polyanna, tinha desaparecido...a minhas pernas sumiram....mas eu levantei e entrei no carro para ir para Goiânia pois ela morava lá e estava casada e feliz.....
Apenas com 26 anos a publicitária mais conhecida da cidade por causa da sua alegria e capacidade de incentivar empresários a acreditarem em seus próprios negócios.
Os homens da família foram para a delegacia... e nós as mulheres da família ficamos 30 horas orando, clamando a deus e esperando o pedido de resgate, tendo em vista que o caro já havia sido encontrado com seus pertences dentro e o mesmo havia sido queimado para apagar provas e digitais, dificultando o trabalho da policia...
Oramos sem cessar e ouvimos, e lemos a Palavra; e tivemos a certeza de que o resgate seria pedido e esperamos que ela voltaria para nós e com sua tremenda capacidade poética e criativa e como uma menina apaixonada por Jesus ainda escreveria um livro para promover quebrantamento e conversão em muitas vidas....
A única palavra que eu queria ouvir nestas 30 horas de vigília e emoção, aflição e angustia profunda era: "a encontraram"...; ou um toque de telefone com o com o pedido de resgate...
Finalmente alguém entra naquela casa onde estávamos amigos e parentes amontoados na sala escorregando do sofá para o chão, então ouvimos: “achou”, mas foi encontrada morta com dois tiros...
Acabei de ler sobre o amor de pai que agradece a deus por saber que seu filho, para ficar livre desse mundo, tenebroso chamado por Jesus... Não consigo neste momento ter este sentimento de gratidão porque tendo certeza de que não era esse o desejo dela também...
Nós todos estávamos fazendo uma campanha de oração e eu sei quais eram os planos dela para o futuro... Planos de paz, de criação, de crescimento, para que o mundo conhecesse o talento gratuito que deus lhe deu...
Não posso considerar que a minha não aceitação é egoísta... ela queria viver aqui com o seu querido marido a lua de mel que a esperou por 8 anos, ela queria ter filhinhos e levá-los para jogar bola com o avô que não teve meninos, só meninas, ela queria realizar sonhos comunitários.
No ano passado ela criou um site: http://www.amigoinedito.com.br/ para movimentar os internautas a fazerem boas ações e registrarem seus depoimentos neste site.
E agora... Eu entendi a resposta que deram para o “mano”, mas voltar a falar com deus esta difícil demais...
Ainda não sabemos quem foi o sujeito que atirou nela, mas eu não posso acreditar que foi vontade de deus... se foi o ódio do inimigo das nossas vidas eu pergunto por que Jesus deixou assassinos interromperem a caminhada de uma mensageira de Deus ???
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Resposta:

Minha irmã amada: Graça e Paz!

Do meu ponto de vista..., Adão não deveria ter pecado; Caim não deveria ter matado Abel; os filhos de Caim não deveriam ter construído Babel; Cão não deveria ter “abusado” na nudez do pai, Noé; Abraão não deveria ter gerado filho de sua serva, Hagar; Jacó não deveria ter enganado Esaú e nem Esaú deveria ter trocado a “bênção” por um prato de lentilhas; os filhos de Jacó não deveriam ter traído José; Moisés deveria ter entrado na Terra de Canaã; a filha de Jefté não deveria ter sido morta pelo voto do pai; Sansão não deveria ter morrido daquele jeito; Davi não deveria ter surtado nunca; e, por isto, não deveria ter perdido nenhum filho; Isaías não deveria ter sido serrado pelo meio; a mulher de Ezequiel não deveria ter sido morta como parábola para ensinar os incrédulos; Oséias não deveria ter sido tão infeliz no casamento; os inocentes deveriam ter sido poupados em todas as chacinas; nenhuma criança deveria ter morrido pela ambição dos adultos; nenhuma mãe jamais deveria ter comido seus filhos no auge da fome; João Batista deveria ter vivido vida longa e honrada, ao invés de acabar sem cabeça em razão de uma bunda bonitinha; Jesus, O Verbo, A Palavra, não deveria ter sido morto; a Ressurreição não deveria ter sido tão discreta...; os apóstolos, como Tiago irmão de João, não deveriam ter sido mortos por nenhum capricho [e todos foram...]; Paulo não deveria ter sido morto justamente quando os cristãos mais precisavam dele; milhares de testemunhas também nunca deveriam ter morrido uma morte sem sentido, banal; enquanto os maus prosperam; enquanto a injustiça foge do juízo; enquanto a verdade é pisoteada; enquanto a maldade se torna poder; enquanto gente boa some... sem explicação...
Sim, entregue a minha visão menor do que a de uma ameba e mais egoísta do que eu mesmo consigo discernir a profundidade do egoísmo, eu poderia consertar o mundo; impedir todas as injustiças; ajudar Deus a ser Deus; determinar o melhor pro mundo, pros meus filhos, pra minha vida; enfim, eu, entregue a mim mesmo, seria tão cheio de boas idéias..., que ninguém que eu amasse morreria; sim, ninguém...; e se morresse seria com meu consentimento, entendimento, compreensão e apoio a Deus na Sua soberania!...
Ah, se eu fosse o Deus do mundo ninguém morreria; ou, então, ninguém que eu gostasse; e, da minha casa, certamente ninguém morreria; não enquanto eu estivesse vivo...
Eu, todavia, há muito aceitei e vi que de fato não vejo; percebi que de fato não discirno; entendi minha limitação de entendimento; constatei que meu melhor amor é ainda por mim mesmo e por meus sonhos; aprendi que meus amores são “meus” e por “minha causa”; pois, morre o vizinho, e não sinto; morre o jovem da esquina, e logo esqueço; milhares são vitimados, e eu apenas lamento; o mundo acaba em vários lugares da terra, e eu agradeço que não seja AQUI...; e, aqui, é onde moro, vivo; e AQUI não posso conceber que aconteça o que no mundo inteiro acontece...
O que não dá é para sofrer em nome de sua filha os sofrimentos que ela não está sofrendo...
Sim, pois você queria ver a sua filha casada e feliz no casamento; tendo filhos; se realizando profissionalmente; etc... Esses são os seus sonhos e um dia foram os dela... Mas saiba: AGORA já não são [...] mais sonhos dela, mas apenas seus [...] por e para ela...
Hoje, para ela, o melhor marido é nevoa perto da Glória; a melhor lua de mel é amarga se comparada à alegria dela; os filhos mais lindos são miragens quando comparados aos encontros de amor que ela está tendo; as realizações profissionais que lhe orgulhariam, hoje, agora, para ela, são as canseiras e os enfados que cessaram...
O problema é que você não teve tempo para se realizar nela!...
É claro que a dor é indescritível... E ninguém pode dizer que não conheço tal dor... Mais de uma vez...
Todavia, é como pai que perdeu filho; como filho que perdeu pai; como irmão que perdeu irmão; como amigo que já perdeu milhares de amigos, que lhe digo que meus sentimentos seriam todos como os seus, não fosse o fato de que discerni faz tempo, que a maior dor dos enlutados é ainda egoísmo pelo outro [...] cuja alegria está plena, mas não a nós...; e, também, vi que tais sentimentos são todos o resultado de minha vontade de me ter nos meus filhos, de me reproduzir neles e assistir tal fato; ou seja: descobri com toda honestidade que minha frustração era não poder gozar a vida neles [...], nos que foram...
Entretanto, hoje, o que lhe digo parece sem coração e fácil de dizer...
Mas não é...
O que é então que me faz dizer o que digo?...
Ora, é a simples coerência com a fé que professo; é a simples coerência com Jesus; é a simples coerência com a existência que mata os homens dos quais o mundo não é digno; é coerência com João Batista, que não era inferior ao meu filho Lukas, e, mesmo assim, morreu por um capricho...
O que posso lhe dizer é que somente a transcendência da fé que se projeta para a Vida que é, sim, somente tal poder pode nos fazer vencer tal dor; a qual, por mais legitima que seja, sempre mistura amor e egoísmo; sempre mistura fé com privilegio; sempre crê que a vida eterna é uma belezinha apenas para quando a gente estiver caquético...
Leia os evangelhos e veja se é justo você pensar que a vida dos discípulos de Jesus esteja para além da calamidade!...
Sei que no momento minha resposta chega a você como vinagre na ferida... Infelizmente, no entanto, não tenho consolações vazias; e nem digo a ninguém o que Jesus jamais disse... Jesus nunca consolou ninguém dizendo “Que Pena! Tão Novinho!”...
Na realidade, ao olhar o mundo, mais creio e internalizo como verdade a declaração que diz que é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos!...
O que eu digo [...] você não entende agora, mas compreenderá depois!...
É justo e sadio chorar os nossos amados...
O que não é certo é perguntar por que em mundo que mata tanto todos os dias, gente que amemos também possa e venha a morrer?...
Além disso, o fato de ter sido um seqüestro seguido de assassinato, do ponto de vista de Jesus, não muda nada; posto que Lhe tenham falado das desgraças e maldades praticadas por Pilatos, ou do acidente idiota na Torre de Siloé, e, a tais narrativas, Ele não acrescentou nada em especial; visto que Dele não se tenha havido um “Oh!”; ou um “Ô”; ou um “Que coisa!”...
Não! Ele apenas disse: “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis!”...
O fato é que Jesus não tem misericórdia e pena por ninguém que esteja partindo desse mundo para a morada do Pai!
Você teria?...
Sinto saudades... Choro... Abraço as memórias... Beijo meu filho no meu coração todos os dias... Mas não o traria de volta se pudesse... Sim, jamais desejaria a ele tal maldade de tê-lo de volta a esse mundo, uma vez que dele meu filho esteja livre para sempre...
Você acha mesmo que o sucesso Publicitário é para comparar com o nome dela publicado no Livro da Vida?...
Seu olhar está enterrado neste mundo, e, por isto, fica impossível hoje para você o alegrar-se na Glória de Deus!
Entretanto, eu lhe digo:...
Se tais “perdas” não nos projetarem para Deus pelo menos pelo afeto eternizado por filhos que já se foram para a Casa Eterna, pergunto: quando então se amará a eternidade ainda vivendo neste mundo?...
Será que um crente só deseja e celebra a eternidade quando o câncer já comeu tanto os órgãos, que a dor é tão desesperadora que a pessoa quer ir para Deus não por Deus, mas apenas para ficar livre da dor?...
É mesmo assim?...
Deus é apenas uma alternativa ao desespero da dor sem cura neste mundo?...
Ora, se é assim Deus ainda não é amado por nós!...
Chore! Chore! Chore! Pois dói demais!...
Mas chore enquanto vê sua filha em Glória; e, portanto, ao chorar, chore por você e não por ela; posto que se ela visse você lamentando a gloria dela, ela lhe diria:
“Mãe! Você não viveu para a minha felicidade?... Então, por que se entristece com minha plenitude em Deus?”
Além do que já disse, não tenho nada para dizer a ninguém e nem a você, minha amada irmã no Evangelho e no luto!...
Entretanto, sei que somente o Espírito Santo pode tornar alguém apto para discernir [...] e se consolar com tais realidades invisíveis...
Oro por você e pela sua casa... Oro pelo seu genro... Oro para que vocês se gloriem na esperança da glória de Deus, conforme se mande que seja para quem de fato crê em tudo o que confessa como fé em tempos de bonança...
Receba meu amor e minha solidariedade!

Nele, que ama nossos filhos mais do que em nosso egoísmo a gente consegue conceber o que seja amor,


Caio

Uma esquerda religiosa e sem esperança - Filipe Samuel Nunes em Gospelprime

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